sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O impulso rumo ao óvulo

Muitos acham que todas as etapas de uma viagem tão curta como a que os espermatozóides fazem pelo aparelho reprodutor feminino até o óvulo não guardavam mais segredos. Porém, cientistas da universidade da Califórnia, descobriram o processo bioquímico que dá um impulso extra para os gametas masculinos quando estão prestes a chegar ao óvulo.

O estudo, publicado na revista Cell, mostra o efeito da acidez intracelular no movimento do espermatozóide. A velocidade dessas células depende de seu pH interno. Quanto mais íons de hidrogênio estiverem presentes neles, menor será a movimentação do flagelo. E o nível de acidez externa influencia a quantidade de íons dentro do gameta. Quanto mais ácido (pH baixo) maior a quantidade de prótons no meio intracelular e, portanto, menos movimentação haverá.

No epidídimo, o pH ácido faz com que os gametas fiquem pouco ativos. Já na prostata, eles entram no liquido seminal, que é alcalino, aumentando sua atividade. E quando ocorre a ejaculação no aparelho reprodutor feminino, os milhões de espermatozóides encontram um lugar com pH ainda mais alto. Normalmente o pH vaginal se encontra em torno de 3,5 e 4,2; devido às bactérias anaeróbicas que produzem ácido lático atravez da fermentação. Portanto, esse deveria ser um meio inóspito para as células reprodutivas masculinas. Porém, quando a mulher está em seu período fértil, ela produz um muco que deixa o pH da vagina básico.

A alcalinidade aumenta ainda mais quando eles estão próximos ao óvulo, ficando ainda mais rápidos. Além de mais alcalino, a região próxima ao óvulo tem baixas concentrações de zinco e altas concentrações de anandamida, que estimulam a abertura de canais na cauda do espermatozóides, chamadas Hv1; por onde saem os íons de hidrogênio. Essa bomba de prótons, funciona comoa troca de marcha de um carro, dando velocidade e ajudando-o a penetrar no óvulo. Alguns problemas de fertilidade podem estar no funcionamento anormal desse processo. A descoberta abre caminho para uma cura.

Os biólogos também encontraram relação entre os endocanabinóides e o movimeto dos espermatozóides. A substância está presente no sistema reprodutivo dos dois sexos e também aumentaria sua velocidade. O consumo da maconha, que possui os canabinóides, levaia a uma quantidade anormal da substancia no organismo e faria os gametas se esgotarem antes de chegar ao óvulo, reforçando a sua relação com a infertilidade.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Textos na gaveta

Muitas vezes, os estudos e outras atividades tomam todo o tempo disponível e você é obrigado a deixar algumas coisas de lado. A agenda ocupada é o motivo de eu não publicar textos com muita frequencia. No arquivo do Evolução e biologia existem vários textos imcompletos que eu não tive tempo de terminar. baixo, vão dois deles que eu publiquei atrasado.

O bicentenário de Charles Darwin. Texto especial, pela ocasião dos 200 anos de nascimento do naturalista inglês e dos 150 anos da teoria da evolução pela seleção natural.









Peixe olhos-de-barril. Texto sobre a descoberta feita pelo MBARI sobre essa espécie de peixe abissal, que revelou muita coisa desconhecida sobre sua morfologia e hábitos.






terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A Evolução das Toutinegras

POR EDUARDO REAL



São diversos os impactos ambientais causados pelas atividades humanas. Mas cientistas britânicos observaram um caso peculiar. A vários anos, os ingleses começaram com o hábito de instalar comedouros para pássaros em seus jardins, para enfeitá-los com a presença deles. O costume se popularizou com o tempo, tanto que causou certas conseqüências as populações das aves.

As toutinegras de barrete preto (Sylvia atricapilla), migravam durante o inverno para Espanha, onde se alimentavam de frutos. Porém, uma parte delas, agora passa a estação no sul da Inglaterra. As que se deslocavam mais para o norte, acabavam pousando por lá, mas o alimento era escasso e não permaneciam. Agora com os alimentadores elas ficam por ali mesmo.

Análises de alguns exemplares, mostra que os comedouros podem estar causando uma especiação. Foram notadas diferenças na plumagem, no bico e nas asas. Como a viagem agora é mais curta, essas toutinegras apresentam asas mais arredondadas e os bicos ficaram mais longos para poderem alcançar melhor as sementes. Todas essas modificações aconteceram no intervalo de 50 anos.

Não é o primeiro caso de seleção natural influenciada por nós. O aumento do número de elefantes com presas menores e a diminuição do tamanho médio dos peixes de valor comercial, são alguns exemplos. Causados pela caça pelo marfim e pela pesca em larga escala. O que os diferencia das toutinegras é que o impacto sobre as aves não foi negativo. As ilhas britânicas ficam mais próximas de seus locais de nidificação e os pássaros que vão para lá, não precisam se arriscar sobre os Alpes. Toda essa influencia antrópica resultou em vantagem adaptativa.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Homem de Piltdown

POR EDUARDO REAL

Em 1912, o arqueólogo e geólogo amador Charles Dawson alegou a descoberta de fósseis humanos, na pedreira de Piltdown, Sussex, Inglaterra. O achado consistia em uma mandíbula e a calota craniana, próximos um do outro. A reconstituição mostrou um hominídeo com caixa craniana de tamanho semelhante ao nosso e uma mandíbula robusta com dentes semelhante a de símios. Com a colaboração de Arthur Woodward e Pierre Teilhard, a nova espécie foi anunciada no mesmo ano e recebeu o nome científico de Eoanthropus dawsoni.

O hominídeo descoberto por Dawson, não era o primeiro. Em 1856 - três anos antes da publicação de A Origem das Espécies - encontraram o homem de neandertal. O hominídeo mais próximo de nós. E em 1891, Eugéne Dubois, encontrou o Homo Erectus. O primeiro ancestral direto da linhagem humana.

E então veio o achado de 1912, que foi apresentado como um ancestral humano. Os fósseis até então encontrados possuíam cérebro bem evoluído e mandíbula e dentes diminuídos. Já o exemplar de Dawson, possuia cérebro grande e uma mandíbula primitiva.

Por esse motivo, levantaram a hipótese que o homem de Piltdown era um ancestral mais antigo e suas características pareciam comprovar a hipótese - muito popular entre os cientistas britânicos - de que o cérebro teria evoluído antes da dieta onívora. Calcularam que ele viveu por volta de 500.000 anos atras. O que não veio desacompanhado de certo ceticismo.

Já em 1915, o paleontólogo francês Marcellin Boule concluiu que a mandíbula era de um macaco. Da mesma forma que o zoólogo americano Gerrit Smith Miller. E em 1923, Franz Weidenreich analisou os moldes e concluiu que era o crânio de um humano moderno e uma mandíbula de orangotango.

Porém, no mesmo ano, Dawson anunciou ter descoberto um segundo crânio; também em Piltdown, mas em lugar não revelado. O segundo espécime calou boa parte das críticas e afastou a suspeita de engano. Dawson morreria em 1916, vítima de septicemia. E nenhum outro exemplar seria achado. Em 1920, Teilhard publicou importante artigo sobre o tema.

Mas o castelo de cartas começou a cair lentamente. Em 1920, paleontólogos descobriram os ossos do Australopithecus afarensis. Em 1929, foi a vez do homem de Pequim e em 1934 a do Homo rudolphensis. Assim como outros australopitecus e membros do gênero Homo e foi possível montar a árvore genealógica humana. Ficando claro que o cérebro e a dieta onívora evoluíram conjuntamente. O homem de Piltdown não se encaixava na linhagem. Sua anatomia era totalmente anacrônica. O fóssil perdeu importância e na década de 40 nem era mais listado na descendência do homem.

E em 1953, Page Kenneth Oakley, Sir Wilfrid Edward Le Gross Clark e Joseph Weiner constataram a fraude. Tratava-se de um crânio humano, uma mandíbula de um orangotango e os dentes de um chimpanzé. A datação com isótopos de fluor, revelou que o cranio humano datava da idade média e os ossos de macaco mais recentes. Os ossos foram banhados em uma solução de óxido férrico e ácido crômico para ficarem com o aspecto envelhecido. E os dentes tiveram seus tamanhos reduzidos com o uso de um abrasivo.

O principal suspeito de ser o autor da fraude é Dawson, que anunciou a descoberta dos dois exemplares. Um levantamento de seu acervo pessoal identificou 38 itens que são fraudes evidentes. Sua motivações seriam o ganho de notoriedade e uma bolsa na Real Society. Mas a identidade do falsário até hoje é um mistério e mesmo que fosse o autor existem suspeitas de que ele teria colaboradores. Como Pierre Teilhard, Arthur Woodward e Sir Arthur Keith, também apontado como cumplices ou autores.

Criacionistas frequentemente citam o homem de Piltdown como uma armação feita pelos cientistas para provar que a teoria de Darwin está certa. Ou ainda para levantar suspeitas sobre os demais hominídeos fósseis. Porém, analisando a cronologia dos fatos e o contexto é possível entender os motivos da farsa ter durado mais de quarenta anos.

Quando a espécie foi anunciada, poucos hominídeos haviam sido descobertos e o conhecimento sobre sua evolução era escasso. E as caracteristicas do achado pareciam confirmar a teoria vigente de que a alimentação atual evoluiu depois do cérebro. Também a técnica de datação pelo flúor só foi desenvolvida anos depois. O nacionalismo pode ter influenciado a aceitação do fóssil pelos cientistas britânicos. Já haviam encontrado hominídeos fósseis na Alemanha e na França, mas não na Inglaterra. Isso explicaria o fato de os primeiros críticos serem de outras nações.

É muito mais provável que a criação e longa duração do embuste, tenha sido motivada mais por ambições pessoais e pela falta de conhecimento da época. Hoje em dia, seria muito difícil que algo assim durasse tanto tempo, com os recursos tecnológicos disponíveis para a investigação atualmente. A ciência com sua continua revisão garante que as fraudes sejam descobertas e se chegue mais próximo da realidade.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mais um pterossauro

O Brasil já conta com uma verdadeira coleção de espécies de pterossauros, rica em quantidade e variedade. Paleontólogos identificaram mais uma espécie de réptil voador que viveu em nosso país.

O Tupuxuara deliradamus, de 4,5 metros de invergadura e de 100 milhões de anos de idade. Seu nome científico foi dado por causa do formato da fenestra nasorbital, localizadano crânio e que possui formato de diamante.

A característica mais marcante é a crista localizada no topo de sua cabeça e que segundo o paleontólogo Mark Witton servia apenas para indicar dimorfismo sexual. O que contrária a hipotese formulada pelo paleontólogo brasileiro Alexander Kellner, de que a crista serviria para resfriar o corpo do animal, tal qual o radiador de um carro.

Mas, Witton firma que os vestígios de vasos sanguíneos são muito superficiais e dessa forma não poderia exercer essa função. Argumenta ainda que em outros tupuxuaras, a crista só é encontrada desenvolvida em indivíduos adultos o que reforçaria a sua tese.

A descoberta causou rebuliço não só pelo conteúdo científico, mas também pelo fato do fóssil brasileiro ter sido estudado e descrito em uma universidade do exterior. A venda de fósseis é proibida por lei e existe suspeita de contrabando para o exterior.

sábado, 3 de outubro de 2009

Peixe descoberto no litoral brasileiro

POR EDUARDO REAL

Os pesquisadores do projeto TAMAR tiveram uma surpresa ao achar um peixe desconhecido; fisgado em anzóis circulares que não oferecem risco para as tartarugas-marinhas e que estavam sendo testados.
Ele estava a 1000 metros de profundidade e foi filmado e capturado pelos técnicos que então analisaram esse peixe diferente. Não possuía escamas, tinha olhos pequenos e dentes diminutos. Sua carne possui uma grande quantidade de gordura, o que dá a ele uma consistência gelatinosa. O espécime pesava quarenta quilos e media um metro e oitenta e três.

Não existe registro da espécie na literatura científica, o que faz do encontro casual com o peixe algo especial. Calcula-se que existam cerca de 150 espécies de peixe ainda desconhecidas no litoral brasileiro. O exemplar capturado é de um peixe abissal, zona do mar ainda pouco estudada no Brasil. Vamos aguardar qual nome será dado ao nosso amigo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O perigo da Medicina Tradicional Chinesa

POR EDUARDO REAL

A medicina tradicional é predominante em países ocidentais e suas práticas são bem conhecidas pela população. Contudo, não são as únicas práticas de saúde. Existindo métodos conhecidos genéricamente como terapias alternativas. Entre elas está a medicina tradicional chinesa. Rara no Ocidente, porém comum no leste asiático.

Possuí diversos tipos de tratamentos, como a acupuntura. Porém, o texto focará medicamentos a base de produtos animais, oriundos da fitoterapia.

Sua origem é muito anterior a era cristã, surgindo por volta de 2200 anos a. c. E seu princípio de funcionamento está estritamente relacionado á filosofia presente no Taoismo e conceitos espirituais orientais. O indivíduo é visto como um sistema integrado entre a mente e o corpo que trabalha para para manter o funcionamento normal. Esse é o princípio do ying e yang e é o desequilíbrio entre eles que causaria as doenças e certos componentes ajudariam a reestabelecer o equilíbrio.

A MTC possui uma grande lista de ingredientes de origem animal. Um tigre, após morto, tem seu corpo desmontado em vários compostos aos quais são atribuídos as mais variadas funções: seu pênis embebido em álcool seria um potente afrodisíaco, seus ossos curariam artrite, seus bigodes seria trataria dor de dente, a fumaça de seus pêlos queimados afastariam centopéias e seu focinho pendurado sobre o leito matrimonial aumentaria as chances de ter um filho do sexo masculino. Chifres de rinoceronte curariam febres e convulsões. Chifre de veado também trataria artrite.

E por certos ingrediente serem retirados de espécie ameaçadas de extinção, os impactos dessa prática preocupam muito. De 2004 para cá a população de tigres na natureza caiu de 4600 para 2000 animais. Deixando o grande felino ainda mais próximo da extinção. O rinoceronte-indiano (Rhinoceros unicornis) também corre risco; com a procura por seus chifres o número de indivíduos encolheu. O já criticamente ameaçado rinoceronte-de-Sumatra (Dicerorhinus sumatrensis), que conta com apenas 300 indivíduos em liberdade, tem a pressão dos caçadores aumentada. As espécies africanas também não estão a salvo. E mais chocante, é o fato de não existirem evidências de que tais fármacos possuam qualquer efeito. Sendo a eficácia alegada, fruto de conceitos religiosos e místicos ou da mera simbologia entre as características do animal e supostos benefícios e não de um estudo científico controlado. E mesmo que fossem efetivos contra diversas doenças, existem diversos fármacos da medicina científica que possuem ação comprovada e que não tem por conseqüência tais impactos ambientais.

Outra amostra é vista nos mares; motivada pela sopa de barbatana de tubarão. Bem conhecida no Leste Asiático, e tida como um tônico contra uma série de males, considerada afrodisiaca por alguns. Também é um prato de elite, servido em banquetes e festas de casamento. Com o crescimento econômico asiático, a nascente classe média a consome cada vez mais, como um símblo de ostentação. Uma tigela de sopa custa cerca de 100 dólares.

Para conseguí-la, é realizada a pesca do tubarão, ou finning, em que o seláquio é capturado e tem as nadadeiras cortadas. Porém, a carcaça não possui valor econômico e é jogada ao mar, onde sem ter como se locomover o tubarão morre de fome ou é devorado por peixes menores. Não existe controle de peso e idade e analisando as barbatanas e quase impossível distinguir as espécies. As mais raras - como o tubarão-baleia - chegam a custar 10.000 a 20.000 dólares.


100 milhões de toneladas de tubarões são pescadas por ano. Mas estima-se que a quantidade possa ser mais que o dobro. O enorme consumo é sustentado por pescadores de todos os mares. Incluindo os da costa brasileira Nem reservas marinhas - como as Ilhas Cocos, onde existe a maior concentração de tubarão do planeta - são respeitados.

As populações de um predador que é vital para o ecossistema marinho estão encolhendo drásticamente, a ponto de serem considerados criticamente ameaçados.

O governo chinês já fez medidas para inibir a matança. Proibiu o comércio de remédios que contnham partes de tigres e pune quem caçar um deles com a pena de morte. Com isso, ossos, garras e outros órgãos sumiram das lojas medicinais chinesas. E fármacos que eram feitos de animais em risco estão sendo substituidos pelos que são feitos de animais domésticos. Outra opção , é criá-los para o aproveitamento farmaceutico. O que já é aplicado para a extração de bile-de-urso. Antes caçadores os procuravam antes do inverno, os capturavam e arrancavam a vesícula. As fazendas de urso se tornaram mais viáveis que a caça. Nelas, instalam um catéter, por onde a bile é tirada. Contudo, a IUCN denuncia diversos maus-tratos. Mesmo essas medidas apesar de terem seu mérito, mas são inda insuficients para conter a devastação causada. A Medicina Tradicional Chinesa mostra que a pseudociência e obscurantismo podem causar danos não apenas ao homem, mas também para o meio ambiente.

REFERENCIAS:

http://en.wikipedia.org/

http://pt.wikipedia.org/

http://news.nationalgeographic.com/

http://news.bbc.co.uk/

http://edition.cnn.com/

http://skepticblog.org/2008/11/09/tcm-ii/

http://saude.hsw.uol.com.br/medicina-chinesa.htm