Peixe olhos-de-barril. Texto sobre a descoberta feita pelo MBARI sobre essa espécie de peixe abissal, que revelou muita coisa desconhecida sobre sua morfologia e hábitos.terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Textos na gaveta
Peixe olhos-de-barril. Texto sobre a descoberta feita pelo MBARI sobre essa espécie de peixe abissal, que revelou muita coisa desconhecida sobre sua morfologia e hábitos.terça-feira, 22 de dezembro de 2009
A Evolução das Toutinegras
POR EDUARDO REALSão diversos os impactos ambientais causados pelas atividades humanas. Mas cientistas britânicos observaram um caso peculiar. A vários anos, os ingleses começaram com o hábito de instalar comedouros para pássaros em seus jardins, para enfeitá-los com a presença deles. O costume se popularizou com o tempo, tanto que causou certas conseqüências as populações das aves.
As toutinegras de barrete preto (Sylvia atricapilla), migravam durante o inverno para Espanha, onde se alimentavam de frutos. Porém, uma parte delas, agora passa a estação no sul da Inglaterra. As que se deslocavam mais para o norte, acabavam pousando por lá, mas o alimento era escasso e não permaneciam. Agora com os alimentadores elas ficam por ali mesmo.
que os diferencia das toutinegras é que o impacto sobre as aves não foi negativo. As ilhas britânicas ficam mais próximas de seus locais de nidificação e os pássaros que vão para lá, não precisam se arriscar sobre os Alpes. Toda essa influencia antrópica resultou em vantagem adaptativa.sexta-feira, 27 de novembro de 2009
O Homem de Piltdown
POR EDUARDO REALMas o castelo de cartas começou a cair lentamente. Em 1920, paleontólogos descobriram os ossos do Australopithecus afarensis. Em 1929, foi a vez do homem de Pequim e em 1934 a do Homo rudolphensis. Assim como outros australopitecus e membros do gênero Homo e foi possível montar a árvore genealógica humana. Ficando claro que o cérebro e a dieta onívora evoluíram conjuntamente. O homem de Piltdown não se encaixava na linhagem. Sua anatomia era totalmente anacrônica. O fóssil perdeu importância e na década de 40 nem era mais listado na descendência do homem.
E em 1953, Page Kenneth Oakley, Sir Wilfrid Edward Le Gross Clark e Joseph Weiner constataram a fraude. Tratava-se de um crânio humano, uma mandíbula de um orangotango e os dentes de um chimpanzé. A datação com isótopos de fluor, revelou que o cranio humano datava da idade média e os ossos de macaco mais recentes. Os ossos foram banhados em uma solução de óxido férrico e ácido crômico para ficarem com o aspecto envelhecido. E os dentes tiveram seus tamanhos reduzidos com o uso de um abrasivo.
O principal suspeito de ser o autor da fraude é Dawson, que anunciou a descoberta dos dois exemplares. Um levantamento de seu acervo pessoal identificou 38 itens que são fraudes evidentes. Sua motivações seriam o ganho de notoriedade e uma bolsa na Real Society. Mas a identidade do falsário até hoje é um mistério e mesmo que fosse o autor existem suspeitas de que ele teria colaboradores. Como Pierre Teilhard, Arthur Woodward e Sir Arthur Keith, também apontado como cumplices ou autores.
Criacionistas frequentemente citam o homem de Piltdown como uma armação feita pelos cientistas para provar que a teoria de Darwin está certa. Ou ainda para levantar suspeitas sobre os demais hominídeos fósseis. Porém, analisando a cronologia dos fatos e o contexto é possível entender os motivos da farsa ter durado mais de quarenta anos.
Quando a espécie foi anunciada, poucos hominídeos haviam sido descobertos e o conhecimento sobre sua evolução era escasso. E as caracteristicas do achado pareciam confirmar a teoria vigente de que a alimentação atual evoluiu depois do cérebro. Também a técnica de datação pelo flúor só foi desenvolvida anos depois. O nacionalismo pode ter influenciado a aceitação do fóssil pelos cientistas britânicos. Já haviam encontrado hominídeos fósseis na Alemanha e na França, mas não na Inglaterra. Isso explicaria o fato de os primeiros críticos serem de outras nações.
É muito mais provável que a criação e longa duração do embuste, tenha sido motivada mais por ambições pessoais e pela falta de conhecimento da época. Hoje em dia, seria muito difícil que algo assim durasse tanto tempo, com os recursos tecnológicos disponíveis para a investigação atualmente. A ciência com sua continua revisão garante que as fraudes sejam descobertas e se chegue mais próximo da realidade.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Mais um pterossauro
O Brasil já conta com uma verdadeira coleção de espécies de pterossauros, rica em quantidade e variedade. Paleontólogos identificaram mais uma espécie de réptil voador que viveu em nosso país.O Tupuxuara deliradamus, de 4,5 metros de invergadura e de 100 milhões de anos de idade. Seu nome científico foi dado por causa do formato da fenestra nasorbital, localizadano crânio e que possui formato de diamante.
A característica mais marcante é a crista localizada no topo de sua cabeça e que segundo o paleontólogo Mark Witton servia apenas para indicar dimorfismo sexual. O que contrária a hipotese formulada pelo paleontólogo brasileiro Alexander Kellner, de que a crista serviria para resfriar o corpo do animal, tal qual o radiador de um carro.
Mas, Witton firma que os vestígios de vasos sanguíneos são muito superficiais e dessa forma não poderia exercer essa função. Argumenta ainda que em outros tupuxuaras, a crista só é encontrada desenvolvida em indivíduos adultos o que reforçaria a sua tese.
A descoberta causou rebuliço não só pelo conteúdo científico, mas também pelo fato do fóssil brasileiro ter sido estudado e descrito em uma universidade do exterior. A venda de fósseis é proibida por lei e existe suspeita de contrabando para o exterior.
sábado, 3 de outubro de 2009
Peixe descoberto no litoral brasileiro
POR EDUARDO REALOs pesquisadores do projeto TAMAR tiveram uma surpresa ao achar um peixe desconhecido; fisgado em anzóis circulares que não oferecem risco para as tartarugas-marinhas e que estavam sendo testados.
Ele estava a 1000 metros de profundidade e foi filmado e capturado pelos técnicos que então analisaram esse peixe diferente. Não possuía escamas, tinha olhos pequenos e dentes diminutos. Sua carne possui uma grande quantidade de gordura, o que dá a ele uma consistência gelatinosa. O espécime pesava quarenta quilos e media um metro e oitenta e três.
Não existe registro da espécie na literatura científica, o que faz do encontro casual com o peixe algo especial. Calcula-se que existam cerca de 150 espécies de peixe ainda desconhecidas no litoral brasileiro. O exemplar capturado é de um peixe abissal, zona do mar ainda pouco estudada no Brasil. Vamos aguardar qual nome será dado ao nosso amigo.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O perigo da Medicina Tradicional Chinesa
POR EDUARDO REALA medicina tradicional é predominante em países ocidentais e suas práticas são bem conhecidas pela população. Contudo, não são as únicas práticas de saúde. Existindo métodos conhecidos genéricamente como terapias alternativas. Entre elas está a medicina tradicional chinesa. Rara no Ocidente, porém comum no leste asiático.
Possuí diversos tipos de tratamentos, como a acupuntura. Porém, o texto focará medicamentos a base de produtos animais, oriundos da fitoterapia.
Sua origem é muito anterior a era cristã, surgindo por volta de 2200 anos a. c. E seu princípio de funcionamento está estritamente relacionado á filosofia presente no Taoismo e conceitos espirituais orientais. O indivíduo é visto como um sistema integrado entre a mente e o corpo que trabalha para para manter o funcionamento normal. Esse é o princípio do ying e yang e é o desequilíbrio entre eles que causaria as doenças e certos componentes ajudariam a reestabelecer o equilíbrio.
A MTC possui uma grande lista de ingredientes de origem animal. Um tigre, após morto, tem seu corpo desmontado em vários compostos aos quais são atribuídos as mais variadas funções: seu pênis embebido em álcool seria um potente afrodisíaco, seus ossos curariam artrite, seus bigodes seria trataria dor de dente, a fumaça de seus pêlos queimados afastariam centopéias e seu focinho pendurado sobre o leito matrimonial aumentaria as chances de ter um filho do sexo masculino. Chifres de rinoceronte curariam febres e convulsões. Chifre de veado também trataria artrite.
E por certos ingrediente serem retirados de espécie ameaçadas de extinção, os impactos dessa prática preocupam muito. De 2004 para cá a população de tigres na natureza caiu de 4600 para 2000 animais. Deixando o grande felino ainda mais próximo da extinção. O rinoceronte-indiano (Rhinoceros unicornis) também corre risco; com a procura por seus chifres o número de indivíduos encolheu. O já criticamente ameaçado rinoceronte-de-Sumatra (Dicerorhinus sumatrensis), que conta com apenas 300 indivíduos em liberdade, tem a pressão dos caçadores aumentada. As espécies africanas também não estão a salvo. E mais chocante, é o fato de não existirem
evidências de que tais fármacos possuam qualquer efeito. Sendo a eficácia alegada, fruto de conceitos religiosos e místicos ou da mera simbologia entre as características do animal e supostos benefícios e não de um estudo científico controlado. E mesmo que fossem efetivos contra diversas doenças, existem diversos fármacos da medicina científica que possuem ação comprovada e que não tem por conseqüência tais impactos ambientais.
Outra amostra é vista nos mares; motivada pela sopa de barbatana de tubarão. Bem conhecida no Leste Asiático, e tida como um tônico contra uma série de males, considerada afrodisiaca por alguns. Também é um prato de elite, servido em banquetes e festas de casamento. Com o crescimento econômico asiático, a nascente classe média a consome cada vez mais, como um símblo de ostentação. Uma tigela de sopa custa cerca de 100 dólares.
Para conseguí-la, é realizada a pesca do tubarão, ou finning, em que o seláquio é capturado e tem as nadadeiras cortadas. Porém, a carcaça não possui valor econômico e é jogada ao mar, onde sem ter como se locomover o tubarão morre de fome ou é devorado por peixes menores. Não existe controle de peso e idade e analisando as barbatanas e quase impossível distinguir as espécies. As mais raras - como o tubarão-baleia - chegam a custar 10.000 a 20.000 dólares.

100 milhões de toneladas de tubarões são pescadas por ano. Mas estima-se que a quantidade possa ser mais que o dobro. O enorme consumo é sustentado por pescadores de todos os mares. Incluindo os da costa brasileira Nem reservas marinhas - como as Ilhas Cocos, onde existe a maior concentração de tubarão do planeta - são respeitados.
As populações de um predador que é vital para o ecossistema marinho estão encolhendo drásticamente, a ponto de serem considerados criticamente ameaçados.
O governo chinês já fez medidas para inibir a matança. Proibiu o comércio de remédios que contnham partes de tigres e pune quem caçar um deles com a pena de morte. Com isso, ossos, garras e outros órgãos sumiram das lojas medicinais chinesas. E fármacos que eram feitos de animais em risco estão sendo substituidos pelos que são feitos de animais domésticos. Outra opção , é criá-los para o aproveitamento farmaceutico. O que já é aplicado para a extração de bile-de-urso. Antes caçadores os procuravam antes do inverno, os capturavam e arrancavam a vesícula. As fazendas de urso se tornaram mais viáveis que a caça. Nelas, instalam um catéter, por onde a bile é tirada. Contudo, a IUCN denuncia diversos maus-tratos. Mesmo essas medidas apesar de terem seu mérito, mas são inda insuficients para conter a devastação causada. A Medicina Tradicional Chinesa mostra que a pseudociência e obscurantismo podem causar danos não apenas ao homem, mas também para o meio ambiente.
REFERENCIAS:
http://news.nationalgeographic.com/
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Foja
Duas expedições realizadas em 2005 e 2007 foram até as montanhas de Foja, no oeste da Nova Guiné. Uma região de 1 milhão de hectares, sendo a maior floresta tropical preservada da Ásia e uma das florestas mais inexploradas do mundo.A primeira expedição, realizada em dezembro de 2005, foi feita por uma equipe multidisciplinar, com cientistas norte-americanos, australianos e indonésios. Lá eles solucionaram um grande quebra-cabeça: a localização da ave-do-paraiso de Berlepsch (Parotia berlepsch). A ave foi descrita no século 19, com base em espécimes coletados por caçadores nativos e somente agora foi registrada em fotografia. Também foram encontrados ali monotremados (mamíferos que botam ovos) e marsupiais como o canguru de árvore (Dendrolagus pulcherimus), que só havia sido registrado no território vizinho de Papua Nov
a Guiné e que era considerado extinto. Eles são raros ou quase inexistentes em outras partes da ilha, mas são abundantes em Foja devido a ausência de caça.A expedição ainda descobriu várias espécies novas. Como uma ave-do-mel de penugem preta e face alaranjada que foi batizada de (Melipotes carolae), 20 anfíbios (entre eles, uma rã de 14 milímetros), quatro borboletas, cinco palmeiras e uma espécie de rododendro branco – também conhecida como azaléia – de 15 cm de largura, podendo ser a maior flor do gênero.
Ao retornarem em 2007, as surpresas não foram menores. Com a descoberta de um rato gigante de 1,4 kg (Mallomys sp.) e uma espécie de gambá pigmeu (Cercartetus sp.), o menor marsupial do mundo. Foja mostra que ainda hoje é possível encontrar lugares com a biodiversidade original preservada e os seres vivos encontrados façam com que o lugar mereça ser chamado de paraíso perdido. Ainda evoca a época dos naturalistas viajantes como Charles Darwin e Alfred Wallace que viajaram pelo mundo quando a biologia ainda estava nascendo.
