quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

SELO DE QUALIDADE

O Evolução e biologia recebeu um selo de qualidade, presente dado por Diego Marques e Ravick Bittencourt do ótimo blog Os Amorais!



Assim, seguindo as regras que o acompanham, repassamos a três blogs merecedores do prêmio:

O Dragão da Garagem: blog sobre ceticismo e pensamento crítico. Faz uma análise cética sobre Religiões, pseudociencias e pensamento new age e divulga a ciência. De autoria de Alexandre Taschetto e Widson Porto Reis, o título faz uma referencia a um texto clássico de Carl Sagan.

Biofácil: Como o próprio nome diz, o blog biofácil trata sobre biologia de uma forma simples de entender, possuindo ótimo conteúdo e uma videoteca com bons videos.

O Surfista Platinado : Blog que narra as aventuras do Surfista Platinado, um herói intergalático que conta as historias do cotidiano de uma forma bem humorada e em clima de uma conversa de barzinho. Com a participação de Papai Smurf e do homem mais fort do universo!

Agora, seguindo as recomendações postadas lá no Amorais, seguem as REGRAS (não fui eu que as inventei, apenas as estou seguindo) para quem recebe um selo:

> Fazer um post com a imagem do selo e postar o link de quem te presenteou.

> Se quiser pode repassá-lo. Neste caso deve:

>Postar os links dos blogs escolhidos para recebê-lo e avisar esses blogs.

>Postar as regras para que os outros também saibam o que fazer depois que receber.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A ilha de Páscoa


A ilha de Páscoa está localizada no sul do Pacífico, em um local esquecido no meio do mar. É o lugar mais isolado da Terra, estando a quase 2000 km das Ilhas Pitcairn e a 3200 km do Chile.

Foi avistada pelos europeus em um domingo de Páscoa, em 1722, pelo holandês Jacob Roggeveen. Avistando um lugar nada atrativo, ao contrário da maioria das ilhas daquela parte do mundo, o terreno não tinha grandes árvores e a grama era tão seca que, a distância, parecia areia. Foram recebidos por uma comitiva de nativos em canoas frágeis e ao desembarcar ficaram surpreendidos com os grandes moais, as gigantescas estátuas de pedra esculpida na forma de rostos humanos, espalhadas pelo litoral, como se vigiassem o alto-mar. Roggeveen e seus homens ficaram muito espantados, pois não compreendiam como os nativos que não dispunham de cordas fortes e madeira adequada para fazerem maquinas conseguiram erguer aqueles gigantes de mais de 10 metros de altura.

No interior da ilha, dentro da cratera de um vulcão extinto, onde as estátuas eram esculpidas, o ambiente era fantasmagórico. As ferramentas dos escultores espalhadas pelo chão, estátuas inacabadas e outras largadas para trás pela estrada que leva ao litoral, davam a impressão de que o lugar havia sido abandonado.

Ainda hoje, a ilha é cercada por uma nuvem de mistério, como as gigantescas figuras de pedra foram levadas da montanha até o mar desperta a curiosidade. Inspirando as explicações das mais incomuns como a de que extraterrestres levaram os moais até os seus locais de repouso. Versão que foi popularizada pelo livro “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich von Däniken. A chave do mistério é revelada ao voltarmos à época da chegada dos primeiros polinésios, a cerca de 1400 anos. Vindos do oeste, os rapanui encontraram um pequeno paraíso. Eram 166 quilômetros quadrados cobertos por uma densa floresta subtropical que crescia sobre o fértil solo de origem vulcânica. Entre a vegetação nativa, a planta que mais se destacava era a Paschalococos disperta uma espécie de palmeira alta e robusta endêmica do local. Tinha madeira forte o suficiente para permitir a construção de embarcações e para o transporte dos moais e fornecia nozes para a alimentação.

A fauna local permitia uma dieta muito rica para os moradores. Carne de golfinho, de foca e de 25 tipos de aves selvagens que eram assados com a lenha retirada da floresta. É o que mostram escavações arqueológicas em antigos sítios ocupados, graças a essa biodiversidade o número de habitantes aumentou bastante.

Boa parte dos recursos locais eram gastos na intensa produção e no transporte de estátuas. Para movê-las dezenas de pessoas utilizavam cordas e uma espécie de trenó feito de palmeiras arrastavam os moais por 14 quilômetros até o litoral. A partir de 1200, a produção entrou em um ritmo mais acelerado e que durou pelos próximos 300 anos, sendo preciso cada vez mais madeira, cordas e alimentos. Por volta de 1400, a floresta já não existia e a última palmeira foi cortada, extinta junto com outras 21 espécies de plantas nativas. Assim, não havia mais madeira e cordas para o transporte de moais e nem troncos resistentes para a construção de barcos para a pesca em alto-mar, assim a pesca diminuiu. As colheitas também foram prejudicadas com o desmatamento e com o habitat devastado todas as espécies de aves foram extintas.

Todos esses fatores causaram uma grave falta de alimentos e o número de habitantes foi reduzido a um décimo dos 20 mil que habitaram a ilha no seu auge. E sem comida, os rapanui apelaram para o canibalismo. Em vez de ossos de pássaros ou de golfinhos, passou-se a encontrar ossos humanos nas escavações de moradias desse período. Muitos deles foram quebrados para se extrair o tutano.

O ecocídio cometido pelos nativos serve como exemplo do que pode acontecer quando o meio ambiente é explorado até o limite e o seu equilíbrio é afetado, a civilização que depende de seus recursos é levada ao colapso. E serve de lição para nossa geração, que vê as conseqüências do crescimento econômico aumentarem cada vez mais. Esse é um tipo de tragédia que ocorreu naquela pequena ilha e que tem os moais como únicas testemunhas.

Referências:

Wikipédia
Revista SUPERINTERESSANTE

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Encontrado nos EUA elo perdido na evolução das rãs


Adicionar imagemFóssil de animal que viveu no Texas há milhares de anos comprova ligação entre rãs e salamandras


MADRI - O fóssil de um anfíbio que viveu há milhões de anos no Texas, Estados Unidos, é o elo perdido que demonstra que as rãs e as salamandras descendem dos temnospôndilos, uma espécie extinta, segundo um estudo da Universidade de Calgary, do Canadá.

O exame e a descrição detalhada do fóssil do Gerobatrachus hottoni (rã maior de Hotton) colocam fim à principal polêmica sobre a evolução dos vertebrados, que se devia à falta de informação sobre formas de transição conhecidas.

"Este fóssil preenche esse vazio", diz Jason Anderson, professor da Faculdade de Veterinária da Universidade de Calgary e autor principal do estudo, publicado na última edição da revista científica britânica Nature.

Anderson qualificou de "agridoce" a coincidência da descoberta com o "Ano dos Rãs", convocado em 2008 pelos conservacionistas para alertar o mundo sobre desaparecimento de muitas espécies de rãs e outros anfíbios.

Calcula-se que nas últimas décadas podem ter desaparecido 130 espécies devido à mudança climática, à poluição e aos efeitos mortais de um fungo quitrídio, que se alimenta da queratina da pele das rãs.

O fóssil, descoberto em 1995 no Texas, mas recuperado recentemente pela equipe de Anderson, tem a forma arcaica de um temnospôndilo, mas também traços das salamandras, rãs e sapos atuais. Isso permite compreender melhor a origem e a evolução dos anfíbios modernos.

Seu crânio, sua coluna e seus dentes mostram uma mistura de traços de rã - a larga forma do crânio - e salamandra - a fusão de dois ossos no tornozelo -, afirma o estudo.

O número de vértebras do fóssil é exatamente um intermediário entre a coluna das modernas rãs e salamandras e os anfíbios mais primitivos.

O fóssil, que data do período Permiano, há cerca de 250 milhões de anos e antes do aparecimento dos dinossauros, também esclarece outra controvérsia relativa à época na qual ambas as espécies evoluíram em dois grupos diferentes, assinala o estudo.

Com estes novos dados, tudo parece indicar que "as rãs e salamandras se separaram em algum momento há entre 240 e 275 milhões de anos, ou seja, muito antes do que sugeriam anteriores dados moleculares", segundo o co-autor do estudo, Robert Reisz, professor da Universidade de Toronto Mississauga.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Quagga


O Quagga (Equus quagga quagga) é uma subespécie extinta de zebra encontrada em grande número na Província do Cabo, na África do Sul e na parte sul do Estado Livre do Orange. O quagga era distinto das outras zebras pelo padrão de sua pelagem, com listras apenas na parte anterior do corpo, enquanto o costado tinha cor castanha e pernas brancas.. No início o quagga foi considerado uma espécie distinta, recebendo o nome científico de Equus quagga, posteriormente descobriu-se que era uma subespécie de zebra-da-planicie (Equus quagga burchelli).

Sua extinção ocorreu após a chegada dos colonos Boer. O quagga era caçado porque disputava as melhores áreas de pastagem com o gado, por sua carne e por sua pele de aparência exótica; se tornando um valioso troféu de caça. Levando a uma matança acelerada. O último exemplar foi caçado em 1878 e o último quagga morreu em 1883, no jardim zoológico de Amsterdã. Além de peles, existem 23 espécimes empalhados, com um vigésimo quarto destruído em Königsberg, na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial.

O quagga foi o primeiro ser extinto a ter o DNA estudado. A analise do DNA mitocondrial sugere que se separou das outras zebras a 120.000 e 290.000 anos atrás. Desde 1987, surgiu o “Projeto Quagga” que tem como objetivo recriar a subespécie através de cruzamentos entre espécimes de zebra-da-planície que apresentam traços semelhantes com o quagga, desde então vem criando zebras que têm padrões de listras muito parecidos.




Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um olho muito especial


Estrutura anatômica incomum é identificada no bulbo ocular da gralha-azul


Ave-símbolo do Paraná, responsável pela dispersão de sementes da araucária, a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) tem bulbos oculares (olhos) diferenciados. Em estudo feito recentemente, o veterinário Fabiano Montiani-Ferreira, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR), identificou nessa ave da família dos corvídeos uma estrutura óssea incomum no nervo óptico, também conhecido como ossículo de Gemminger, ou osso óptico. Esse elemento mostrou-se rico em medula óssea. Embora a ocorrência de anel ósseo ao redor da parte branca do olho (esclera) seja comum entre as aves, a presença de um osso em torno do nervo óptico é exclusiva de alguns grupos. “Esse pequeno osso já havia sido descrito na década de 1950 em algumas espécies de aves, mas só agora foi identificado na gralha-azul”, ressalta Montiani. A real função da estrutura permanece desconhecida, pois ainda não foi suficientemente investigada. Suspeita-se que sua presença torne o ponto de inserção do nervo óptico na esclera mais rígido, o que ajudaria a dar sustentação à estrutura anatômica e a reduzir as conseqüências de impactos mecânicos.


Com esse estudo, a equipe de Montiani deseja reacender o interesse pela investigação sobre a prevalência, o desenvolvimento e a função desse enigmático elemento anatômico das aves. Os pesquisadores da UFPR, que se dedicam também ao estudo do olho de diferentes espécies animais, pretendem ainda compreender melhor as doenças que acometem a visão de espécies selvagens e exóticas. Segundo Montiani, isso vem dando subsídios para se conhecer melhor a visão humana, já que os olhos dos vertebrados apresentam as mesmas estruturas fundamentais. Cabe lembrar que algumas células do olho humano, particularmente da retina, ainda não são totalmente conhecidas. Com a identificação da estrutura óptica na gralha-azul – que enfrenta situação crítica no Paraná em virtude da derrubada das florestas de araucária –, a equipe alerta para a importância da preservação de animais que sofrem risco de extinção. A gralha-azul é membro de uma família de aves de ampla distribuição geográfica e que ocorre sobretudo em regiões de clima temperado. É encontrada em matas que se estendem, no Brasil, entre os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul; está presente também no Paraguai e no norte da Argentina. Com aproximadamente 40 cm de comprimento, a ave apresenta plumagem azul brilhante e olho fortemente pigmentado; já a cabeça, a parte ventral do pescoço e a parte cranial do peito têm coloração negra. Na lista das espécies animais mais apreendidas no sul do Brasil, a gralha-azul ocupa a 32ª posição.


Luan Galani

Especial para Ciência Hoje/PR

sábado, 31 de maio de 2008

A Evolução e o Relojoeiro Cego

POR EDUARDO REAL , COLABORAÇÃO DE ROBERTO TAKATA E PANTANEIRO ANDRADE


“A seleção natural é o relojoeiro cego, cego porque não antevê,
não planeia as conseqüências, não tem um objetivo em vista. No
entanto, os resultados da seleção natural impressionam-nos irresistivelmente
pela sua aparência de concepção, como se houvesse
um relojoeiro cego, dão-nos a ilusão de concepção e planejamento.”

Richard Dawkins, O Relojoeiro Cego pg.39.


Essa famosa frase escrita pelo zoólogo inglês Richard Dawkins presente em seu livro “O Relojoeiro Cego” – e tão desonestamente adulterada por criacionistas – dá uma dimensão exata de como ocorre a evolução biológica e o processo de seleção natural. Não é um processo de resultados previsíveis. As variações em determinado ambiente onde uma espécie habita podem ser imprevisíveis, assim como o surgimento de mutações. As modificações no material genético são totalmente aleatórias e para representar vantagem para o ser vivo devem se encaixar em determinada característica ambiental. Apesar de podermos fazer previsões de como a seleção atuaria em determinadas pressões ambientais – Como a Regra de Bergmann que diz que animais que vivem em ambientes frios tendem a ter dimensões maiores para melhor regulação térmica – o futuro de uma determinada população e as alterações de suas características são impossíveis de determinar. Exemplos de como características sofrem drásticas alterações ao longo de milhões de anos, podem ser vistas abaixo:


Evolução da cauda

A cauda pós-anal está presente em todos os vertebrados, mesmo em estágio larval ou embrionário, sendo uma extensão da coluna vertebral em posição dorsal em relação ao ânus. Tendo como função primordial a locomoção no meio aquático onde os primeiros cordados surgiram.

Esse papel ocorre nos primeiros cordados até os peixes. A locomoção pelo substrato, a fuga de um predador ou captura de uma presa tem a cauda como principal órgão locomotor. O habitat e os hábitos alimentares de um peixe podem ser previstos através da análise dos lobos da cauda. Nos tubarões o padrão de cauda que predomina é a heterocerca – com lobos de tamanho desigual – e que confere diferentes características ao animal. O tubarão-tigre tem um grande lobo superior que lhe confere máxima velocidade de cruzeiro ou repentinas rajadas de velocidade, garantindo uma alimentação variada. O tubarão sardo (Lamna Nasus) que caça peixes como a cavala e o arenque tem um grande lobo inferior que lhe dá maior velocidade e mantem o ritmo. O tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) não possui lobo inferior facilitando a perseguição em estreitas fendas entre as rochas.

Os lobos podem ter o tamanho alterado para outras características, como o tubarão-raposa que possui uma grande cauda que ele usa para cercar cardumes de peixes e lulas.


Uma exceção está em espécies como o tubarão-branco e o tubarão-mako que possuem caudas homocercas, com os dois lobos de tamanhos iguais o que conferem um nado veloz e constante, ideal para seres que vivem na zona pelágica, em suas perseguições em alto-mar.

Entre os condrictes, também existem peculiaridades. Como as raias em que a cauda se tornou fina e o lobo superior se transformou em um espinho venenoso. O rabo tem função de defesa a locomoção é feita pelas nadadeiras bem desenvolvidas do animal. Outro que não usa a cauda apenas para dar impulso é o tubarão-charuto (Isistius brasiliensis) que possui uma cauda bioluminescente, exceto em uma pequena parte que contrasta com a parte luminosa, aparentando ser um pequeno peixe. Ao avistá-la, peixes maiores – como o atum –a tomam por uma presa e atacam a cauda do tubarão que aproveita e arranca pedaços de carne com uma forte mordida.

Os peixes ósseos possuem em sua grande maioria cauda homocerca, conseguindo nadar em um ritmo uniforme. Existindo, no entanto, peixes como o cavalo-marinho cuja cauda não lhe serve para o nado e sim para que ele se prenda aos corais para que possa esperar que suas pequenas presas passem. E o peixe-lua (Mola mola) que não possui cauda.


Com a conquista do ambiente terrestre a cauda que em seres aquáticos tinha como principal função o impulso, agora tem como função manter o equilíbrio durante o deslocamento. A impulsão no nado é mantida em anfíbios urodelos (salamandras e tritões) e em anuros antes da idade adulta.


A diversificação de funções e formas surpreende. O auxílio do movimento continua a principal função. Dando equilíbrio no movimento em terra como na maioria dos vertebrados quadrúpedes, contrabalançando o peso corporal e facilitando os passos. Os animais bípedes também a usam para se equilibrar sobre as duas patas como em dinossauros terópodes e no lagarto-Jesus-Cristo que realiza rápidas corridas sob está posição, conseguindo andar por cima da linha d’água.
Macacos também a usam para se penderem aos galhos das árvores. Mamíferos como o guepardo, usam o rabo como contrapeso, fazendo curvas e mudando de direção a mais de 100 km/h.

Nas aves voadoras, a cauda possui penas grandes e rígidas que servem como leme, estabilizando o vôo e mudando a direção. Também serve como atrativo sexual, como na ave-do-paraíso que possui longas penas coloridas.

Há os animais sem rabo, como o gibão e o homem que possui o cócxis, Órgãos vestigiais são aqueles que perderam a função nicial se atrofiando totalmente.


Servindo também como reserva de gordura (crocodilos e lagartos). Na comunicação (como em cães, cervos e cascavéis com seu guiso anunciando perigo a possíveis agressores), na defesa (como em estegossauros, anquilossauros e gliptodontes), na locomoção em meio aquático (baleias, que possuem caudas semelhantes aos dos peixes). E adotando multiplas funções, como nos crocodilos que a usam para reserva energética, defesa e locomoção aquática.

A cauda também pode ser usada para confundir predadores. Certos lagartos a desprende do corpo ao sofrer pressão, servindo como distração para o predador enquanto o réptil foge.



Evolução dos dentes

Os agnatos já possuíam dentes. Que usavam para cravarem em peixes para sugar seu sangue ou para se arrancarem nacos de animais mortos. Assim como seus parentes atuais como a lampreia e o peixe-bruxa. Tendo eles dentes de natureza queratinoza, mas os genes responsáveis pela formação dentária estão presentes em todos os vertebrados, desde essa época.

Com o surgimento da mandíbula, o ato predatório foi muito favorecido. Sendo os dentes as armas que prendiam e arrancavam pedaços do alimento. Nessa aquisição podem ter surgido os dentes dos vertebrados acima na escala evolutiva. Já que são estruturas homólogas as escamas dérmicas dos peixes condrictes. Escamas próximas a mandíbula podem ter se modificado e dado origem a eles. Porém, existindo a possibilidade deles terem surgido dos dentículos faringianos.

A dentição está diretamente relacionada com os hábitos alimentares de cada espécie. Para cada alimentação existem dentes especiais. Existindo essa diferenciação nos peixes com dieta diferentes. Como os peixes-papagaios que com dentes robustos aliados a fortes maxilares arrancam algas e corais das rochas. Análogo ao peixe-ostra que, porém, os usa para quebrar conchas de moluscos. Com tubarões não é diferente.

Nos anfíbios os dentes são poucos desenvolvidos, (alguns sapos e rãs não os possuem mais) já que o principal órgão de captura é a língua e estruturas complementares como os dentes vomerianos, encontrados no céu da boca e que prendem as presas capturadas, porém não são dentes verdadeiros.

Tudo muda nos répteis que apresenta dentes mais desenvolvidos, estando implantados nos alvéolos. Tendo forma cônica, sem diferenciações entre eles. Os únicos que possuem u certo grau de heterodontia é o das cobras peçonhentas. Com duas presas injetoras de veneno, com tamanho superior aos demais.

Nas aves vemos uma total ausência de dentição, quando alamos em aves devemos pensar em animais que modificaram completamente sua morfologia para conseguir voar. O crânio sem dentes da maior leveza e assim facilita o vôo e no local destes surge um bico ósseo, que se especializou nas mais diversas funções.

Já nos mamíferos, o trajeto evolutivo foi diferente, tendo o surgimento da heterodontia, a diferenciação dos dentes de um animal em varias funções como segurar, rasgar e mastigar o alimento. Incisivos, caninos e molares, respectivamente. Sendo a heterodontia sofisticada e especializada é uma característica clássica dessa ordem de vertebrados. Existem alguns dinossauros e alguns répteis que possuem alguma variação dentária, porém são exceções.

Também possuem inovações como mandíbula rígida, musculatura mastigatória bem desenvolvida e encaixe oclusal preciso, tornando-os mais eficientes em aproveitar os nutrientes (especialmente os herbívoros) saciando a alta demanda energética da endotermia. E para suportar o desgaste o esmalte é mais resistente do que nos outros vertebrados, grupos como os roedores possuem dentes de crescimento constante, devido ao uso intenso.

Cada ordem de mamífero possui peculiaridades, tendo partes de sua dentição mais desenvolvida e outras diminuídas ou inexistentes, segundo seu regime alimentar. Como nos mamíferos artiodátilos (com patas de casco fendido) como os bois, veados, antílopes e girafas. Em que os molares são muito desenvolvidos para mastigar os vegetais e arrancar-lhes os nutrientes, não possuindo dentes caninos. Estes últimos são clássicos em carnívoros que os usam para segurar e matar as presas. Felinos os apertam contra a garganta de suas vítimas, matando por asfixia, seus parentes extintos – os tigres dentes de sabre – não conseguiam usar tal método devido ao tamanho desproporcional de seus caninos, eram usados como uma foice. Com eles fazia um grande ferimento e a caça morria pela perda de sangue.

Os primatas têm em sua mandíbula todos os tipos de dentes típicos, usados na dieta onívora. Porém, o tamanho do dente e da mandíbula vai regredindo na escala evolutiva dos primatas, desde os macacos do Novo Mundo aos antropóides e destes aos seres humanos que possuem caninos pouco acentuados e mandíbula fraca, tal mudança é vista de forma gradativa através de fósseis de hominídeos. Pesquisadores especulam que a descoberta do fogo seja a responsável pela diminuição.

Nos cetáceos a volta a água acarretou não apenas na regressão dos membros inferiores, mas também nos dentes. Golfinhos, orcas e cachalotes mantiveram os dentes, mas perderam a heterodontia, tendo dentes de formato cônico, mais eficiente na captura de presas no meio aquático. Já nos Misticetos (como a baleia-azul e a jubarte) eles são inexistentes, em seu lugar existem barbatanas, longas laminas flexíveis de queratina que filtram o plâncton, base de sua alimentação.

Os fósseis mais antigos de barbatanas datam de 15 milhões de anos, acredita-se que sua origem seja mais antiga, com fósseis de baleias de crânio modificado associado a barbatanas de até 30 milhões de anos. Uma das pistas de sua origem evolutiva é a marsopa de Dall (Phocoenoides dalli) com um epitélio modificado na gengiva, conhecida como gengiva dentada, que ajuda na captura de presas escorregadias como as lulas e é molecularmente idêntica as barbatanas dos misticetos.

Também dos cetáceos vem o que é de longe a mais variada e “criativa” adaptação dentária. O narval (Monodon monoceros) com o dente incisivo esquerdo dos machos de formato espiralado, semelhante a um chifre e que mede até 3 metros, metade do comprimento do animal. Não sendo apenas um sinal claro de dimorfismo sexual usado para disputas entre os machos. Uma equipe da Universidade de Harvard ao passar o material no microscópio eletrônico fez a seguinte descoberta descrita no Jornal da Escola Médica de Harvard:

"Nweeia tinha descoberto que o dente do narval tem capacidades sensoriais hidrodinâmicas. Dez milhões de túneis formam conexões nervosas a partir do nervo central do marfim do narval a sua superfície exterior. Embora aparentemente rígido e duro, o marfim é como uma membrana com uma superfície extrema sensivel, capaz de detectar mudanças na temperatura da água, pressão e gradientes de partículas. Como essas baleias podem detectar o gradiente de partículas na água, eles são capazes de discernir a salinidade, o que poderia ajudá-las a sobreviver em seu ambiente gelado do Ártico. Também permite que as baleias detectem partículas características de peixes que constituem a sua dieta. Certamente, não há comparação na natureza com nenhum dente na forma única de expressão funcional e de adaptação."

Caracteristicas como essas mostram como o relojoeiro cego pode criar trabalhos incríveis.









REFERENCIAS

http://pt.wikipedia.org/wiki/

http://en.wikipedia.org.wiki/

http://www.scafo.com.br/

http://www.marinebio.com/

http://cienciahoje.uol.com.br/

http://www.portalopen.com.br/

sábado, 17 de maio de 2008

Antílope Azul


O antílope azul ou palanca azul (Hippotragus leucophaeus) viveu no Sul da África, na região do Cabo. Pertencia ao grupo de antílopes ROAN, mas sendo ligeiramente menor que eles, com 1,10 m de altura e 160 kg. Segundo relatos possuía uma pelagem azulada, que dava uma aparência exótica. Apesar de nenhum dos exemplares conservados em museus europeus terem essa tonalidade, tendo uma cloração marrom uniforme, sem nenhuma mancha azul. O tom pode ser dado pela mistura de pelos pretos e amarelos ou só ser encontrada em animais mais velhos, ou ainda, a cor azul pode ser uma variante da pelagem cinza que é encontrada também ao cefalófolo-azul.

Travou os primeiros contatos com os europeus por volta do século XVIII, quando estes colonizaram a África do Sul. Logo surgiram várias descrições contraditórias de viajantes, que mandavam peles e crânios para a Europa. Relatos mostram que não eram muito numerosos, sendo endêmicos em um território muito pequeno. Indícios mostram que habitou uma região mais vasta. Mas após a última era glacial – a 10 mil anos atrás – a sua distribuição geográfica se reduziu devido a desertificação de vários pontos, ou tornando-os muito secos para o crescimento de gramíneas que consomem. Possuíam hábitos alimentares exigentes. Comia apenas gramíneas de alta qualidade, sendo estas em locais bem úmidos, consumindo muita água. Ao contrário de seus parentes mais próximos que vivem em áreas desérticas e podem ficar meses sem beber, se sustentando apenas com a água das plantas que ingerem. Esse foi fator de sua redução geográfica.
Assim como as outras espécies do mesmo gênero vivia em pequenos grupos e possuía características semelhantes como os chifres, orem não possuindo crina.

Sua extinção se deu pela caça excessiva pela sua carne e sua pele, que era considerada um belo troféu de caça, e por competir com as ovelhas pelas melhores áreas de pastagem e por volta de 1800 a espécie desaparecera. O antílope azul foi o primeiro mamífero de grande porte a ser extinto na África nos tempos históricos.