Mostrando postagens com marcador Noticias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Noticias. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de maio de 2009

"Elo perdido" explica evolução das focas


RICARDO BONALUME NETO

da Folha de S.Paulo


Um fóssil achado no Canadá é um bicho tão original que merece ser descrito pelo mais velho e surrado clichê da evolução biológica: trata-se do "elo perdido" entre mamíferos aquáticos como focas e morsas e seus ancestrais terrestres.
Os mamíferos conhecidos como pinípedes têm nadadeiras que facilitam a natação, mas tornam sua movimentação em terra pouco eficiente. O fóssil de 23 milhões de anos batizado Puijila darwini tem membros robustos para andar, mas seus ossos indicam que haveria membranas entre os dedos semelhantes às de uma ave aquática, um tipo de "pé-de-pato".

Antes dessa descoberta, o pinípede considerado o mais antigo era o Enaliarctos, achado na costa noroeste da América do Norte, e dotado de nadadeiras. O Puijila está descrito em estudo na edição de hoje da revista "Nature", liderado por Natalia Rybczynski, do Museu Canadense da Natureza.

O nome Puijila darwini homenageia o naturalista Charles Darwin, pai da teoria da evolução, que previu a existência de uma forma de transição entre esses animais. Puijila é a palavra para "pequeno mamífero marinho" na língua dos esquimós da região do achado.

Os primeiros vestígios do mamífero foram achados em 2007 num lago criado na cratera do impacto de um meteoro. Uma expedição em 2008 achou mais pedaços. Ao todo, 65% do esqueleto foi desvendado.

A região do Ártico é considerada a área de origem dos pinípedes. Há 23 milhões de anos o clima era ameno como o de uma região temperada. Vivendo primeiro em lagos de água doce, os animais foram se adaptando à vida aquática a ponto de passar a caçar no mar. O achado dá uma visão de como seriam os pinípedes antes de passarem a ter nadadeiras, segundo Rybczynski, que chefiou a expedição de campo.

O fóssil retém uma longa cauda e membros com proporções mais semelhantes às de carnívoros terrestres do que dos pinípedes atuais. Mas alguns ossos indicam que ele levava uma vida semiaquática.

A passagem da terra para o mar aconteceu diversas vezes entre os mamíferos, indicam as lontras, o peixe-boi-marinho, as baleias e os golfinhos.

"Essa transição é caracterizada por inovações associadas com muitos aspectos da vida, incluindo locomoção, alimentação e reprodução. O registro fóssil tem documentado os primeiros estágios de algumas dessas transformações, com mais sucesso no caso das baleias a partir de artiodáctilos terrestres", escreveram os autores. Artiodáctilos são mamíferos ungulados (com casco) e com número par de dedos nas patas, como o boi e o camelo.

Em 2007, o "elo perdido" das baleias foi identificado como um pequeno artiodáctilo fóssil, o Indohyus, achado na Índia. Mas só agora, com a descoberta do fóssil canadense, é que a primitiva evolução dos pinípedes passa a ser melhor conhecida.

O sítio paleontológico no Canadá tem ainda peixes, aves e outros fósseis, como coelhos, rinocerontes e os ancestrais das modernas girafas e veados.


sábado, 7 de março de 2009

Pesquisadores descobrem nova espécie de água-viva


Um grupo de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) descobriu uma nova espécie de água-viva, a Hydrocoryne iemanja - nome dado em homenagem a Iemanjá, orixá do candomblé. A descoberta deu origem a um trabalho científico publicado este ano no Reino Unido.
A espécie foi observada pela primeira vez em agosto de 2005. A água-viva crescia dentro de um aquário, afixada a uma alga retirada da orla marítima de Guarapari (ES).
Segundo o pesquisador Sérgio Stampar, um dos autores do estudo, o que diferencia a Hydrocoryne iemanja de outras águas-vivas é seu modo atípico de reprodução assexuada, pela divisão longitudinal - quando um corpo se divide em duas partes.
"A singularidade deste processo mostra que a descoberta pode ajudar no entendimento do caminho evolutivo destes seres aquáticos", explicou Stampar.
O estudo, também desenvolvido pelos pesquisadores André Morandini, Álvaro Migotto e Antonio Marques, foi publicado pelo Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdom.


O artigo científico pode ser visto aqui

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Lobo negro herdou sua cor de cachorro doméstico, aponta análise genética



A mutação genética que faz o seu cocker spaniel ter a pelagem preta também produz o mesmo efeito em lobos selvagens. Cientistas mostraram agora que os lobos negros da América do Norte devem sua cor a genes originários de cães domesticados.Mais ainda, trata-se de um raro caso em que uma mutação promovida pelo homem, ao retornar a populações selvagens, produz um efeito benéfico. Com a diminuição do habitat de tundra, onde predominam lobos brancos ou cinzentos, aumenta o de floresta --nas quais a maioria dos lobos tem pelo preto.


Os lobos de pelo preto quase só existem na América. A mutação que lhes confere essa cor provavelmente foi passada às populações de lobos por cruzamentos com cães domésticos (Canis lupus familiaris) trazidos pelos ancestrais dos índios, entre 15.000 e 10.000 anos atrás.A equipe de 15 cientistas, coordenada por Gregory Barsh e Tovi Anderson, da Universidade Stanford, Califórnia, publicou o estudo na edição de hoje do periódico científico "Science".O gene é dominante; basta uma cópia dele para produzir a cor negra. O cruzamento de lobos das duas cores, cinza e negra, produziu uma ninhada de 14 filhotes, dos quais dez tinham o gene e o pelo preto.Não há certeza ainda entre os cientistas do motivo de a mutação ser benéfica aos lobos. Pode ser uma questão de camuflagem, a cor escura melhor adaptada à floresta do que à nevada tundra. Mas o gene responsável pela cor negra do pelo, beta-defensina, também está envolvido na defesa contra infecções."Nossos resultados implicam em que variantes que apareçam durante a domesticação podem ser viáveis na vida selvagem e enriquecer o legado genético de populações naturais", dizem os autores.










sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Escavação acha registro mais antigo de vida animal na Terra

Moléculas mostram presença de esponjas há mais de 635 milhões de anos.Achado sugere que evolução dos animais teve começo 'lento e gradual'.


No princípio era a esponja. Bem, não exatamente no princípio, mas pelo menos há mais de 635 milhões de anos, quando a vida animal começava a evoluir nos oceanos do nosso planeta, e as esponjas, invertebrados muito simples que mais parecem plantas, já se agarravam ao leito marinho. Usando técnicas químicas engenhosas, pesquisadores dos Estados Unidos, da Austrália e do Reino Unido dizem ter comprovado a presença dos bichos nessa época remota. O achado tem potencial para fazer recuar a origem dos animais em até 100 milhões de anos.


O que, aliás, é bastante tranquilizador para os estudiosos da evolução, porque havia uma certa incongruência entre os fósseis, as análises de DNA e as datas estimadas para a origem dos animais. Para todos os efeitos, até pouco tempo atrás o nosso grupo de seres vivos parecia ter surgido "de repente" há cerca de 600 milhões de anos. Problema número 1: em tese, nada tão complexo quanto os primeiros animais poderia aparecer sem um tempo considerável de evolução prévia. Problema número 2: as estimativas feitas com a ajuda do DNA dizem que, de fato, os animais são bem mais antigos do que isso.

O coordenador do novo estudo sobre as esponjas, Gordon D. Love, da Universidade da Califórnia em Riverside e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), diz que seu trabalho traz evidências sólidas da antiguidade dos animais. "Nossas datas ficam, sem margem para incerteza, entre 635 milhões e 750 milhões de anos", declarou ele ao G1 por e-mail.

Paradoxalmente, apesar do alto grau de confiabilidade da análise, o número total de esponjas fósseis que a equipe encontrou foi... zero. A descoberta foi totalmente indireta. As rochas estudadas por Love e companhia em Omã, no sul da Arábia, estão empapadas com moléculas orgânicas, derivadas dos seres vivos (a maioria de uma só célula) que existiam durante a era glacial que afetava o planeta naquela época. Foi graças a essas moléculas que eles conseguiram detectar as esponjas no local. O truque para garantir a precisão das datações foi usar pedaços insolúveis e "duros" de matéria orgânica nos sedimentos. Dessa forma, eles não poderiam migrar ao longo das camadas de rocha, o que significa que correspondem mesmo à época indicada pelos estratos rochosos.

Parece maluco que substâncias de seres vivos resistam por tanto tempo, mas o fenômeno não é tão incomum assim, de acordo com Love. "Os lipídios [moléculas de gordura] são recalcitrantes [resistentes à degração] ao longo das centenas de milhões de anos do tempo geológico, mas sobrevivem melhor e em abundância quando há muita produtividade primária [produção de biomassa] e quando o oxigênio não é muito abundante em águas profundas. Já o DNA e as proteínas normalmente se degradam após alguns milhões de anos", diz ele.


Colesterol
De todos os lipídios, o que acabou sendo mais interessante para a análise foi o que recebe o indigesto nome de 24-isopropilcolestano, uma forma alterada do 24-isopropilcolesterol. Colesterol? Sim, você ouviu direito: trata-se de uma molécula aparentada à que existe no organismo humano, provavelmente com a mesma origem evolutiva. "Essa família de moléculas é encontrada na membrana das células das esponjas", explica Love. O detalhe é que o 24-isopropilcolesterol seria exclusivo de um subgrupo de esponjas, o que comprovaria a existência delas naquele período remoto.

Em artigo opinativo na britânica "Nature", mesma revista científica onde os resultados foram publicados, Jochen Brocks, da Universidade Nacional Australiana, e Nicholas J. Butterfield, da Universidade de Cambridge, aplaudem as descobertas, mas lançam dúvidas justamente sobre a identificação dos produtores das moléculas. Para eles, é concebível que seres mais primitivos, talvez até unicelulares, tenham "iniciado" a produção de 24-isopropilcolesterol, característica depois herdada pelas esponjas "descendentes". Nesse caso, não daria para dizer que a vida animal realmente começou há 700 milhões de anos.

Love rebate: "Décadas de estudos cuidadosos com micróbios e metazoários [animais] nos dizem que essas substâncias só são abundantes nas demoesponjas [subgrupo das esponjas]. Todos os subgrupos delas os possuem em abundância. Além disso, a abundância das moléculas só ocorre justamente numa janela relativamente estreita de tempo na qual, segundo dados fósseis e de DNA, as esponjas deveriam aparecer. Então, colocando tudo isso junto, nossa interpretação é a única razoável no momento". É esperar para ver quem se sai melhor no debate.
Texto de Reginaldo José Lopes
Para saber mais: Texto de Alexander Kellner no Ciencia Hoje On line

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Encontrado nos EUA elo perdido na evolução das rãs


Adicionar imagemFóssil de animal que viveu no Texas há milhares de anos comprova ligação entre rãs e salamandras


MADRI - O fóssil de um anfíbio que viveu há milhões de anos no Texas, Estados Unidos, é o elo perdido que demonstra que as rãs e as salamandras descendem dos temnospôndilos, uma espécie extinta, segundo um estudo da Universidade de Calgary, do Canadá.

O exame e a descrição detalhada do fóssil do Gerobatrachus hottoni (rã maior de Hotton) colocam fim à principal polêmica sobre a evolução dos vertebrados, que se devia à falta de informação sobre formas de transição conhecidas.

"Este fóssil preenche esse vazio", diz Jason Anderson, professor da Faculdade de Veterinária da Universidade de Calgary e autor principal do estudo, publicado na última edição da revista científica britânica Nature.

Anderson qualificou de "agridoce" a coincidência da descoberta com o "Ano dos Rãs", convocado em 2008 pelos conservacionistas para alertar o mundo sobre desaparecimento de muitas espécies de rãs e outros anfíbios.

Calcula-se que nas últimas décadas podem ter desaparecido 130 espécies devido à mudança climática, à poluição e aos efeitos mortais de um fungo quitrídio, que se alimenta da queratina da pele das rãs.

O fóssil, descoberto em 1995 no Texas, mas recuperado recentemente pela equipe de Anderson, tem a forma arcaica de um temnospôndilo, mas também traços das salamandras, rãs e sapos atuais. Isso permite compreender melhor a origem e a evolução dos anfíbios modernos.

Seu crânio, sua coluna e seus dentes mostram uma mistura de traços de rã - a larga forma do crânio - e salamandra - a fusão de dois ossos no tornozelo -, afirma o estudo.

O número de vértebras do fóssil é exatamente um intermediário entre a coluna das modernas rãs e salamandras e os anfíbios mais primitivos.

O fóssil, que data do período Permiano, há cerca de 250 milhões de anos e antes do aparecimento dos dinossauros, também esclarece outra controvérsia relativa à época na qual ambas as espécies evoluíram em dois grupos diferentes, assinala o estudo.

Com estes novos dados, tudo parece indicar que "as rãs e salamandras se separaram em algum momento há entre 240 e 275 milhões de anos, ou seja, muito antes do que sugeriam anteriores dados moleculares", segundo o co-autor do estudo, Robert Reisz, professor da Universidade de Toronto Mississauga.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um olho muito especial


Estrutura anatômica incomum é identificada no bulbo ocular da gralha-azul


Ave-símbolo do Paraná, responsável pela dispersão de sementes da araucária, a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) tem bulbos oculares (olhos) diferenciados. Em estudo feito recentemente, o veterinário Fabiano Montiani-Ferreira, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR), identificou nessa ave da família dos corvídeos uma estrutura óssea incomum no nervo óptico, também conhecido como ossículo de Gemminger, ou osso óptico. Esse elemento mostrou-se rico em medula óssea. Embora a ocorrência de anel ósseo ao redor da parte branca do olho (esclera) seja comum entre as aves, a presença de um osso em torno do nervo óptico é exclusiva de alguns grupos. “Esse pequeno osso já havia sido descrito na década de 1950 em algumas espécies de aves, mas só agora foi identificado na gralha-azul”, ressalta Montiani. A real função da estrutura permanece desconhecida, pois ainda não foi suficientemente investigada. Suspeita-se que sua presença torne o ponto de inserção do nervo óptico na esclera mais rígido, o que ajudaria a dar sustentação à estrutura anatômica e a reduzir as conseqüências de impactos mecânicos.


Com esse estudo, a equipe de Montiani deseja reacender o interesse pela investigação sobre a prevalência, o desenvolvimento e a função desse enigmático elemento anatômico das aves. Os pesquisadores da UFPR, que se dedicam também ao estudo do olho de diferentes espécies animais, pretendem ainda compreender melhor as doenças que acometem a visão de espécies selvagens e exóticas. Segundo Montiani, isso vem dando subsídios para se conhecer melhor a visão humana, já que os olhos dos vertebrados apresentam as mesmas estruturas fundamentais. Cabe lembrar que algumas células do olho humano, particularmente da retina, ainda não são totalmente conhecidas. Com a identificação da estrutura óptica na gralha-azul – que enfrenta situação crítica no Paraná em virtude da derrubada das florestas de araucária –, a equipe alerta para a importância da preservação de animais que sofrem risco de extinção. A gralha-azul é membro de uma família de aves de ampla distribuição geográfica e que ocorre sobretudo em regiões de clima temperado. É encontrada em matas que se estendem, no Brasil, entre os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul; está presente também no Paraguai e no norte da Argentina. Com aproximadamente 40 cm de comprimento, a ave apresenta plumagem azul brilhante e olho fortemente pigmentado; já a cabeça, a parte ventral do pescoço e a parte cranial do peito têm coloração negra. Na lista das espécies animais mais apreendidas no sul do Brasil, a gralha-azul ocupa a 32ª posição.


Luan Galani

Especial para Ciência Hoje/PR

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Hábitat inusitado


Cientistas “redescobrem” espécie de mosca caribenha que habita o corpo de caranguejo


O interior da boca e o corpo de caranguejos são a curiosa morada de uma espécie de drosófila endêmica das ilhas Cayman, no Caribe. Essas moscas se alimentam de micróbios disponíveis no corpo do crustáceo e não eram observadas desde 1966. Elas acabam de ser “redescobertas” por cientistas alemães, que puderam estabelecer seus laços de parentesco com outras espécies da mesma família.


A mosca em questão – a Drosophila endobranchia – vive no corpo do caranguejo da espécie Gecarcinus ruricola. “Os ovos da mosca são depositados ao redor dos olhos do caranguejo”, explica à CH On-line o biólogo Bill S. Hansson, do Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha, membro da equipe que estudou a espécie. “Após eclodir, as larvas migram para as patas, onde se alimentam de micróbios presentes na urina do animal. Em um segundo estágio, as larvas de deslocam para as guelras, onde permanecem por meses.”


Em seguida, as larvas da mosca se instalam ao redor da abertura da boca do caranguejo, até se tornarem indivíduos adultos. “Elas continuam então no organismo do crustáceo, tanto na carapaça como em partes da boca”, completa Hansson. O pesquisador destaca que essa relação não traz vantagens ou desvantagens ao caranguejo – apenas a mosca é beneficiada.


A espécie é pertence ao mesmo gênero da Drosophila melanogaster, um dos organismos modelo de estudos genéticos mais populares em laboratórios do mundo inteiro. Hansson lembra que, embora as drosófilas sejam comumente conhecidas como moscas-das-frutas, a maioria das espécies desse gênero se alimenta de microrganismos. Além da D. endobranchia, outras espécies também utilizam caranguejos como substratos, pelos mesmos motivos.


É o caso da D. carcinophila, também encontrada no Caribe, e da Lissocephala powelli, restrita à ilha Christmas, no oceano Índico. Para Hansson, trata-se de um caso de evolução paralela – em que espécies distintas com um ancestral comum desenvolveram características semelhantes devido a pressões evolutivas similares.


Mosca sumida

A D. endobranchia foi descrita pela primeira vez em 1966 e depois nunca mais foi estudada. A equipe de Hansson decidiu reencontrar a espécie para entender melhor sua relação com outras drosofilídeas. Em expedição às ilhas Cayman no início do ano passado, o grupo conseguiu coletar 66 espécimes.


A análise morfológica e molecular da espécie redescoberta, publicada este mês na revista Plos One, permitiu redefinir sua filogenia. “Os próximos passos são compreender com mais detalhes os hábitos dessa mosca e realizar exames genéticos aprofundados, para que possamos estabelecer sua posição na árvore genealógica das drosófilas”, prevê o biólogo.



Andressa Spata

Ciência Hoje On-line

22/04/2008

sábado, 26 de abril de 2008

Menina muda de grupo sangüíneo após transplante


Uma menina australiana mudou espontaneamente de grupo sangüíneo e adotou o sistema imunológico de seu doador após ter sido submetida a um transplante de fígado, um caso sem precedentes conhecidos, ressaltaram nesta quinta-feira fontes médicas.


Demi-Lee Brennan, acometida por uma grave doença, tinha 9 anos quando fez o transplante. Nove meses depois os médicos descobriram que havia mudado de grupo sangüíneo e de sistema imunológico para adotar os do doador, depois que as células-tronco do novo fígado migraram para sua medula óssea.


Agora ela vive com um fígado saudável aos 15 anos, disse Michael Stormon, um dos médicos responsáveis pelo seu tratamento. "É insólito, de fato não sabemos de nenhum outro caso em que isto tenha ocorrido", declarou Stormon. "Na verdade, foi submetida a um transplante de médula óssea. A maior parte de seu sistema imunológico também foi substituído pelo do doador", acrescentou.


Milagre

A mãe de Brennan, Kerrie Mills, classificou o fato de "milagre" e a própria paciente disse em uma entrevista coletiva à imprensa que os médicos a trouxeram de volta à vida. "Por mais que agradeça nunca será o suficiente. É como se fosse minha segunda chance", afirmou.


A equipe médica que tratou Brennan está muito interessada em analisar se é possível tirar proveito deste caso, levando em conta que a rejeição de órgãos do doador por parte do sistema imunológico do receptor é uma das principais barreiras para os transplantes.


Stormon considera que a menina pode ter sido beneficiada por "uma seqüência de acontecimentos fortuitos". É possível, disse, que uma infecção pós-transplante tenha permitido que as células-tronco hepáticas de seu doador tenham se proliferado em sua medula óssea, onde se desenvolveram as células sanguíneas.


A dificuldade está agora em estabelecer se é possível reproduzir este resultado em outros pacientes. "Nosso desafio agora é tentar entender como ocorreu", afirmou Stormon. "O Santo Graal da medicina do transplante é a imunotolerância. Ela é um exemplo de que pode ocorrer", concluiu.


AFP



sábado, 19 de abril de 2008

Cientistas encontram árvore mais antiga do mundo na Suécia

Pinheiro foi encontrado em Dalarna e calcula-se que tenha 9500 anos de idade

COPENHAGUE - Cientistas da Universidade de Umeå encontraram na província de Dalarna, no noroeste da Suécia, uma conífera de 9.550 anos, a árvore viva mais antiga registrada até o momento no mundo.

Se trata de um pinheiro da Noruega (Picea abis), uma conífera que se encontra por toda Europa, usada como pinheiro de natal nos países nórdicos, muito apreciada em jardinagem e do tipo que se empregou para fabricar os violinos Stradivarius.

Abaixo da copa de um pinheiro de uns quatro metros de altura no parque nacional de Fulufjället, em Dalarna, se acharam restos de seu sistema de raízes na camada superior de terra pertencentes a quatro gerações distintas, com idade de 375, 5660, 9000 e 9500 anos, disse Leif Kullman, professor de geografia natural da Universidade de Umeå (Suécia) e diretor da pesquisa.

A idade dos restos foi determinada através do método do Carbono 14 em um laboratório de Miami, Estados Unidos.

Na América do Norte se tinham encontrado explares de pinheiros de 4000 e 5000 anos.

A longevidade dessa árvore se explica por sua capacidade de clonar-se a si mesma, de modo que das reservas da raiz nascem novos talos e tronco, e para adaptar-se às mudanças climáticas, evoluindo de árvore a arbusto engolido por si mesmo.

Em toda a cadeia montanhosa sueca, que se extende desde a Lapônia, ao norte, até Dalarna, ao sul, fazendo fronteira com o Noruega, os investigadores suecos encontraram um conjunto de pinheiros com mais de oito mil anos de idade.

Kullman cree que esses achados põem em questão a teoria de que o pinheiro era uma espécie tardia chegada à Suécia, quando na realidade foi uma das primeiras plantas a assentarem-se ali.

"Minhas investigações apontam a que o pinheiro passou a era glacial a oeste e sudoeste da Noruega, onde o clima não era tão frio, para logo extender suas sementes rapidamente ao norte e pela costa, e daí para as montanhas suecas", ressaltou.

A capacidade de adaptação desta espécie permite utilizá-la para obter pistas sobre os efeitos da mudança climática na atualidade.

O aumento das temperaturas em um grau no verão nesta zona no último século tem feito que os pinheiros mudem de forma e aumentem a altura, segundo Kullman.

A pesquisa faz parte de um estúdio sobre as povoações de árvores na Escandinávia durante a era do degelo, realizado em colaboração com as autoridades provinciais de Jämtland e Dalarna.

http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid158053,0.htm

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O predador dos mares

Colunista apresenta o crocodiliforme extinto de hábito marinho que acaba de ser descrito por pesquisadores brasileiros

Paleontólogos brasileiros anunciaram esta semana uma importante descoberta que deve nos ajudar a entender como evoluíram os répteis que habitaram os mares do passado. O Guarinisuchus munizi, encontrado em Pernambuco, viveu na costa do Nordeste brasileiro há cerca de 62 milhões de anos e é o mais completo representante na América do Sul de um grupo de répteis conhecidos como dirossaurídeos.

Os dirossaurídeos, por sua vez, se incluem em um grupo mais amplo, que possui uma história única no registro geológico da Terra: os crocodiliformes. Esses répteis surgiram há aproximadamente 200 milhões de anos e sobreviveram a diversos eventos de extinção em massa no planeta até chegar aos dias de hoje. Nesse intervalo, eles se modificaram e se adaptaram com o passar do tempo.

Hoje esses répteis contam com apenas 23 espécies, representando três grupos: jacarés, crocodilos e gaviais. Mas no passado, como já vimos em outra coluna , a diversidade era enorme, com espécies de hábitos completamente terrestres e outras totalmente marinhas, como a que acaba de ser descoberta.

Descoberta inesperada
Há cerca de cinco anos, os colegas José Antonio Barbosa e Maria Somália S. Viana estavam realizando uma atividade de campo rotineira na Mina Poty, situada ao norte de Recife (PE). Essa mina é um dos poucos lugares no Brasil onde se registra o limite entre os períodos geológicos Cretáceo e Paleógeno (ou K/Pg – antigo K/T). Esse limite marca a extinção de diversos grupos, incluindo a maioria dos dinossauros.

Antonio e Somália encontraram, cerca de 11 metros acima do limite K/Pg, ossos e dentes envoltos em rochas calcárias de coloração cinza. No início não estava bem claro a que animal pertenciam, mas eles sabiam que era algo muito importante. Até então, os únicos vertebrados que aquelas camadas – designadas de Formação Maria Farinha – tinham fornecido eram dentes de tubarões, peixes ósseos, placas de tartarugas e ossos isolados de crocodiliformes marinhos do grupo dos dirossaurídeos.

Esse grupo de répteis, bastante raro na América do Sul, foi um dos poucos a ter sobrevivido à extinção do K/Pg. No Brasil, seus restos sempre se limitaram a ossos isolados – basicamente vértebras e dentes –, justamente da Mina Poty e arredores. Existia, ainda, um exemplar meio obscuro que tinha recebido o nome de Hyposaurus derbi no século 19.

Reconhecendo a importância da descoberta, eles coletaram os ossos e iniciaram a penosa tarefa de preparação do material, que contou, além de Antonio, com um grande esforço de Marcia Cristina da Silva, então aluna de Somália. A preparação acabou sendo finalizada no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com financiamento da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).

O mais completo dirossaurídeo sul-americano

À medida que a preparação avançou, constatou-se que o exemplar em questão era não só o mais completo representante dos dirossaurídeos da América do Sul, mas também uma nova espécie, que recebeu o nome de Guarinisuchus munizi. ‘Guarini’ vem do tupi e significa guerreiro; ‘suchus’ é um termo que vem do grego e é comumente empregado na descrição de crododiliformes extintos. Com o nome específico os pesquisadores fizeram uma justa homenagem ao paleontólogo Geraldo da Costa Barros Muniz, que muito contribuiu para a pesquisa de fósseis no Nordeste.

De forma geral, os dirossaurídeos possuem a parte anterior do crânio relativamente comprida e fina lateralmente, o que lhes dá um aspecto tubular. Os dentes são grandes, delgados e pontudos, o que os diferencia bem dos demais crocodiliformes, incluindo as formas recentes. O Guarinisuchus munizi também possui as aberturas temporais na parte superior do crânio bem desenvolvidas, maiores do que as órbitas, outra característica que permite classificá-lo no grupo dos dirossaurídeos.

Poucos dirossaurídeos são conhecidos, a maioria procedente de depósitos da África. O estudo dos cientistas brasileiros mostrou que o Guarinisuchus munizi era aparentado com algumas formas africanas, o que permitiu estabelecer uma teoria sobre a dispersão desses animais: a partir de sua suposta origem na África, eles teriam chegado primeiro à América do Sul para, dali, alcançar o litoral da América do Norte.

Porém, existe um outro ponto de destaque dessa pesquisa, publicada esta semana na Proceedings of the Royal Society B, com participação deste colunista. Na Mina Poty, as rochas do período Cretáceo, que são mais antigas do que 65 milhões de anos (situadas, portanto, baixo do limite K/Pg), possuem restos (sobretudo dentes) de um outro grupo de répteis marinhos chamado de mosassauros ou lagartos marinhos.

Esses restos haviam sido estudados primeiramente pelo importante pesquisador brasileiro Llewellyn Ivor Price (1905-1980). Uma nova análise do material, feita pelos paleontólogos Luciana Carvalho e Sergio Azevedo (ambos do Museu Nacional), indicou a existência de uma diversidade de mosassauros, com várias espécies

Substitutos dos mosassauros?

Sabendo disso e levando em conta também que, acima do limite K/Pg, não são mais encontrados restos de mosassauros, mas sim o Guarinisuchus munizi, Antonio e seus colegas puderam propor uma hipótese. Os pesquisadores acreditam que, após a extinção dos mosassauros, os dirossaurídeos passaram a ser os principais predadores dos mares do passado nas antigas costas brasileiras.

Resta agora saber se esse padrão de substituição dos mosassauros por animais como o Guarinisuchus munizi foi algo local, restrito ao Brasil, ou um fenômeno mundial, como acreditam os autores. Para que se tenha uma melhor avaliação dessa hipótese, são necessários agora estudos mais detalhados da distribuição dos dirossaurídeos e dos mosassauros.

Além disso, seria importante que houvesse mais estudos estratigráficos, particularmente na África, onde os dados geológicos dos lugares com restos desses répteis extintos ainda são meio confusos.

Uma reconstrução em vida de Guarinisuchus munizi de 3 metros, ambientada com fósseis originais da Mina Poty, encontra-se exposta no Museu Nacional, situado no parque da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Cidade Maravilhosa. Esse belíssimo trabalho, com um realismo fora do comum graças ao excelente trabalho do paleoescultor Claudio Salema e do museólogo João Carlos Ferreira, retrata essa "fera" dos mares que aterrorizava as costas nordestinas há 62 milhões de anos.

Alexander Kellner
Museu Nacional / UFRJ
Academia Brasileira de Ciências
26/03/2008

Mais informações e imagens estão no (ótimo) artigo original
http://cienciahoje.uol.com.br/115515

segunda-feira, 3 de março de 2008

Estudo: sapo gigante podia comer bebês-dinossauro


Uma equipe de arqueólogos americanos encontrou o fóssil de um sapo pré-histórico gigante, que seria capaz de comer filhotes de dinossauro existentes em sua época. O "sapo diabo", como foi batizado, além de ser do tamanho de uma bola de boliche, possuia uma grande boca e mandíbulas poderosas.


O animal, que recebeu o nome científico de Beelzebufo - uma mistura de "Belzebu" com "sapo", em latim - pesava cerca de 4,54 kg e media 40,6 cm de comprimento. Ele foi achado em Madagascar, na África, por pesquisadores da Stony Brook University, de Nova York.
A descoberta foi divulgada na edição de hoje do jornal Proceedings of the National Academy of Sciences.
O arqueólogo David Krause, um dos responsáveis pelas escavações, informou que o anfíbio era capaz de comer dinossauros recém-nascidos. Maior do que qualquer sapo vivo atualmente, ele também pode ter sido o maior da espécie em todos os tempos.
Para Krause, "não é impossível que o Beelzebufo abatesse lagartos, mamíferos, sapos menores e até dinossauros recém-nascido". "Deve ter sido um bicho bem malvado", confirmou Susan Evans, paleontóloga do University College de Londres, que também participou da pesquisa.
Segundo o arqueólogo, "este sapo, se tivesse semelhanças com os familiares que vivem hoje no continente, teria hábitos um tanto quanto vorazes", afirmou.
Krause informou que os primeiros ossos do sapo diabo foram encontrados em Madagascar, na costa da África, em 1993, mas somente agora conseguiram juntar fragmentos suficientes para chegar ao que realmente teria sido o animal. A criatura teria habitado o período Cretáceo, há 70 milhões de anos, em uma região onde também foram achados fósseis de dinossauros e crocodilos.
O Beelzebufo provavelmente vivia num ambiente semi-árido e caçava usando sua camuflagem, saltando de forma inesperada sobre suas presas. Embora fosse o rei dos sapos, o animal não é o maior anfíbio que já existiu. Animais como o Prionosuchus, do período Permiano (que terminou há 250 milhões de anos), pareciam crocodilos e chegavam a 9 metros.
O maior animal da espécie encontrado atualmente no planeta é o sapo Golias, que habita o oeste da África e pesa pouco mais de 3 kg.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Um elo na evolução dos crocodilos


Animal que viveu há 80 milhões de anos é forma intermediária entre espécies primitivas e atuais


Fósseis de uma nova espécie de crocodilomorfo podem esclarecer uma parte até então obscura da história evolutiva desses animais. O Montealtosuchus arrudacamposi, que viveu há cerca de 80 milhões de anos, durante o período Cretáceo Superior, tem características morfológicas intermediárias entre as formas pré-históricas e atuais de crocodilos.


O novo crocodilomorfo brasileiro foi descrito a partir de três esqueletos quase completos e bem preservados. Os ossos foram encontrados em Monte Alto, interior de São Paulo, por pesquisadores do Museu de Paleontologia da cidade e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


“Essa descoberta pode projetar a paleontologia brasileira a níveis internacionais, pois irá reescrever a história da evolução dos crocodilos”, destaca o geólogo Ismar de Souza Carvalho, professor do Departamento de Geologia da UFRJ e coordenador do projeto. Antes, crocodilomorfos primitivos e atuais formavam grupos com características muito distintas.


A classificação da nova espécie como uma forma intermediária de crocodilomorfo baseou-se em análises de seu crânio. O formato do palato e a articulação entre crânio e mandíbula revelam aspectos pertencentes a uma categoria de transição no processo evolutivo desse grupo.


O M. arrudacamposi foi considerado um animal atípico, pois se diferencia muito dos jacarés e crocodilos atuais. Ele pesava cerca de 40 kg e media entre 1,30m e 1,70m de comprimento. As pernas longas e os olhos dispostos na lateral da cabeça indicam que se tratava de um predador com hábitos totalmente terrestres. O formato de seus membros demonstra que o animal se deslocava com destreza em terra firme, ao contrário dos exemplares de hoje em dia. Ele apresentava ainda placas dérmicas em seu dorso como forma de proteção.


Segundo os pesquisadores, o animal viveu em ambientes de clima sazonal, com longos períodos de seca e chuvas torrenciais esparsas, que formavam rios temporários. O M. arrudacamposi dividia essa paisagem com dinossauros de grande porte, tartarugas aquáticas e outros crocodilomorfos terrestres.


Técnicas pioneiras de análise

Para a descrição da nova espécie, publicada na edição de outubro do periódico Zootaxa, foram usadas técnicas pioneiras de análise dos fósseis. Segundo o geólogo Felipe Mesquita de Vasconcellos, aluno de doutorado da UFRJ e membro da equipe, a pesquisa empregou tecnologia digital e tomografia para a construção de um modelo virtual tridimensional do M. arrudacamposi.


“Com essas técnicas, podemos perceber o formato interior da caixa craniana e da estrutura muscular do animal”, afirma Vasconcellos. “Além disso, o formato do palato nos dá uma idéia da força de sua mordida.”


A cidade de Monte Alto é conhecida por ser um importante sítio paleontológico. A região está assentada sobre rochas da bacia Bauru e é rica em fósseis de animais do período Cretáceo, desde invertebrados, como moluscos, até vertebrados de grande porte.


O nome Montealtosuchus arrudacamposi é uma homenagem ao município de Monte Alto e ao professor Antônio Celso de Arruda Campos, atual diretor do Museu de Paleontologia de Monte Alto e um dos primeiros a encontrar os fósseis.



Igor Waltz

Ciência Hoje On-line

01/02/2008

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O maior dos roedores gigantes


Crânio fóssil de 2 a 4 milhões de anos permitiu descrição de animal que pesava mais de uma tonelada


lista dos roedores gigantes extintos acaba de ganhar um elemento de peso. Com mais de uma tonelada, o Josephoartigasia monesi é a maior espécie desse grupo já registrada. Ele foi descrito a partir de um crânio quase completo e muito bem preservado, encontrado na formação de São José, no Uruguai, com idade entre 2 e 4 milhões de anos. Embora os roedores atuais sejam em geral pequenos – salvo poucas exceções, como a capivara, que pesa aproximadamente 60 kg –, várias espécies extintas alcançaram tamanho muito maior. Hoje, são conhecidas 60 espécies para a fauna de grandes roedores extintos da América do Sul. Mas não se sabia muito sobre a anatomia desses animais, porque os restos fósseis encontrados se restringiam a dentes isolados e fragmentos de mandíbulas. A descoberta do crânio quase completo do J. monesi, publicada esta semana no periódico Proceedings of the Royal Society B, fornece novas informações sobre esses roedores gigantes. A principal característica da nova espécie, descrita pelos pesquisadores Andrés Rinderknecht, do Museu Nacional de História Natural e Antropologia (Uruguai), e Ernesto Blanco, da Faculdade de Engenharia do Instituto de Física de Montevidéu (Uruguai), é seu tamanho extremamente grande. Com base no comprimento total do crânio – 53 cm –, sua massa corporal foi estimada em 1.008 kg. “Não temos uma avaliação técnica para o comprimento do J. monesi, mas a estimativa é de que seja de cerca de três metros”, conta Blanco à CH On-line. Os autores afirmam que o crânio do J. monesi é claramente maior do que o do Phoberomys, considerado anteriormente o maior roedor que já existiu, com massa corporal estimada entre 400 e 700 kg. Segundo eles, os fragmentos fósseis disponíveis de Phoberomys indicam que seu crânio tinha aproximadamente 65% do tamanho do crânio dos animais do gênero Josephoartigasia. “Podemos então concluir, com alto grau de confiança, que nosso espécime de J. monesi tinha massa corporal cerca de duas vezes maior que a do Phoberomys, o que faz dele o maior roedor conhecido que já existiu”, dizem no artigo.



Dieta de plantas aquáticas Assim como outros representantes da família Dinomyidae, o J. monesi tinha todos os dentes molares e pré-molares relativamente pequenos em comparação com o tamanho do crânio. Por outro lado, seus incisivos chegavam a vários centímetros. Essas características sugerem que o animal tinha músculos de mastigação fracos para triturar comida, o que poderia resultar em uma dieta composta por vegetação não muito dura e frutas. É possível que eles dependessem de plantas aquáticas para se alimentar. Os pesquisadores acreditam que esse roedor viveu em locais de floresta próximos à foz de rios. O ambiente era dividido com outros roedores gigantes, tigres dentes-de-sabre, pássaros carnívoros gigantes, mamíferos da ordem Xenarthra (como tamanduás, tatus e preguiças), capivaras e variados mamíferos ungulados (que compreendiam animais com casco nas patas). “Essa descoberta é muito importante para completar nossa imagem da fauna sul-americana 4 milhões de anos atrás e também para o entendimento da evolução dos roedores e do problema da massa corporal em geral”, avalia Blanco. Segundo ele, o achado do crânio completo de J. monesi permitirá ainda a realização de estudos sobre a força da mordida do animal e vai aprofundar o conhecimento sobre esse grupo de mamíferos.



Thaís Fernandes Ciência
Hoje On-line
16/01/2008

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Retrospectiva 2007


No ano de 2007 houve o anúncio de várias descobertas. Muitas delas, de grande importância. Vamos fazer uma restrospectiva, relembrando os principais acontecimentos no meio científico.


12 de janeiro, cientistas divulgaram a deescoberta de um crânio de 36.000 anos que mostra ser dos ancestrais de toda a espécie humana e mostrando a ancestralidade africana.



Pesquisadores também afirmam ter encontrado um crânio humano que apresenta caracteristicas típicas de neandertais, mostrando que cruzamentos entre as duas espécies podem ter acontecido.


22 de janeiro, publicaram estudo que mostra que macacos-prego (Cebus libidinosus) o uso de ferramentas para quebrar frutos é passada adiante atravez da cultura.



23 de janeiro, veio a notícia de que o Microraptor pequeno dino terópode chinês que tinha penas - pera biplano e podia planar pequenas distâncias. O modelo do fóssil foi feito por paleontólogs brasileiros.


Seguindo as descobertas feitas com os primatas, veio a descoberta que certas populações de chimpanzés usam lanças para caçar pequenos primatas em ocos de árvores.



15 de março, a descoberta de um fóssil de mamífero deu novas pistas na evolução dos mamíferos. O animal (Yanoconodon allini), tem ouvido médio de mamifero e mandíbula de reptil. Mostrando a transição evolutiva.


No mesmo mês, foi revelada a descoberta de uma nova espécie de leopardo na Ásia. O leopardo nebuloso de Sumatra, que difere do leopardo nebuloso de Bornéu. Seu código genético tem 40 diferenças e podem ser identificados como diferentes por diferenças na pelagem.



29 de março, estudo diz que dinossauros não oprimiam mamíferos, como sempre se pensou. A prova é a diversificação que esta classe teve antes da extinção do Cretáceo.



3 de abril. O cérebro de um pássaro de mais de 90 milhões de anos, extraordinariamente bem preservado, foi descoberto na Rússia, fornecendo assim indicações inéditas sobre a evolução dos sentidos das aves, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (hora local) no periódico Biology Letters, da Sociedade Real britânica.



12 de abril, Proteína de tiranossauro reforça teoria de parentesco com aves. Sequência de aminoácidos encontrados são semelhante à aves.



9 de maio, Novas evidências de DNA mostram que os aborígenes australianos descenderam de migrantes que deixaram a África há cerca de 50 mil anos.



15 de maio,Crescimento do cérebro dos primatas seria um resultado do aumento de predadores a partir do momento que a África se uniu a Ásia.



24 de maio,descoberto que peixes que viviam há centenas de milhões de anos provavelmente já possuíam as ferramentas genéticas necessárias para criar mãos e pés ao longo da evolução.



25 de maio,Alguns dinossauros eram bons nadadores, afirmam cientistas que encontraram a primeira evidência fóssil de que esses répteis terrestres gigantes se deslocavam também pela água.



30 de maio. Brasileiros dizem ter provado que megamicróbio descoberto nos anos 1980 é primeira bactéria multicelular conhecidaO "Magnetoglobus", um ser de água salgada formado por 20 células, usa campos magnéticos para se guiar, como fazem alguns animais.



13 de junho, Estudo mostra que esponjas que não tem sistema nervoso, possuem genes responsáveis por sinapses.



13 de junho. Encontrado na China o maior espécie fóssil de dino ave. O Gigantoraptor que pesava 1400 kgs.



10 de julho. Insetos impulsionam a evolução das plantas em um caso clássico de evolução natural.



11 de julho, Cientistas apresentam mamute bebê congelado na Sibéria com olhos e tronco bem preservados.



12 de julho, Rápida evolução em borboletas de ilhas no Pacífico.



17 de julho. Um novo estudo demonstra que andar em duas pernas custa aos humanos apenas um quarto da energia despendida por chimpanzés, que, ao caminhar, apóiam-se também sobre as patas dianteiras. Mostrando vantagem adaptativa de bipedalismo.



27 de julho.Descoberta bactéria que faz tipo diferente de fotossíntese



17 de agosto.Proteína de 450 milhões de anos ajuda a revelar



23 de agosto. Gorila ancestral de 10 milhões de anos recua origem humana.



29 de agosto, Fóssil de abelha contendo parte da planta revela que sua existência data da época dos dinossauros




12 de setembro.Descoberto que repteis tinham ouvido moderno a 260 milhões de anos.



21 de setembro. Analise em ossos, indica que velociraptors tinham penas.



21 de setembro. Analise de ossos do Homo florensis confirma que se trata de uma espécie de homenideo anão. invés de um Homo sapiens com microcefalia.



28 de setembro. Mamute tem DNA codificado, se tornando a primeira espécie extinta a ter o código genético codificado.




1 de outubro. Cientistas que analisaram rochas com até 2,5 bilhões de anos de existência afirmam ter colhido evidências de que o oxigênio se tornou abundante na atmosfera terrestre muito antes do que os geólogos imaginavam



5 de outubro. Maxilar de neandertal descoberto na Espanha permite reconstituir a face do homenideo.



6 de outubro. Primeiro cromossomo é sintetizado em laboratório.




Descoberto esqueleto de dinossauro saurópode gigante na Argentina. O Futalognkosaurus dukei de 32 metros e 80 milhões de anos.



18 de outubro. Biólogos acham peixe que se esconde em árvores e consegue passar longos períodos de tempo longe da água.



19 de outubro. Em humanos e em muitas outras espécies, o macho envelhece mais rápido e morre antes do que a fêmea. Uma nova pesquisa realizada na Inglaterra sugere que isso acontece em função da intensa competição sexual,



5 de ovembro.Fóssil raro estica vida evolutiva das medusas
.Grupo teria surgido há 505 milhões de anos e diversificado rápido, diz estudo



21 de novembro.Pesquisadores europeus encontraram a garra fossilizada de um escorpião do mar de 2,5 m de comprimento em uma pedreira, na Alemanha,












quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Dinossauro que viveu há 110 milhões de anos é descoberto



Um grupo de paleontólogos anunciou hoje o descobrimento de um dinossauro de corpo frágil e com mais de 500 dentes, que viveu há 110 milhões de anos na região onde atualmente é o Deserto do Saara; a "vaca" da época Mesozóica.
Trata-se do Nigersaurus, um animal do tamanho de um elefante, mas com ossos finos, alguns dos quais da espessura de uma pena.
Os primeiros fósseis do Nigersaurus foram encontrados em 1997.
Jeffrey Wilson, um dos cientistas que o descobriu, acredita que a imagem tradicional de um dos seus parentes mais famosos, os Diplodocus americanos, com seus longos pescoços elevados e sua cabeça olhando para a frente é errônea, e que eles também, assim como o Nigersaurus, mal levantavam a cabeça em relação ao solo.
Caminhavam com a cabeça abaixada, em um ambiente repleto de predadores. Sobreviveram ao movimentarem-se em manadas, e a abundância de fósseis deste dinossauro no Níger leva a crer que era muito comum na Era Mesozóica, disse Wilson.
Outra singularidade deste dinossauro, de aproximadamente nove metros de comprimento, é seu baixo peso. Suas vértebras e o cérebro possuíam espaços sem carne, somente com ar, assim como os pássaros, que são parentes dos dinossauros.
Ao mesmo tempo, os ossos de suas pernas eram relativamente finos.
para reduzir o peso de sua estrutura, porque menos peso significa menos energia necessária para manter o corpo, segundo Paul Sereno, professor da Universidade de Chicago.
Esses descobrimentos projetam uma imagem de um animal relativamente vulnerável. "Não tem armadura e seus ossos são muito frágeis, como um pedaço de papel", embora reforçados com colágeno e tecidos de apoio, explicou Wilson.
Após uma década de estudo, o Nigersaurus ainda guarda mistérios.
Desconhece-se, por exemplo, a função de sua long
a cauda.

domingo, 14 de outubro de 2007

Cientista cria cromossomo que pode gerar nova forma de vida

Craig Venter desenvolve gene sintético a partir de substâncias químicas fabricadas em laboratório


LONDRES - O cientista americano Craig Venter, diretor do Venter Institute de San Diego, Califórnia, criou um cromossomo sintético que pode levar à criação da primeira nova forma de vida artificial na Terra, antecipa em sua edição deste sábado, 6, o jornal britânico The Guardian.

Em declarações à publicação, Venter explica como, a partir de substâncias químicas fabricadas em laboratórios, se chegou à elaboração de um cromossomo totalmente sintético.

O cientista deverá divulgar a descoberta dentro de algumas semanas, mas o anúncio poderá ser antecipado para a reunião anual do Venter Institute, que será realizada na segunda-feira.

Venter afirmou ao Guardian que esse marco científico representaria "um passo filosófico muito importante na história das nossas espécies". "Vamos deixar de somente ler nosso código genético a poder escrevê-lo, e isso nos dá a capacidade hipotética de fazer coisas que nunca antes contemplamos", afirmou.

Novas espécies

A descoberta, como lembra o jornal, provocará intensos debates sobre a ética da criação de novas espécies.

O Guardian adianta que uma equipe de 20 cientistas, escolhida pelo próprio Venter, e liderada pelo cientista americano Hamilton Smith, conseguiu criar um cromossomo sintético, algo que não tinha sido alcançado até o momento.

Com técnicas de laboratório, os especialistas juntaram um cromossomo de 381 genes que contém 580 mil pares de bases do código genético, segundo o Guardian.

A seqüência de DNA se baseia na bactéria "Mycoplasma", que a equipe reduziu aos elementos básicos necessários para a vida, e eliminaram uma quinta parte de sua composição genética. O cromossomo sinteticamente reconstruído foi batizado pela equipe como "Mycoplasma laboratorium".

Depois os especialistas transplantaram o cromossomo artificial para uma célula bacteriana viva, e na fase final do processo espera-se que o cromossomo tome o controle dessa célula para se transformar em uma nova forma de vida.

Genoma

O Guardian publicou que a equipe de cientistas conseguiu transplantar com sucesso o genoma de um tipo de bactéria à célula de outra, transformando-a.

Venter disse estar "100% convencido" que a mesma técnica funcionaria para o cromossomo criado de forma artificial.

Essa nova forma de vida dependerá de sua capacidade para duplicar a si mesma e se metabolizar na maquinaria molecular da célula na qual foi inserida.

No entanto, o jornal acrescenta que o DNA será artificial e é ele que controla a célula.

Venter acredita que os genomas têm um potencial positivo enorme caso sejam usadas de forma adequada e a longo prazo podem levar a descoberta de fontes alternativas de energia.


Fonte: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid61203,0.htm

sábado, 13 de outubro de 2007


Existe uma razão para o desdém dos gatos pelo açúcar – e seu amor pela ração úmida em vez da seca


por David Biello


Açúcar, condimentos e outras coisas gostosas parecem não ser nada atraentes para os gatos. Nossos amigos felinos se interessam por apenas uma coisa: carne (e também, é claro, uma soneca revigorante para poder continuar caçando, ou uma preguiçosa sessão de carinho). Isso não acontece só porque dentro de cada gatinho malhado se esconde um assassino pronto para agarrar um passarinho ou torturar um camundongo, mas também porque os gatos não possuem a capacidade de sentirem o sabor doce – diferentemente de todos os outros mamíferos pesquisados até hoje.


A língua da maioria dos mamíferos é recoberta por grupos de papilas gustativas, sendo que cada grupo possui receptores para detectar sabores específicos. Cada papila possui proteínas em sua superfície que se ligam à substância em contato com ela, ativando os mecanismos internos da célula e enviando uma mensagem ao cérebro, que por sua vez decodifica o sabor. Humanos possuem cinco tipos de papilas gustativas (possivelmente seis): azedo, amargo, salgado, doce e umami (sabor que alguns aminoácidos como o glutamato e o aspartato produzem). Existe também a possibilidade de possuirmos um sexto receptor que identifica o sabor de gordura. O receptor de doce é, na verdade, é formado por duas proteínas emparelhadas, produzidas por dois genes diferentes, o Tas1r2 e o Tas1r3.


Quando funcionam normalmente, as duas proteínas emparelhadas identificam quando algo de sabor doce entra em contato com a língua, e a informação é rapidamente enviada para o cérebro. Isso porque o sabor doce é sinal de que um carboidrato rico em energia está chegando. Os carboidratos são importante fonte energética tanto para os herbívoros quanto onívoros, categoria na qual nos encaixamos. Mas os gatos são provenientes de uma linhagem nobre – a dos carnívoros – ou seja, se alimentam exclusivamente de carne.


Seja a dieta alimentar a causa ou efeito, todos os felinos, leões, tigres, ou um gato rajado comum são desprovidos de 247 pares de bases nitrogenadas que formam o DNA do gene Tas1r2. Como resultado, não se codifica propriamente uma proteína, nem um gene, apenas um pseudo gene, o que não permite que os gatos sintam o sabor doce. “Os felinos não sentem o sabor doce do mesmo modo que nós”, afirma Joe Brand, bioquímico e diretor associado do Monell Chemical Senses Center, na Filadélfia. “Por um lado podemos dizer que os gatos são sortudos: você já viu como eles têm dentes saudáveis?”.


Brand e seu colega Xia Li descobriram o “pseudo-gene”, após décadas de evidências seguidas como, por exemplo, o fato de que os gatos não mostrarem nenhuma preferência entre água açucarada e água pura – fato que não acontece com outros animais, que tem interesse pela água adoçada. É claro que existem histórias de gatos que tomam sorvete, que comem algodão doce e correm atrás de marshmallows. “Talvez alguns gatos possam usar seus receptores Tas1r3 para provar açúcar em alta concentração.” Diz Brand. “É um fato incomum, e ainda não temos certeza” conclui.


No entanto, os cientistas sabem que os felinos conseguem provar sabores que nós não conseguimos definir, como o da adenosina trifosfato (ATP), o composto que fornece energia a cada célula viva. “Esse é um sinal de que estão comendo carne” Brand explica. “Vários outros animais possuem diferentes tipos de receptores”, explica Li. Desde galinhas, que também não possuem o receptor para doce, ao bagre, que consegue detectar aminoácidos na água mesmo em concentrações nanomolares. “Seus receptores são mais sensíveis do que a concentração de fundo,” explica Brand, “O bagre que consegue localizar a comida em decomposição mais rapidamente é o que tem mais chances de sobreviver”.


Até agora os felinos são os únicos mamíferos que não tem o “gene do doce”; mesmo seus parentes próximos, também carnívoros, como as hienas e mangustos possuem a capacidade de detectar o sabor doce. Além disso, os felinos podem não ter outras funções relacionadas ao aproveitamento (e digestão) de açúcares, como a glucoquinase, uma enzima encontrada no fígado, fundamental no metabolismo dos carboidratos e responsável por evitar o excesso de glicose no organismo. Apesar disso, os maiores fabricantes de rações para gatos nos Estados Unidos usam milho e outros tipos de cereais em suas formulações. “Talvez esse seja o motivo dos gatos começarem a apresentar problema de diabetes” sugere Brand. “A ração para felinos contém 20% de carboidratos. Os gatos não estão acostumados, e por isso o organismo não sabe como tratar adequadamente essa fonte de nutrientes.” É muito provável que esses incríveis predadores suburbanos estejam se machucando por não sentirem o sabor daquilo que estão ingerindo. Mas isso não quer dizer que os apaixonados por gatos devam se preocupar se o gatinho resolver caçar uma sobremesa mal vigiada.


sábado, 29 de setembro de 2007

Equipe decodifica DNA de pêlo de mamute e abre via de pesquisa



da France Presse, em Washington


Uma equipe internacional de pesquisadores conseguiu decifrar o DNA dos pêlos de um mamute da Sibéria de 12 mil a 50 mil anos de idade, o que abre caminho para a decodificação de inúmeras espécies extintas.


Recorrendo a um método de decodificação por síntese, os geneticistas conseguiram decifrar o DNA mitocondrial --somente transmitido pela mãe-- de 13 mamutes, entre eles o célebre mamute Adams, descoberto em 1799 e conservado desde então à temperatura ambiente num museu da Rússia.


Esse novo método deve permitir enriquecer com novos dados genéticos as coleções de Charles Darwin e dos naturalistas do século 18, o alemão Alexander von Humboldt e o sueco Carl von Linné, segundo os autores do estudo.


"Os dados genéticos já recopilados por este método abrem caminho para a decodificação da totalidade do genoma do mamute", afirmou Stephan Schuster, da Universidade da Pensilvânia (leste), um dos autores da pesquisa publicada na revista "Science".
O DNA fica bem preservado no pêlo, que pode ser achado facilmente nos ambientes frios. Além disso, o cabelo e o pêlo são preferíveis aos ossos como fonte de DNA antigo para obter a mitocôndria.


Até então, era necessário analisar antigos ossos para poder comparar, por exemplo, as características genéticas de elefantes e mamutes ou, inclusive, saber como esses últimos sobreviveram à era glacial antes de sua extinção.


Essas amostras de DNA provenientes dos ossos são bastante raras e geralmente estão contaminadas por bactérias. Em compensação, o DNA procedente dos pêlos é bem limpo porque foi preservado em queratina, uma espécie de membrana que parece plástica. A queratina forma 95% do pêlo e se encontra também nos chifres e nas unhas.
Outra vantagem é que o pêlo pode ser higienizado sem que se alterem seus materiais genéticos, explicaram os autores da pesquisa.


"Se pensarmos em todos os animais dissecados em museus de história do mundo e que pertencem a espécies extintas, há muito trabalho por fazer para decodificar seu DNA", afirma Thomas Gilbert, da Universidade de Copenhague e co-autor do estudo.
Antes dessa pesquisa, apenas sete genomas de animais de espécies extintas haviam sido decifrados em seu componente genético: quatro pássaros, dois mamutes e um mastodonte.
"Essa descoberta é uma boa notícia para todos aqueles que querem saber como alguns dos grandes mamíferos foram extintos", acrescenta Stephan Schuster.


Mas esses trabalhos também têm potencialmente outras aplicações, segundo o especialista Eske Willerslev, professor da Universidade de Copenhague. "O método ainda deve ser aprimorado para ser plenamente utilizado, por exemplo, por um médico forense --o que é apenas uma questão de tempo."


quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Orquídea conviveu com dinossauros, sugere novo fóssil


EDUARDO GERAQUE

da Folha de S.Paulo


O cenário botânico visto pelos dinossauros no final do Período Cretáceo (de 76 milhões de anos a 84 milhões de anos atrás) era provavelmente mais florido do que os cientistas imaginavam até agora.
A descoberta de um fóssil de abelha com uma "mochila" de pólen em seu dorso, encontrado na República Dominicana, é a responsável pela mudança.


"Além da importância em si, por ser o primeiro fóssil inequívoco de uma orquídea [representada por meio do pólen], a descoberta ajudou na calibragem da história evolutiva desse grupo vegetal", disse à Folha o pesquisador Rodrigo Singer, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).


Agora, os cientistas podem afirmar que o ancestral das orquídeas atuais já vivia na Terra no final do Cretáceo, um pouco antes de os grandes répteis sumirem, há 65 milhões de anos.
O botânico argentino, radicado em Porto Alegre desde 1995, é um dos autores do artigo que descreve o novo fóssil, publicado hoje pela revista científica britânica "Nature" (http://www.nature.com/).


"Não dá para falar que os dinossauros conviveram com muitas espécies de orquídea, mas sim que elas já existiam naquele tempo", afirma Singer.
Até hoje, por causa da falta de fósseis --alguns foram encontrados, mas não se tinha certeza de que se tratava de orquídeas--, a idéia vigente era outra. Esse grupo de plantas é um dos mais diversos do planeta, com quase 25 mil espécies. Mas os botânicos achavam que sua origem fosse mais recente.


"E, neste caso, ficaram registrados tanto a planta quanto o seu polinizador, a abelha", explica Singer, o que também tem importância científica.


Ambas espécies já estão extintas, mas elas têm parentes relativamente próximos ainda vivos. "O grupo das abelhas sem ferrão, o mesmo que existe no Brasil, é um exemplo."


O fóssil dominicano, descoberto em 2000, dentro de um pedaço de âmbar, tem entre 15 milhões e 20 milhões de anos. Sua descoberta permitiu aos pesquisadores rever todas as datas da árvore genealógica das orquídeas e concluir pela origem antiga do grupo, que teria explodido em diversidade após o final do Cretáceo.


Morta no ato
A cena que antecedeu o momento da fossilização, que acabou ficando para a posteridade, pode até ser imaginada.


No momento da morte, a abelha estava mergulhada na planta, se lambuzando na flor. No meio do banquete, foi aprisionada por um derrame de resina da árvore sobre a qual a planta vivia. Sorte da ciência.


Artigo do Ciencia Hoje