sábado, 26 de abril de 2008

Menina muda de grupo sangüíneo após transplante


Uma menina australiana mudou espontaneamente de grupo sangüíneo e adotou o sistema imunológico de seu doador após ter sido submetida a um transplante de fígado, um caso sem precedentes conhecidos, ressaltaram nesta quinta-feira fontes médicas.


Demi-Lee Brennan, acometida por uma grave doença, tinha 9 anos quando fez o transplante. Nove meses depois os médicos descobriram que havia mudado de grupo sangüíneo e de sistema imunológico para adotar os do doador, depois que as células-tronco do novo fígado migraram para sua medula óssea.


Agora ela vive com um fígado saudável aos 15 anos, disse Michael Stormon, um dos médicos responsáveis pelo seu tratamento. "É insólito, de fato não sabemos de nenhum outro caso em que isto tenha ocorrido", declarou Stormon. "Na verdade, foi submetida a um transplante de médula óssea. A maior parte de seu sistema imunológico também foi substituído pelo do doador", acrescentou.


Milagre

A mãe de Brennan, Kerrie Mills, classificou o fato de "milagre" e a própria paciente disse em uma entrevista coletiva à imprensa que os médicos a trouxeram de volta à vida. "Por mais que agradeça nunca será o suficiente. É como se fosse minha segunda chance", afirmou.


A equipe médica que tratou Brennan está muito interessada em analisar se é possível tirar proveito deste caso, levando em conta que a rejeição de órgãos do doador por parte do sistema imunológico do receptor é uma das principais barreiras para os transplantes.


Stormon considera que a menina pode ter sido beneficiada por "uma seqüência de acontecimentos fortuitos". É possível, disse, que uma infecção pós-transplante tenha permitido que as células-tronco hepáticas de seu doador tenham se proliferado em sua medula óssea, onde se desenvolveram as células sanguíneas.


A dificuldade está agora em estabelecer se é possível reproduzir este resultado em outros pacientes. "Nosso desafio agora é tentar entender como ocorreu", afirmou Stormon. "O Santo Graal da medicina do transplante é a imunotolerância. Ela é um exemplo de que pode ocorrer", concluiu.


AFP



sábado, 19 de abril de 2008

Cientistas encontram árvore mais antiga do mundo na Suécia

Pinheiro foi encontrado em Dalarna e calcula-se que tenha 9500 anos de idade

COPENHAGUE - Cientistas da Universidade de Umeå encontraram na província de Dalarna, no noroeste da Suécia, uma conífera de 9.550 anos, a árvore viva mais antiga registrada até o momento no mundo.

Se trata de um pinheiro da Noruega (Picea abis), uma conífera que se encontra por toda Europa, usada como pinheiro de natal nos países nórdicos, muito apreciada em jardinagem e do tipo que se empregou para fabricar os violinos Stradivarius.

Abaixo da copa de um pinheiro de uns quatro metros de altura no parque nacional de Fulufjället, em Dalarna, se acharam restos de seu sistema de raízes na camada superior de terra pertencentes a quatro gerações distintas, com idade de 375, 5660, 9000 e 9500 anos, disse Leif Kullman, professor de geografia natural da Universidade de Umeå (Suécia) e diretor da pesquisa.

A idade dos restos foi determinada através do método do Carbono 14 em um laboratório de Miami, Estados Unidos.

Na América do Norte se tinham encontrado explares de pinheiros de 4000 e 5000 anos.

A longevidade dessa árvore se explica por sua capacidade de clonar-se a si mesma, de modo que das reservas da raiz nascem novos talos e tronco, e para adaptar-se às mudanças climáticas, evoluindo de árvore a arbusto engolido por si mesmo.

Em toda a cadeia montanhosa sueca, que se extende desde a Lapônia, ao norte, até Dalarna, ao sul, fazendo fronteira com o Noruega, os investigadores suecos encontraram um conjunto de pinheiros com mais de oito mil anos de idade.

Kullman cree que esses achados põem em questão a teoria de que o pinheiro era uma espécie tardia chegada à Suécia, quando na realidade foi uma das primeiras plantas a assentarem-se ali.

"Minhas investigações apontam a que o pinheiro passou a era glacial a oeste e sudoeste da Noruega, onde o clima não era tão frio, para logo extender suas sementes rapidamente ao norte e pela costa, e daí para as montanhas suecas", ressaltou.

A capacidade de adaptação desta espécie permite utilizá-la para obter pistas sobre os efeitos da mudança climática na atualidade.

O aumento das temperaturas em um grau no verão nesta zona no último século tem feito que os pinheiros mudem de forma e aumentem a altura, segundo Kullman.

A pesquisa faz parte de um estúdio sobre as povoações de árvores na Escandinávia durante a era do degelo, realizado em colaboração com as autoridades provinciais de Jämtland e Dalarna.

http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid158053,0.htm

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tigre-da-Tasmãnia



O lobo-da-tasmânia ou tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus) é um marsupial carnívoro da ordem Dasyuromorphia, extinto em 1936 que viveu na Tasmânia, ilha a sul da Austrália, no atual Holoceno.

Apesar do nome, este animal não está relacionado com os lobos ou com os tigres, que são mamíferos placentários. No Plistoceno, o lobo-da-tasmânia estava distribuído pela Austrália e Tasmânia, onde era predador de topo de cadeia alimentar. Foi descrito primeiramente em 1792 pelo naturalista frances Jacques Labillardière.

Em aparência, o lobo-da-tasmânia era semelhante a um cão de pelo curto e focinho afilado, com riscas verticais nos quartos traseiros, cerca de 16 a 17 listras, sendo a pelagem cor bege com onalidade creme no abdômen, que deram origem ao nome tigre-da-tasmânia. O comprimento era de até 1,80 m e mais 60 cm de cauda do tamanho de um "grande cão" com uma cauda rígida, sendo os machos um pouco maiores que as fêmeas, estas possuindo uma bolsa característica dos marsupiais, mas que, ao contrário dos outros marsupiais, abria para a parte traseira do animal.

O lobo-da-tasmânia apresentava muitas semelhanças com os membros da família Canidae (cão) do Hemisfério Norte: dentes afiados, mandíbulas poderosas, digitígrados e a mesma forma geral corpo. Este é um exemplo de evolução convergente. Dado que o lobo-da-tasmânia ocupou o mesmo nicho ecológico na Austrália como a família do cão fez noutras regiões, desenvolveram muitas características idênticas. Apesar disso, esta espécie não está relacionada com qualquer dos predadores do hemisfério norte - o seu parente mais próximo vivo é o Demônio-da-Tasmânia (Sarcophilus harrisii).

Era um caçador solitário, caçando às vezes em pares, seu método era escolher um animal, como um pequeno canguru e então segui-lo até cansá-lo, pulando então sobre ele e matando-o com suas fortes maxilas, as quais podiam atingir uma abertura angular de 120 graus.

O lobo-da-tasmânia era exclusivamente carnívoro. Seu estômago era musculoso com a capacidade de distender-se para permitir que o animal comesse grandes quantidades de alimento de uma só vez, provavelmente uma adaptação compensatória para os longos períodos em que a caça era mal sucedida e o alimento escasseava. Análise das observações esqueletais do animal em cativeiro é ele que escolhe um animal como alvo e que persegue-o até que o mesmo esteja esgotado. Alguns estudos concluem que o animal pode ter caçado em grupos familiares pequenos com o grupo principal que agrupa a rapina no sentido geral de uma espera individual na caça caçadores relataram-no como um predador solitário, que caçava desde marsupiais como cangurus, koalas e wombats até aves. Era um caçador noturno e crepuscular.

A intenção dos colonos de transformarem a Tasmânia em uma extensão da Inglaterra deu origem à criação de rebanhos de ovelhas. Isto, por sua vez, fez com que cães selvagens, que viviam naquele local antes dos colonos, atacassem as ovelhas. Porém os lobo-da-tasmânia não caçavam as ovelhas, mas eles foram dados como culpados pela caça delas, já que eram animais estranhos e considerados carniceiros. Assim os donos de rebanhos caçaram os lobos-da-tasmânia até à sua extinção. Criadores de ovelhas e o próprio governo ofereciam uma boa recompensa em dinheiro pela sua captura e então ele foi caçado impiedosamente de 1840-1909. Espécimes vivos apanhados em armadilhas eram logo comprados por zoológicos no exterior, animais mortos eram "trocados" por recompensas financiadas pelo governo, e somado ao fato da população de tigres-da-tasmânia ter sido reduzida por uma séria doença desconhecida que devastou grande parte da vida selvagem da Tasmânia há muitos anos. Por volta de 1914, mais de 2000 lobos-da-tasmânia tinham sido massacrados e a espécie continuou a diminuir em número até se extinguir. Sem dúvida o homem foi o maior responsável por sua dizimação. O tigre-da-tasmânia foi considerado oficialmente extinto quando o último espécime morreu em 7 de Setembro de 1936, no zoológico de Hobart, Tasmânia. Se chamava Benjamin e só após sua morte descobriram que era um fêmea. Seu desaparecimento se deu porque nessa época os zoológicos não tinham o objetivo de salvar espécies ameaçadas como hoje em dia.

Após seu desaparecimento, seu nicho foi ocupado pelo diabo-da-tasmânia.

Nos últimos anos surgiram especulações sobre a possibilidade de clonar o lobo-da-tasmânia e trazer esta espécie à vida. O problema principal foi encontrar DNA em boas condições, algo que as centenas das células poderiam conservaram, mas no formol não permanecia nenhuma. Não desistindo, em 1999, um grupo de cientistas australianos abriu uma porta para a esperança, porque um frasco de 1866 estava nos fundos de um museu que conservasse um jovem lobo-da-tasmânia em seu interior, conservado em uma solução de álcool e não de formol. O álcool, não destrói todo DNA, e pode conservar a integridade do DNA durante todo período em que foi conservado. Em 2000 a extração aparente do DNA em bom estado foi anunciada, e em 2002 a réplica bem sucedido desse material genético, sem falhas. Em Fevereiro de 2005 o governo australiano deu marcha-ré ao projeto e cancelou o financiamento, forçando sua paralisação. Talvez no futuro possa ser reiniciado, mas não há nenhuma data prevista para o retorno do lobo-da-tasmânia.






Referencias:


http://wikipedia.org

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O predador dos mares

Colunista apresenta o crocodiliforme extinto de hábito marinho que acaba de ser descrito por pesquisadores brasileiros

Paleontólogos brasileiros anunciaram esta semana uma importante descoberta que deve nos ajudar a entender como evoluíram os répteis que habitaram os mares do passado. O Guarinisuchus munizi, encontrado em Pernambuco, viveu na costa do Nordeste brasileiro há cerca de 62 milhões de anos e é o mais completo representante na América do Sul de um grupo de répteis conhecidos como dirossaurídeos.

Os dirossaurídeos, por sua vez, se incluem em um grupo mais amplo, que possui uma história única no registro geológico da Terra: os crocodiliformes. Esses répteis surgiram há aproximadamente 200 milhões de anos e sobreviveram a diversos eventos de extinção em massa no planeta até chegar aos dias de hoje. Nesse intervalo, eles se modificaram e se adaptaram com o passar do tempo.

Hoje esses répteis contam com apenas 23 espécies, representando três grupos: jacarés, crocodilos e gaviais. Mas no passado, como já vimos em outra coluna , a diversidade era enorme, com espécies de hábitos completamente terrestres e outras totalmente marinhas, como a que acaba de ser descoberta.

Descoberta inesperada
Há cerca de cinco anos, os colegas José Antonio Barbosa e Maria Somália S. Viana estavam realizando uma atividade de campo rotineira na Mina Poty, situada ao norte de Recife (PE). Essa mina é um dos poucos lugares no Brasil onde se registra o limite entre os períodos geológicos Cretáceo e Paleógeno (ou K/Pg – antigo K/T). Esse limite marca a extinção de diversos grupos, incluindo a maioria dos dinossauros.

Antonio e Somália encontraram, cerca de 11 metros acima do limite K/Pg, ossos e dentes envoltos em rochas calcárias de coloração cinza. No início não estava bem claro a que animal pertenciam, mas eles sabiam que era algo muito importante. Até então, os únicos vertebrados que aquelas camadas – designadas de Formação Maria Farinha – tinham fornecido eram dentes de tubarões, peixes ósseos, placas de tartarugas e ossos isolados de crocodiliformes marinhos do grupo dos dirossaurídeos.

Esse grupo de répteis, bastante raro na América do Sul, foi um dos poucos a ter sobrevivido à extinção do K/Pg. No Brasil, seus restos sempre se limitaram a ossos isolados – basicamente vértebras e dentes –, justamente da Mina Poty e arredores. Existia, ainda, um exemplar meio obscuro que tinha recebido o nome de Hyposaurus derbi no século 19.

Reconhecendo a importância da descoberta, eles coletaram os ossos e iniciaram a penosa tarefa de preparação do material, que contou, além de Antonio, com um grande esforço de Marcia Cristina da Silva, então aluna de Somália. A preparação acabou sendo finalizada no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com financiamento da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).

O mais completo dirossaurídeo sul-americano

À medida que a preparação avançou, constatou-se que o exemplar em questão era não só o mais completo representante dos dirossaurídeos da América do Sul, mas também uma nova espécie, que recebeu o nome de Guarinisuchus munizi. ‘Guarini’ vem do tupi e significa guerreiro; ‘suchus’ é um termo que vem do grego e é comumente empregado na descrição de crododiliformes extintos. Com o nome específico os pesquisadores fizeram uma justa homenagem ao paleontólogo Geraldo da Costa Barros Muniz, que muito contribuiu para a pesquisa de fósseis no Nordeste.

De forma geral, os dirossaurídeos possuem a parte anterior do crânio relativamente comprida e fina lateralmente, o que lhes dá um aspecto tubular. Os dentes são grandes, delgados e pontudos, o que os diferencia bem dos demais crocodiliformes, incluindo as formas recentes. O Guarinisuchus munizi também possui as aberturas temporais na parte superior do crânio bem desenvolvidas, maiores do que as órbitas, outra característica que permite classificá-lo no grupo dos dirossaurídeos.

Poucos dirossaurídeos são conhecidos, a maioria procedente de depósitos da África. O estudo dos cientistas brasileiros mostrou que o Guarinisuchus munizi era aparentado com algumas formas africanas, o que permitiu estabelecer uma teoria sobre a dispersão desses animais: a partir de sua suposta origem na África, eles teriam chegado primeiro à América do Sul para, dali, alcançar o litoral da América do Norte.

Porém, existe um outro ponto de destaque dessa pesquisa, publicada esta semana na Proceedings of the Royal Society B, com participação deste colunista. Na Mina Poty, as rochas do período Cretáceo, que são mais antigas do que 65 milhões de anos (situadas, portanto, baixo do limite K/Pg), possuem restos (sobretudo dentes) de um outro grupo de répteis marinhos chamado de mosassauros ou lagartos marinhos.

Esses restos haviam sido estudados primeiramente pelo importante pesquisador brasileiro Llewellyn Ivor Price (1905-1980). Uma nova análise do material, feita pelos paleontólogos Luciana Carvalho e Sergio Azevedo (ambos do Museu Nacional), indicou a existência de uma diversidade de mosassauros, com várias espécies

Substitutos dos mosassauros?

Sabendo disso e levando em conta também que, acima do limite K/Pg, não são mais encontrados restos de mosassauros, mas sim o Guarinisuchus munizi, Antonio e seus colegas puderam propor uma hipótese. Os pesquisadores acreditam que, após a extinção dos mosassauros, os dirossaurídeos passaram a ser os principais predadores dos mares do passado nas antigas costas brasileiras.

Resta agora saber se esse padrão de substituição dos mosassauros por animais como o Guarinisuchus munizi foi algo local, restrito ao Brasil, ou um fenômeno mundial, como acreditam os autores. Para que se tenha uma melhor avaliação dessa hipótese, são necessários agora estudos mais detalhados da distribuição dos dirossaurídeos e dos mosassauros.

Além disso, seria importante que houvesse mais estudos estratigráficos, particularmente na África, onde os dados geológicos dos lugares com restos desses répteis extintos ainda são meio confusos.

Uma reconstrução em vida de Guarinisuchus munizi de 3 metros, ambientada com fósseis originais da Mina Poty, encontra-se exposta no Museu Nacional, situado no parque da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Cidade Maravilhosa. Esse belíssimo trabalho, com um realismo fora do comum graças ao excelente trabalho do paleoescultor Claudio Salema e do museólogo João Carlos Ferreira, retrata essa "fera" dos mares que aterrorizava as costas nordestinas há 62 milhões de anos.

Alexander Kellner
Museu Nacional / UFRJ
Academia Brasileira de Ciências
26/03/2008

Mais informações e imagens estão no (ótimo) artigo original
http://cienciahoje.uol.com.br/115515

terça-feira, 25 de março de 2008

Aves da Noza Zelândia

POR EDUARDO REAL




As ilhas da Nova Zelândia, localizadas na porção sul do planeta se encontram isoladas das grandes massas continentais, apresenta clima diferenciado e relevo acidentado que aparentemente formam um lugar inóspito, mas que originaram um ecossistema único.



O arquipélago fazia parte de Gondwana, um supercontinente que englobava África, América do Sul, Antártica e Austrália. Da qual se separou por volta de 80 milhões de anos atrás, tendo entre os animais nativos aves primitivas e nenhum mamífero. E devido ao seu isolamento relativo os segundos não chegaram até o local originando uma fauna dominada por aves, répteis e insetos e que não possuía mamíferos – exceto três espécies de morcegos.

Assim, nesse meio ambiente os nichos ecológicos que em outros lugares são ocupados por mamíferos foram ocupados pelas aves. Originando espécies com adaptações incomuns para as aves e variedades que não aparecem em nenhum outro local. Tendo uma extraordinária diversidade delas até a chegada do homem.


Também houve a preservação de parte da biodiversidade original de Gondwana, mesmo vegetais como as Podocarpáceas e as faias que pouco alteraram suas formas em milhões de anos, as poucas árvores não originais vieram a bordo nos intestinos das aves migratórias. Muito da fauna de artrópodes e de vertebrados foi mantida como anfíbios incomuns e o tuatara. A maioria dos imigrantes veio da Austrália e alguns pássaros são originários da ilhas Caledônias que são muito semelhantes.

Neste período, um grupo que teve presença marcante foi os moas, aves não voadoras extintas e endêmicas pertencentes à família Dinornithidae. Estão entre as maiores aves que já existiram, com dimensões maiores que a dos avestruzes, tendo mais de 2 metros de altura e pesavam em torno de 250 kg. A maior espécie era o Dinornis robustus com mais de 2,5 metros e 300 kg.


Eram herbívoras e se alimentavam de vegetais dentro das florestas neozelandesas, onde possivelmente viviam em pequenos grupos. Uma das características mais marcante são suas asas completamente atrofiadas, não possuindo mais ossos e nem as junções delas com o corpo, mostrando a que ponto chegou sua adaptação ao habitat terrestre. Possuíam pernas fortes com pés grandes, pescoço longo e cabeça pequena acompanhada de um bico reto com narinas bem desenvolvidas. Outra característica evidente é o dimorfismo sexual, as fêmeas tinham um porte bem maior que o dos machos, tanto que os primeiros analisarem os seus ossos chegaram a classificar indivíduos de sexos diferentes em espécies separadas.



Os moas ocupam um nicho que nos continentes é preenchido pelos mamíferos ungulados. Era o herbívoro dominante em seu ecossistema, apesar da presença de aves que ocupavam nichos semelhantes como o Adzebill, muito parecido com o moa, mas com tamanho menor.

Outra ave muito comum na Nova Zelândia é o kiwi. Do tamanho de uma galinha, é parente dos moas e também a menor ave ratita do mundo. Assim como as aves deste grupo, não voam. Mas com o diferencial de que as asas, assim como os moas, se encontram muito atrofiadas e escondidas embaixo das penas que tem o formato de pelos, dando a impressão de serem inexistentes. Também não possuem outras estruturas para o vôo como a fúrcula e nem penas rígidas como os pássaros voadores. Apesar da semelhança entre os dois grupos, análises do DNA mitocondrial mostram que os moas são mais aparentados a casuares e emus. Outra característica incomum é a sua visão deficiente, ao contrário da maioria das aves, e olfato muito desenvolvido que lhe permite farejar minhocas que estão debaixo do solo. Se alimenta de minhocas, vermes, larvas, frutas e sementes que apanha com seu longo bico. Tem hábitos noturnos, para evitar predadores.

Uma ave com hábitos muito semelhantes aos dos kiwis é o kakapo (Strigops habroptilus) uma espécie de papagaio noturno, nativo do local. É o único Psitacídeo incapaz de voar. Suas asas pequenas servem apenas para que mantenham o equilíbrio ao andar entre os galhos. Não possuem musculatura para o vôo e suas penas não são rijas como a de aves voadoras, sendo invés disso muito macias e que providenciam uma boa camuflagem.



Dessa forma, o kakapo segue a tendência de diversas aves que habitam ilhas oceânicas. Como não possuem predadores em terra, indivíduos com asas atrofiadas e grande tamanho corporal e prosperaram. De modo semelhante ao kiwi possui hábitos noturnos, tem uma visão débil e olfato apurado. As penas localizadas próximas ao seu bico, que são especializadas, funcionam como bigodes sensoriais que o ajudam a se locomover na escuridão. Outra característica exótica é o seu odor intenso, descrito como uma mistura de flores e mel. Em geral, os animais não desenvolvem um cheiro forte para não serem detectados por predadores, porém por ali todos eles eram aves de rapina que usam a visão para caçar e tem olfato pouco desenvolvido. Sua camuflagem é a única defesa efetiva contra eles.



Em seu ambiente, o kakapo ocupa o mesmo papel ecológico que os roedores e pequenos mamíferos. Comem frutos, sementes e pólen e eventualmente de invertebrados. Sua fonte de alimento favorita é um fruto chamado rimu, ao qual sua temporada de frutificação está associada período de reprodução da ave.

Estes são alguns exemplos de espécies que são muito diferentes das encontradas em outras regiões do globo. Outra “esquisitice” é o pato-de-finsch (Chenonetta finschi), um parente do Pato-Australiano-da-Madeira, que não podia voar e vivia distante da água. É o único anatídeo já descoberto que não voa e que tem um modo de vida desassociado do ambiente aquático. Seus ossos foram encontrados longe de lagos e rios e em pontos onde no passado não eram cursos de água. Pela quantidade de exemplares descobertos se supõe que eram numerosos nestas ilhas.


Entre as aves voadoras estão os que são mais parentes mais próximos dos primeiros passeriformes – segundo as amostras de DNA. E Exemplos interessantes de adaptações como o kokako (Callaeas cinerea) uma ave cinza-ardósia que possui uma barbela que funciona como órgão-canoro. Permite que seu canto seja ouvido a quilômetros. Raramente voa a distâncias superiores a 100 metros, se movem pulando de galho em galho, ao qual é muito comparado aos esquilos. Come frutas, flores, samambaias e invertebrados.
Outro é o kereru (Hemiphaga novaeselandiae) um pombo nativo que foi pouco afetado pela extinção em massa que afetou o local. Tem hábitos idênticos a de outros pombos, uma curiosidade é o fato de ser 100% vegetariano, um frugivoro que tem papel destacado na disseminação de drupas. Além do falcão e da coruja neozelandeses que predavam espécies menores


Mas a maior ave voadora e uma das maiores aves de rapina que já existiram foi a Águia-de-Haast (Harpagornis moorei) que media até 3 metros de envergadura e pesava cerca de 14 kg. Sendo evidente a diferença de tamanho entre macho e fêmea, esta última podia alcançar as medidas apresentadas acima enquanto o macho era consideravelmente menor chegando a 2,5 metros e 10 kg.


Alimentava-se das aves não-voadoras da Nova Zelândia como o moa, o pato-de-finsch, o takahe e o kiwi. Estando no topo da cadeia alimentar de seu ecossistema. . Já foram encontrados ossos de moa com grades danos na cintura pélvica, indicando a grande força do rapinante, já que um moa podia ter quinze vezes o seu peso.

Ao que indica podia se mover pelo ar com grande habilidade usando sua cauda -que media até 50 centímetros – para controlar a altitude e suas asas para passar por entre as densas florestas. E suas pernas e músculos fortes permitiam levantar vôo do solo, apesar de seu peso. Podia atacar a uma veloc
idade estimada em 80 km/h atingindo sua presa na bacia e matando com um golpe no pescoço. Suas garras eram perfeitas armas de matar e seu bico encurvado era ideal para abrir a presa e arrancar seus órgãos internos. Como
não havia animais necrófagos uma única carcaça poderia alimentar uma águia por dias. Seu nicho ecológico é muito semelhante ao dos grandes mamíferos carnívoros como tigres, ursos e lobos.


Sabe-se muito pouco sobre seu comportamento, a não ser que caçava de dia e provavelmente vivia em casal.
Porém com a chegada dos Maoris – povo vindo das ilhas Polinésias – por volta do século XV. A fauna do local sofreu grande impacto. Os recém-chegados começaram a caçar os animais nativos, como o moa que servia de fonte de alimento. Sendo caçado constantemente. É o que mostram diversos ossos quebrados e carbonizados, além de colares feitos do mesmo material. Levando a espécie à extinção em menos de cem anos após a vinda dos primeiros humanos. Destino compartilhado por outras aves de grande porte. Não há indícios de que a Águia-de-Haast tenha sido caçada pelos maoris, porém ela também desapareceu devido ao fim de suas presas habituais.

A ação direta do homem não foi o único fator que dizimou diversos pássaros. Com ele vieram espécies invasoras que causaram danos enormes, como o rato-do-pacífico que chegou com os primeiros habitantes. E tal situação se agravou com a chegada dos europeus, que além de caçá-las trouxe uma grande variedade de mamíferos que desestruturaram as populações locais. Como a introdução de mustelídeos como o arminho e a doninha para o controle de coelhos. Mas esses invasores também atacaram aves que fazem ninho no chão. Aves como o kiwi foram seriamente afetadas e outras como a codorniz-da-Nova-Zelândia (Coturnix novazelandiae) foram extintas. Ainda houve espécies como o Takahe que foram consideradas extintas, mas posteriormente foram redescobertas por pesquisadores.


Outro que sofreu foi o kakapo, que antes era uma espécie bem sucedida tendo milhões de indivíduos. Servia de fonte fácil de alimento para os maoris, mas os mamíferos carnívoros causaram um grande estrago. Era um inimigo contra o qual não sabiam se defender. Seu forte cheiro se tornou uma


grande desvantagem, com o olfato apurado os novos predadores aprenderam a identificá-lo facilmente. Quando em perigo, o kakapo fica

paralisado a espera que sua camuflagem o proteja, o que pode ter funcionado com


seus antigos predadores de olfato pouco desenvolvido, mas que não deu certo contra os invasores. Hoje o kakapo é uma ave em perigo crítico de extinção, tendo atualmente uma população de apenas 86 indivíduos.


As espécies extintas antes da colonização inglesa, só se tornaram conhecidas pela biologia com a descoberta de suas ossadas. Em 1839, John Harris achou um fêmur e mandou para o paleontólogo inglês Richard Owen que analisou e constatou ser de uma grande ave. O que foi confirmado depois com a descoberta de vários ossos similares de moas. Em 1872, o pelo naturalista alemão Julio Von Haast descobriu esqueletos que haviam pertencido a uma grande ave de rapina batizada em homenagem ao seu descobridor. Acredita-se que uma pequena população de moas possa ter sobrevivido até por volta de 1830 em um ponto remoto da porção sul.


As aves da Nova Zelândia oferecem um ótimo exemplo de como os nichos ecológicos vagos atuam na diversificação de diversas espécies e como o isolamento causado pelas ilhas gera seres vivos anacrônicos. Também mostra como esses seres vivos são frágeis ao avanço do homem e à introdução de predadores e competidores. Um triste testemunho do que nossas ações podem causar.
Antes mesmo da presença maori alguns animais desapareceram. É o que aconteceu com todas as espécies de pingüins e algumas aves marinhas que residiam no litoral, fenômeno que possivelmente aconteceu devido a mudanças climáticas que também afetaram a diversidade em todo planeta. Porém a mão humana causou os maiores estragos.


Referencias:















quarta-feira, 19 de março de 2008

Animais extintos: Dodô

O blog Evolução e Biologia começa uma seção de textos sobre animais extintos pelo homem. Este é um tema fascinante, retrata espécies que desapareceram, que nunca veremos pessoalmente em um zoologico ou em seu ambiente natural. E por mais que estudemos o que restou deles talvez nunca conheceremos caracteristicas existentes neles, o que os deixa ainda mais intrigantes. E tais seres vivos servem de testemunho para mostrar como nossas ações podem ser destrutivas.

A série começa com a ave que se tornou um símbolo das espécies extintas.

DODÔ


O dodô ou dronte (Raphus cuculattus) é um a ave não-voadora extinta que era endêmica da ilha Mauricio e das Ilhas Mascarenhas, no Oceano Indico.

Media cerca de 1 metro de altura e peso em torno de 16 kg. Se alimentava de frutos e fazia ninho no chão. Tinha uma plumagem cinzeta e um bico grande e maciço, bem caracteristico .Não podia voar, tendo as asas atrofiadas e era uma ave muito lenta e desengonçada e que andava muito mal. Por essa razão foi chamado pelos portugueses de “pássaro doudo” (doido) sendo depois chamado pelos holandeses de dodô. E essa lentidão fez dessa ave um alvo fácil para os marinheiros, o que foi agravado pelo fato de não ter medo do homem. Quando um era morto os que estavam próximos não tentavam fugir e nem se esconder. Os marujos abatiam vários deles, que por serem ricos em carne encontravam neles uma boa fonte de alimento.

A situação se agravou quando os primeiros colonos chegaram na ilha trazendo espécies invasoras como ratos, cães e porcos que atacavam seus ninhos. O último dodô foi caçado em 1681 e nenhum exemplar completo foi preservado.

Recentemente, pesquisadores analisaram o DNA mitocondrial da ave e descobriram que o dodô é parente dos pombos. Descendendo de pombos migratórios que se estabeleceram na ilha a milhões de anos e foram evoluindo para formas de grande porte e perderam a capacidade de voar devido ao ambiente rico em comida e sem predadores.
Fontes

segunda-feira, 3 de março de 2008

Estudo: sapo gigante podia comer bebês-dinossauro


Uma equipe de arqueólogos americanos encontrou o fóssil de um sapo pré-histórico gigante, que seria capaz de comer filhotes de dinossauro existentes em sua época. O "sapo diabo", como foi batizado, além de ser do tamanho de uma bola de boliche, possuia uma grande boca e mandíbulas poderosas.


O animal, que recebeu o nome científico de Beelzebufo - uma mistura de "Belzebu" com "sapo", em latim - pesava cerca de 4,54 kg e media 40,6 cm de comprimento. Ele foi achado em Madagascar, na África, por pesquisadores da Stony Brook University, de Nova York.
A descoberta foi divulgada na edição de hoje do jornal Proceedings of the National Academy of Sciences.
O arqueólogo David Krause, um dos responsáveis pelas escavações, informou que o anfíbio era capaz de comer dinossauros recém-nascidos. Maior do que qualquer sapo vivo atualmente, ele também pode ter sido o maior da espécie em todos os tempos.
Para Krause, "não é impossível que o Beelzebufo abatesse lagartos, mamíferos, sapos menores e até dinossauros recém-nascido". "Deve ter sido um bicho bem malvado", confirmou Susan Evans, paleontóloga do University College de Londres, que também participou da pesquisa.
Segundo o arqueólogo, "este sapo, se tivesse semelhanças com os familiares que vivem hoje no continente, teria hábitos um tanto quanto vorazes", afirmou.
Krause informou que os primeiros ossos do sapo diabo foram encontrados em Madagascar, na costa da África, em 1993, mas somente agora conseguiram juntar fragmentos suficientes para chegar ao que realmente teria sido o animal. A criatura teria habitado o período Cretáceo, há 70 milhões de anos, em uma região onde também foram achados fósseis de dinossauros e crocodilos.
O Beelzebufo provavelmente vivia num ambiente semi-árido e caçava usando sua camuflagem, saltando de forma inesperada sobre suas presas. Embora fosse o rei dos sapos, o animal não é o maior anfíbio que já existiu. Animais como o Prionosuchus, do período Permiano (que terminou há 250 milhões de anos), pareciam crocodilos e chegavam a 9 metros.
O maior animal da espécie encontrado atualmente no planeta é o sapo Golias, que habita o oeste da África e pesa pouco mais de 3 kg.