sábado, 2 de maio de 2009

"Elo perdido" explica evolução das focas


RICARDO BONALUME NETO

da Folha de S.Paulo


Um fóssil achado no Canadá é um bicho tão original que merece ser descrito pelo mais velho e surrado clichê da evolução biológica: trata-se do "elo perdido" entre mamíferos aquáticos como focas e morsas e seus ancestrais terrestres.
Os mamíferos conhecidos como pinípedes têm nadadeiras que facilitam a natação, mas tornam sua movimentação em terra pouco eficiente. O fóssil de 23 milhões de anos batizado Puijila darwini tem membros robustos para andar, mas seus ossos indicam que haveria membranas entre os dedos semelhantes às de uma ave aquática, um tipo de "pé-de-pato".

Antes dessa descoberta, o pinípede considerado o mais antigo era o Enaliarctos, achado na costa noroeste da América do Norte, e dotado de nadadeiras. O Puijila está descrito em estudo na edição de hoje da revista "Nature", liderado por Natalia Rybczynski, do Museu Canadense da Natureza.

O nome Puijila darwini homenageia o naturalista Charles Darwin, pai da teoria da evolução, que previu a existência de uma forma de transição entre esses animais. Puijila é a palavra para "pequeno mamífero marinho" na língua dos esquimós da região do achado.

Os primeiros vestígios do mamífero foram achados em 2007 num lago criado na cratera do impacto de um meteoro. Uma expedição em 2008 achou mais pedaços. Ao todo, 65% do esqueleto foi desvendado.

A região do Ártico é considerada a área de origem dos pinípedes. Há 23 milhões de anos o clima era ameno como o de uma região temperada. Vivendo primeiro em lagos de água doce, os animais foram se adaptando à vida aquática a ponto de passar a caçar no mar. O achado dá uma visão de como seriam os pinípedes antes de passarem a ter nadadeiras, segundo Rybczynski, que chefiou a expedição de campo.

O fóssil retém uma longa cauda e membros com proporções mais semelhantes às de carnívoros terrestres do que dos pinípedes atuais. Mas alguns ossos indicam que ele levava uma vida semiaquática.

A passagem da terra para o mar aconteceu diversas vezes entre os mamíferos, indicam as lontras, o peixe-boi-marinho, as baleias e os golfinhos.

"Essa transição é caracterizada por inovações associadas com muitos aspectos da vida, incluindo locomoção, alimentação e reprodução. O registro fóssil tem documentado os primeiros estágios de algumas dessas transformações, com mais sucesso no caso das baleias a partir de artiodáctilos terrestres", escreveram os autores. Artiodáctilos são mamíferos ungulados (com casco) e com número par de dedos nas patas, como o boi e o camelo.

Em 2007, o "elo perdido" das baleias foi identificado como um pequeno artiodáctilo fóssil, o Indohyus, achado na Índia. Mas só agora, com a descoberta do fóssil canadense, é que a primitiva evolução dos pinípedes passa a ser melhor conhecida.

O sítio paleontológico no Canadá tem ainda peixes, aves e outros fósseis, como coelhos, rinocerontes e os ancestrais das modernas girafas e veados.


quarta-feira, 29 de abril de 2009

Pombo-passageiro


O pombo passageiro vivia na América do Norte, provavelmente a ave mais abundante no século 17. Estima-se que havia até 5 bilhões de pássaros somente nos EUA.
O maior bando conhecido tinha quase 2 bilhões de aves, que voando ocupavam um espaço de 1,6 km de largura por 500 quilômetros de comprimento. Sua passagem por uma cidade levava dias seguidos.

O pombo passageiro começou a ser caçado pelo homem como alimento. Depois se descobriu que poderia ser usado em ração para porcos e até como fertilizante.
Nos séculos 17 e 18, sua carne aparecia em quase todas as refeições dos escravos. Em 1805, um par de pombos passageiros custava 2 centavos de dólar em Nova York.
Em 1850 notaram que o número de pombos havia caído drasticamente. As fêmeas botavam apenas um ovo por vez e seriam necessários alguns anos para a população se recuperar, mas não deu tempo.
Acredita-se que todos os pássaros do último grupo tenham sido mortos em um único dia, em 1896, quando aproximadamente 250 mil indivíduos foram abatidos numa caçada esportiva. Em 1900, um garoto de Ohio matou o último exemplar selvagem.

Restou apenas um pombo passageiro em cativeiro, uma fêmea chamada Martha, que morreu no zoológico de Cincinnati, Ohio, em 1914. Seu corpo conservado está em exposição no Museu Nacional de História Natural em Washington.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Camarão-pistola

O camarão-pistola é um dos seres vivos mais interessantes que existem. O crustáceo vive em águas tropicais profundas e tem uma arma de ataque única: uma garra assimétrica, que ao ser fechada, produz uma pequena bolha que ao estoura gerando uma explosão com temperatura próxima a da superfície do Sol. A pressão gerada pode matar pequenos peixes e invertebrados.

A pequena explosão gera grande barulho, tanto que os vários estouros produzidos por uma colônia de camarões-pistola no fundo do mar podem ser usadas por submarinos par se esconderem do sonar inimigo.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

peixe-olhos-de-barril

POR EDUARDO REAL

Pesquisadores do MBARI (Monterrey Bay Aquarium Research Institute) realizaram uma expedição submarina e conseguiram observar, a 600 metros de profundidade e entre os seres das profundezas observados estava o peixe Macropinna microstoma; uma espécie abissal (que vive em águas profundas) e que possui peculiares olhos tubulares.

O Macropinna microstoma já é conhecido desde o final da década de 30, e peixes com olhos tubulares não são uma novidade para a ciência, existindo outras espécies conhecidas com essa características, pertencentes a familia Opisthoproctidae, mas a nova pesquisa resolveu um mistério que durava anos.

Os únicos Macropinna vistos eram exemplares que ficaram presos em redes de pesca, e todos tiveram a membrana que cobria seus olhos colapsada durante a captura. O MBARI fez os primeiros registros de um exemplar da espécie vivo e foi possível observar que a membrana forma um escudo transparente em torno dos olhos, sendo preenchida com liquido gelatinoso.

E outra novidade foi quanto aos olhos. Olhos tubulares são ótimos para captar luz sem aumentar muito o tamanho do órgão. Adaptação ideal para um ambiente como aquele, onde chega pouca luz solar. Com eles, é possível enxergar muito bem as silhuetas dos outros animais marinhos. Olhando a foto, você pode pensar que eles são os dois circulos acima da boca, mas as duas estruturas circulares que são as narinas, os olhos são as estruturas verdes dentro da membrana transparente. E como os olhos deste peixe são voltados para cima, permitem que ele se aproxime furtivamente de sua presa por baixo, porém não seria possível ver o que está a sua frente e nem o que se está comendo, tendo um campo de visão muito limitado.

Entretanto, os pesquisadores observaram que o Macroppina microstoma pode girar seus olhos para a frente, tudo foi registrado por câmeras no fundo do oceano e depois em indivíduos capturados vivos e mantidos em um aquário a bordo de um navio.

Os peixe-olhos-de-barril assim conseguem localizar suas presas em todas as direções. Sua principal fonte de alimento são as águas-vivas, abundantes neste habitat, onde o pigmento verde de seus olhos ajudam a detectar a bioluminescencia desses animais em meio a escuridão oceanica. Um dos tipos mais comuns são os sifonóforos, hidrozoários coloniais que formam uma rede com mais de 10 metros para capturar pequenos animais usando seus tentáculos urticantes. O M. microstoma conseguiria roubar os seres presos nas redes, usando sua grande barbatana lateral para manobrar com precisão por entre os filamentos urticantes e a cúpula revestda de liquido protegeria seus delicados orgãos oculares. No estômago dos peixes capturados haviam pedaços desses animais.

Descobertas como essa, mostram como que a biologia ainda guarda grandes surpresas.

http://www.mbari.org/news/news_releases/2009/barreleye/barreleye.html

http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2009/02/explicando-o-peixe-de-cabeca-transparente.php

domingo, 29 de março de 2009

Cormorão-de-lunetas

O cormorão-de-Steller ou cormorão-de-lunetas (Plalacrocorax perspicillatus) era uma ave da família dos cormorões que habitava as ilhas do Mar de Bering. Foi descrita pelo naturalista alemão George Steller em 1741, na mesma expedição em que houve o primeiro registro visual do dugongo-de-steller.

O cormorão-de-lunetas media cerca de 1 metro de comprimento, sendo o maior dos cormorões. A plumagem era verde escura, com tons metálicos azulados e uma mancha branca nos flancos. Os machos não tinham penas em torno dos olhos, onde a pele de cor branca parecia descrever um par de lunetas. Outro dimorfismo sexual era a presença, nos machos, de uma crista dupla de penas verde-azuladas, decorada com penas mais finas e longas de cor amarelada que se espalhavam na cabeça e no pescoço. Além disso, as fêmeas eram menores. Suas asas eram bastante reduzidas – com apenas 30 centímetros de comprimento – e assim o cormorão quase não voava. A ave passava a maior parte do tempo na água, não possuía predadores naturais nas ilhas onde se reproduzia.

Por conseqüência, sua falta de agilidade em terra fazia dele presa fácil para os primeiros homens que visitaram o estreito de Bering. Steller, que o descreveu como um pássaro grande, desajeitado e que quase não voava, afirmou que sua carne era deliciosa e que um pássaro era o suficiente para alimentar três homens.

Como o Ártico era uma próspera área baleeira e havia grandes populações de raposas e outros animais de pele valiosa, um fluxo maciço de baleeiros e comerciantes de pele aconteceu na região. As aves eram uma fonte prática de alimento, portanto foram caçados por causa de sua carne. Com uma distribuição bastante reduzida, o cormorão de lunetas não resistiu e foi extinto em 1850.

Pouco se sabe sobre o seu comportamento, apenas que ele se alimentava de peixe.

Com o sucesso científico da expedição, a expedição de Georg Steller retornou a Rússia, mas sofreu um naufrágio na viagem de regresso, a tripulação ficou presa em uma ilha e muitos morreram de frio e escorbuto. Após o inverno, os homens construíram um novo navio e retomaram o caminho de casa. Mas Georg Steller morreu em Tyumen, antes de chegar a Rússia. Sua obra foi publicada após sua morte.

domingo, 15 de março de 2009

Árvore Água-Viva




Esta espécie vegetal mostrada aqui no Evolução e biologia é a árvore água-viva (Medusagyne oppositifolia) a única espécie da familia Medusagynaceae. Vive na ilha de Mahé, no arquipélago de Seychelles e chega a até 10 metros de altura, apresentando uma arredondada copa de uma folhagem verde brilhante que fica vermelha com a idade. Suas pequenas flores brancas possuem vários estames que dão o formato que dá nome ao fruto, após seco ele é levado pelo vento como um pequeno para-quedas. É uma planta rara que foi considerada extinta até a década de 70, quando descobriram 4 árvores, mas a espécie continua severamente ameaçada. Porém, ao contrário da grande maioria das espécies em risco, o declínio da árvore água-viva não ocorreu por ação antrópica. A espécie só é encontradas em condições muito úmidas. Mudanças climáticas tornaram o ambiente da ilha mais seco. Pesquisadores só conseguiram sua reprodução fora do ambiente natural em extrema umidade. E nem se encontra indivíduos jovens pelas matas de Mahé. São conhecidas apenas 50 árvores restantes, como a da foto, vinda do Jardim Botânico de Kew.

sábado, 7 de março de 2009

Pesquisadores descobrem nova espécie de água-viva


Um grupo de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) descobriu uma nova espécie de água-viva, a Hydrocoryne iemanja - nome dado em homenagem a Iemanjá, orixá do candomblé. A descoberta deu origem a um trabalho científico publicado este ano no Reino Unido.
A espécie foi observada pela primeira vez em agosto de 2005. A água-viva crescia dentro de um aquário, afixada a uma alga retirada da orla marítima de Guarapari (ES).
Segundo o pesquisador Sérgio Stampar, um dos autores do estudo, o que diferencia a Hydrocoryne iemanja de outras águas-vivas é seu modo atípico de reprodução assexuada, pela divisão longitudinal - quando um corpo se divide em duas partes.
"A singularidade deste processo mostra que a descoberta pode ajudar no entendimento do caminho evolutivo destes seres aquáticos", explicou Stampar.
O estudo, também desenvolvido pelos pesquisadores André Morandini, Álvaro Migotto e Antonio Marques, foi publicado pelo Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdom.


O artigo científico pode ser visto aqui