quarta-feira, 19 de março de 2008

Animais extintos: Dodô

O blog Evolução e Biologia começa uma seção de textos sobre animais extintos pelo homem. Este é um tema fascinante, retrata espécies que desapareceram, que nunca veremos pessoalmente em um zoologico ou em seu ambiente natural. E por mais que estudemos o que restou deles talvez nunca conheceremos caracteristicas existentes neles, o que os deixa ainda mais intrigantes. E tais seres vivos servem de testemunho para mostrar como nossas ações podem ser destrutivas.

A série começa com a ave que se tornou um símbolo das espécies extintas.

DODÔ


O dodô ou dronte (Raphus cuculattus) é um a ave não-voadora extinta que era endêmica da ilha Mauricio e das Ilhas Mascarenhas, no Oceano Indico.

Media cerca de 1 metro de altura e peso em torno de 16 kg. Se alimentava de frutos e fazia ninho no chão. Tinha uma plumagem cinzeta e um bico grande e maciço, bem caracteristico .Não podia voar, tendo as asas atrofiadas e era uma ave muito lenta e desengonçada e que andava muito mal. Por essa razão foi chamado pelos portugueses de “pássaro doudo” (doido) sendo depois chamado pelos holandeses de dodô. E essa lentidão fez dessa ave um alvo fácil para os marinheiros, o que foi agravado pelo fato de não ter medo do homem. Quando um era morto os que estavam próximos não tentavam fugir e nem se esconder. Os marujos abatiam vários deles, que por serem ricos em carne encontravam neles uma boa fonte de alimento.

A situação se agravou quando os primeiros colonos chegaram na ilha trazendo espécies invasoras como ratos, cães e porcos que atacavam seus ninhos. O último dodô foi caçado em 1681 e nenhum exemplar completo foi preservado.

Recentemente, pesquisadores analisaram o DNA mitocondrial da ave e descobriram que o dodô é parente dos pombos. Descendendo de pombos migratórios que se estabeleceram na ilha a milhões de anos e foram evoluindo para formas de grande porte e perderam a capacidade de voar devido ao ambiente rico em comida e sem predadores.
Fontes

segunda-feira, 3 de março de 2008

Estudo: sapo gigante podia comer bebês-dinossauro


Uma equipe de arqueólogos americanos encontrou o fóssil de um sapo pré-histórico gigante, que seria capaz de comer filhotes de dinossauro existentes em sua época. O "sapo diabo", como foi batizado, além de ser do tamanho de uma bola de boliche, possuia uma grande boca e mandíbulas poderosas.


O animal, que recebeu o nome científico de Beelzebufo - uma mistura de "Belzebu" com "sapo", em latim - pesava cerca de 4,54 kg e media 40,6 cm de comprimento. Ele foi achado em Madagascar, na África, por pesquisadores da Stony Brook University, de Nova York.
A descoberta foi divulgada na edição de hoje do jornal Proceedings of the National Academy of Sciences.
O arqueólogo David Krause, um dos responsáveis pelas escavações, informou que o anfíbio era capaz de comer dinossauros recém-nascidos. Maior do que qualquer sapo vivo atualmente, ele também pode ter sido o maior da espécie em todos os tempos.
Para Krause, "não é impossível que o Beelzebufo abatesse lagartos, mamíferos, sapos menores e até dinossauros recém-nascido". "Deve ter sido um bicho bem malvado", confirmou Susan Evans, paleontóloga do University College de Londres, que também participou da pesquisa.
Segundo o arqueólogo, "este sapo, se tivesse semelhanças com os familiares que vivem hoje no continente, teria hábitos um tanto quanto vorazes", afirmou.
Krause informou que os primeiros ossos do sapo diabo foram encontrados em Madagascar, na costa da África, em 1993, mas somente agora conseguiram juntar fragmentos suficientes para chegar ao que realmente teria sido o animal. A criatura teria habitado o período Cretáceo, há 70 milhões de anos, em uma região onde também foram achados fósseis de dinossauros e crocodilos.
O Beelzebufo provavelmente vivia num ambiente semi-árido e caçava usando sua camuflagem, saltando de forma inesperada sobre suas presas. Embora fosse o rei dos sapos, o animal não é o maior anfíbio que já existiu. Animais como o Prionosuchus, do período Permiano (que terminou há 250 milhões de anos), pareciam crocodilos e chegavam a 9 metros.
O maior animal da espécie encontrado atualmente no planeta é o sapo Golias, que habita o oeste da África e pesa pouco mais de 3 kg.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Evolução dos frutos

POR EDUARDO REAL, COLABORAÇÃO DE RAVICK BITENCOURT

As angiospermas são os vegetais que apresentam flores e frutos, comuns em todo o planeta e importantes para o ambiente e para a espécie humana. A evolução deste grupo e de suas respectivas aquisições está entre os assuntos mais fascinantes da botânica e foi considerado por Darwin um “mistério abominável”, devido à aparição repentina no registro fóssil sem nenhum elo aparente de ligação com outros grupos.

Os primeiros fósseis aparecem por volta de 127 milhões de anos, no Cretáceo inferior. Os primeiros frutos não passavam de folhas carpelares similares a das Gimnospermas, porém fechadas sobre a semente. Igual a certas variedades de hoje em dia.

grupo das Gnetales é o mais próximo das angiospermas sendo um provável transicional entre os dois maiores grupos das fanerógamas.Apresenta as sementes revestidas por uma estrutura semelhante ao arilo e vasos lenhosos muito semelhantes a das angiospermas, porém por não terem flores verdadeiras são classificadas entre as gimnospermas. Outro grupo que pode ser um intermediário é o das Bennettitales que possuem flores muito semelhantes a das primeiras Magnoliáceas.


Com um sistema reprodutor que garantia uma melhor polinização e posteriormente um sistema de dispersão de sementes eficiente esse filo vegetal garantiu uma ampla distribuição geográfica e a ocupação de diversos ambientes com pressões seletivas diferentes resultando em uma enorme diversificação. Por volta de 90 e 80 milhões de anos já dominavam o ambiente terrestre, onde antes reinavam plantas coníferas. E atualmente contam com cerca de 250 000 espécies – mais que qualquer outra divisão Anthophyta.

A função primordial do fruto é proteger a semente durante seu amadurecimento, razão pela qual os carpelos se fecharam. E ao longo do tempo as formas de dispersão foram se desenvolvendo. Cuja finalidade é estender a área da espécie, evitando assim a competição entre os novos indivíduos com a planta-mãe por água, nutrientes e espaço. Garantindo o vigor da progênie comum.


Um dos mecanismos é a anemocoria que é a disseminação através do vento. Um exemplo é a Merremia dissecta, uma convolvulácea que se especializou em vôos curtos através de suas sépalas em formato de hélice. Frutos com esse tipo de disperção não apresentam endocarpo carnoso e tem estruturas que facilitam o transporte pelo ar muito como o dente de leão.


Outro tipo é a hidrocória que usa a água como dispersor, notadamente tais frutas apresentam aquisições que lhes permite flutuar. O coco (Cocos nucifera) consegue boiar graças ao seu interior lenhoso, sendo levado ao sabor das ondas até terra firme, tendo ampla distribuição por regiões litorâneas.

Um exemplo curioso é o pepino-do-diabo (Ecballium elaterium). Essa espécie possui frutos que quando estimulados por algum toque, explodem lançando as sementes violentamente pelo ambiente. Esse fenômeno é chamado balocoria e não se trata de um caso raro, ocorrendo em vários vegetais.


Um dos métodos de dispersão mais comum é a zoocoria que tem animais como agentes dispersores. Este tipo possui uma grande diversidade de formas como a ectozoocoria no qual a estrutura que contem a semente se fixa no indivíduo através de espinhos ou estruturas grudentas e são levadas a outras áreas.

Na maioria das vezes, o fruto é ingerido e as sementes passam pelo trato digestório sendo eliminadas pelas fezes. Esta entre as primeiras formas de disseminação. Figos, frutas-pão e uvas existem desde a época dos dinossauros e com certeza fizeram parte da dieta desses répteis.


Estas estruturas apresentam, em geral, certas adaptações como cor vistosa, polpa saborosa e aroma atraente como o noni (Morinda citrifolia) que além de cor e sabor intensos tem um forte odor que atrai vários disseminadores. Outras características são sementes resistentes e até laxativos que fazem com que a semente fique dentro dos intestinos do animal durante o tempo certo.


Em geral vários mamíferos, aves, répteis e peixes têm papel destacado na distribuição de sementes. Até mesmo formigas podem ser transportadoras (mirmecocoria), sendo atraídas pelos oleossomos, reservas nutritivas dispostas no exterior da semente.


Na trajetória evolutiva cada espécie que possui esse tipo de dispersão está relativamente bem adaptada aos seus dispersores. Evoluindo junto com eles e tendo suas estruturas bem ajustadas. Essa relação pode levar a dependência e se uma das partes for extinta ou tiver redução drástica do número a outra também está ameaçada. Como no caso abaixo.


Existem arvores frutíferas na América Central como a Crescentia alata e a Annona purpurea que apresentam frutos com 20 e 30 centímetros de comprimento, respectivamente. E por terem um grande porte, tais frutos não possuem os agentes de dispersão adequados. Cotias, pecaris e outros mamíferos nativos podem consumir ou movimentar alguns, mas a maioria perece próxima à base da arvore, não ocorrendo uma dispersão adequada. Por causa destes desajustes são consideradas “anacronismos neotropicais” por alguns estudiosos.


Se não estão perfeitamente adaptadas a fauna atual, não se pode dizer o mesmo da megafauna extinta a 10 mil anos atrás. Cavalos gigantes, gonfotérios e mastodontes pisaram nessas florestas e consumiram tais frutos. Uma palmeira, a Scheelea rostrata produz cerca de 5 mil frutos a cada frutificação. Um ou outro é pego por pequenos mamíferos, mas a maioria apodrece no pé. O tamanho da safra e o porte do fruto são compatíveis com um gonfotério e a capa rija da semente a protegeria de sua possante mastigação. Eles desapareceram, mas as espécies de árvores por onde passavam ainda existem.


O mesmo acontece na América do Sul, como o abacate – com seu caroço levemente tóxico – que estaria adaptado a herbívoros como a preguiça-gigante. Durante milhões de anos eles co-evoluiram de modo que ambos estivessem bem adaptados um ao outro.


Com a extinção de seus companheiros, essas variedades ficaram obsoletas, e variedades com tamanhos mais modestos não foram selecionadas durante o período, não tendo tempo para se adaptarem. O motivo para que as “frutas viúvas” continuem existindo é que podem ser dispersas por fatores físicos como as águas de uma cheia ou quando a arvore que lhes deu origem fica em um terreno alto, mesmo os pequenos animais podem espalhar exemplares. Apesar da ineficiência da dispersão e do excessivo gasto de energia.


Existem casos mais trágicos de dependência. Como a calvária (Sideroxylon grandiflorun), que vive nas Ilhas Maurício e tinha número muito reduzido. Mesmo quando plantadas pelo homem não germinavam. Stanley Temple concluiu que as sementes da árvore só se tornava ativa após passar pelo estomago do dodô (Raphus cucullatus) seu antigo dispersor que foi extinto pelos primeiros colonos do arquipélago. Existiam algumas poucas calvárias no arquipélago, todas com mais de trezentos anos, nasceram na época em que os últimos dodôs foram mortos. A espécie foi salva, pois pesquisadores alimentaram perus com as sementes, conseguindo o mesmo efeito.


Outro fato, porém incomum, é o disseminador que apresenta risco para o vegetal. Este desajuste é observado por biólogos é a relação entre a maruleira (Sclerocarya birrea) e o elefante (Loxodonta africana), seu principal agente dispersor, que ao se alimentar quebra muitos galhos, causando danos na arvore-mãe, podendo até matá-la. Apesar de seu efeito benéfico causa danos nas populações de amaruleiras e prejudica seu ciclo reprodutivo.


Outra adaptação exigida pela dispersão endozoocórica é a proteção da semente, onde está o embrião, que precisa passar pelo sistema digestivo sem danos. Isso explica o fato da maioria das frutas só apresentarem cor e sabor chamativo quando a sementes estão resistentes. A maioria possui sementes que resistem ao tipo de dispersor ao qual estão adaptadas. Frutos como a marula e o guaraná possuem caroços bem duros que resistem a bichos de grande porte.


Porém existem espécies que não possuem sementes resistentes ao avanço de animais, pois sua dispersão não é feita por eles. Os frutos caem no chão e se decompõem e as sementes germinam. Tais plantas desenvolveram defesas para suas sementes. Como substancias venenosas.


Qualquer animal que comer um destes frutos acabará “educado” e dificilmente repetira a experiência. Podendo até morrer, em caso mais graves. Certos vegetais dão a pista de como houve esse tipo de seleção.


O kino (Cucumis metuliferus) que possui estirpes comestíveis e outras amargas ou venenosas. Que prevalecem quando na existência de animais destruidores de sementes, porem sem eles os comestíveis se dispersam em uma quantidade muito maior que a outra linhagem. O mesmo acontece com certas macadâmias.

Podemos encontrar essas diferenças em espécies com pequeno grau de parentescos, como o gênero Solanun que possui espécies de fruto venenoso, outras de sabor amargo (como o jiló) e as que são perfeitamente comestíveis (como o tomate e a berinjela).


Ainda existem casos bem raros como o akee que não é venenoso apenas na maturação ideal, antes ou depois é altamente tóxico.

Toxinas não são as únicas armas, espinhos consistem em uma boa forma de proteção. Podem estar localizados na superfície do fruto, em ramos adjacentes (como no limão) e até em volta da semente, como no pequi. Que possui inúmeros espinhos em torno do caroço, que se desprendem quando ele é mordido. Porém, gambás e certos pássaros conseguem consumi-lo, sem danificar a semente.


Existem ainda os cactos que possuem frutos cobertos de espinhos. Com isso, apenas alguns poucos animais conseguem se alimentar deles. Os jabutis de Galápagos são um exemplo clássico, comem os frutos dos cactos, mas como possuem bico córneo não se importam com espinhos.


A evolução dos frutos, de uma forma geral, aconteceu de modo a proteger a semente e a dispersa-las de uma forma eficiente.


Mostrando como os seres vivos podem se adaptar, levando a grandes modificações ao longo do tempo.





Referencias:


Ridley, Mark (2006) Evolução. Blackwell publishing. 300-302

Souza, Vinicius & Lorenzy, Harri (2007) Chave de Identificação para as princiais famílias de angiospermas nativas e cultivadas no brasil. Instituto Plantarum


Gonçalvez, Eduardo & Loreinzi, Harri (2007). "Morfologia Vegetal: Organografia e Dicionário Ilustrado de Morfologia de Plantas Vasculares". Instituto Plantarum.



http://pt.wikipedia.org/

http://es.wikipedia.org/

http://geocities.com/rapinibot/Origin/aula1.htm

http://freewebs.com/rapinibot/encobio/aula3.htm

http://bot.cb.santagiulia.edu.br/index.php?id=80&mno=GruposVegetais

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Polvo mímico

No vídeo abaixo é mostrado o polvo mímico (Thaumoctopus mimicus), descoberto em 1998 no mar de Sulawesi, Sudeste Asiático. Ele chama a atenção porque além de conseguir se camuflar imitando a cor e a textura do ambiente como os demais polvos, consegue mimetizar outros animais que vivem em seu ambiente. Imitando a forma física e o movimento de diversas outras espécies, incluindo linguados, peixes-leão e cobras do mar, além de estrelas-do-mar, caranguejos gigantes, conchas de moluscos, raias, águas-vivas, anêmonas e camarões. Se fazendo passar por espécies venenosas ou que possuam um sistema de camuflagem ou defesa eficiente consegue afastar os predadores. Outra vantagem de seu comportamento peculiar é o de poder se aproximar de possíveis presas sem ser tomado como um animal nocivo.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Um elo na evolução dos crocodilos


Animal que viveu há 80 milhões de anos é forma intermediária entre espécies primitivas e atuais


Fósseis de uma nova espécie de crocodilomorfo podem esclarecer uma parte até então obscura da história evolutiva desses animais. O Montealtosuchus arrudacamposi, que viveu há cerca de 80 milhões de anos, durante o período Cretáceo Superior, tem características morfológicas intermediárias entre as formas pré-históricas e atuais de crocodilos.


O novo crocodilomorfo brasileiro foi descrito a partir de três esqueletos quase completos e bem preservados. Os ossos foram encontrados em Monte Alto, interior de São Paulo, por pesquisadores do Museu de Paleontologia da cidade e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


“Essa descoberta pode projetar a paleontologia brasileira a níveis internacionais, pois irá reescrever a história da evolução dos crocodilos”, destaca o geólogo Ismar de Souza Carvalho, professor do Departamento de Geologia da UFRJ e coordenador do projeto. Antes, crocodilomorfos primitivos e atuais formavam grupos com características muito distintas.


A classificação da nova espécie como uma forma intermediária de crocodilomorfo baseou-se em análises de seu crânio. O formato do palato e a articulação entre crânio e mandíbula revelam aspectos pertencentes a uma categoria de transição no processo evolutivo desse grupo.


O M. arrudacamposi foi considerado um animal atípico, pois se diferencia muito dos jacarés e crocodilos atuais. Ele pesava cerca de 40 kg e media entre 1,30m e 1,70m de comprimento. As pernas longas e os olhos dispostos na lateral da cabeça indicam que se tratava de um predador com hábitos totalmente terrestres. O formato de seus membros demonstra que o animal se deslocava com destreza em terra firme, ao contrário dos exemplares de hoje em dia. Ele apresentava ainda placas dérmicas em seu dorso como forma de proteção.


Segundo os pesquisadores, o animal viveu em ambientes de clima sazonal, com longos períodos de seca e chuvas torrenciais esparsas, que formavam rios temporários. O M. arrudacamposi dividia essa paisagem com dinossauros de grande porte, tartarugas aquáticas e outros crocodilomorfos terrestres.


Técnicas pioneiras de análise

Para a descrição da nova espécie, publicada na edição de outubro do periódico Zootaxa, foram usadas técnicas pioneiras de análise dos fósseis. Segundo o geólogo Felipe Mesquita de Vasconcellos, aluno de doutorado da UFRJ e membro da equipe, a pesquisa empregou tecnologia digital e tomografia para a construção de um modelo virtual tridimensional do M. arrudacamposi.


“Com essas técnicas, podemos perceber o formato interior da caixa craniana e da estrutura muscular do animal”, afirma Vasconcellos. “Além disso, o formato do palato nos dá uma idéia da força de sua mordida.”


A cidade de Monte Alto é conhecida por ser um importante sítio paleontológico. A região está assentada sobre rochas da bacia Bauru e é rica em fósseis de animais do período Cretáceo, desde invertebrados, como moluscos, até vertebrados de grande porte.


O nome Montealtosuchus arrudacamposi é uma homenagem ao município de Monte Alto e ao professor Antônio Celso de Arruda Campos, atual diretor do Museu de Paleontologia de Monte Alto e um dos primeiros a encontrar os fósseis.



Igor Waltz

Ciência Hoje On-line

01/02/2008

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Fósseis transicionais: Testemunhas da evolução


A revista Nature publicou no dia 6 de abril de 2006, um extenso artigo que causou grande repercussão no meio científico. Nele, paleontólogos descrevem a descoberta do Tiktaalik roseae. Uma espécie de peixe que viveu no Devoniano a aproximadamente 375 milhões de anos onde hoje é o Ártico.

Sua descoberta é notável porque apresenta uma série de características distintas de peixes e tetrápodes; a começar pela sua cabeça. O crânio do tiktaalik possui região opercular reduzida e parte anterior alongada, indicando mudanças na alimentação e na respiração para um modo semi-terrestre. Além de sua anatomia indicar o surgimento de ouvidos e entre as inovações, também está um pequeno pescoço, ausente em peixes, o que lhe daria maior mobilidade ao capturar presas.

Suas nadadeiras têm estruturas ósseas homólogas aos membros de vertebrados terrestres muito semelhantes a ombros e punhos. Os "pulsos" - as pontas das nadadeiras - podiam se dobrar para apoia-lo no solo. Ainda há indícios de músculos que movimentariam o membro e proporcionariam sustentação, o que aproxima a espécie dos anfíbios. Por outro lado as nadadeiras raiadas – sem dígitos – escamas e brânquias o colocam ao lado dos osteíctes. É a primeira vez que se encontra um intermediário entre as duas classes com membros mistos.
Outra peculiaridade são suas costelas que montam umas nas outras formando placas rígidas, típico de um animal que precisa enfrentar a ação da gravidade e assim se sustentar.

Estava bem adaptado a vida em águas rasas, como revela o crânio achatado e os espiráculos no alto da cabeça que mostram a existência de respiração pulmonar. Semelhante aos anfíbios atuais, apesar de ter vida essencialmente aquática como mostra os arcos branquiais bem desenvolvidos. Seus olhos no topo da cabeça podiam ficar atentos tanto a atividade dentro e fora d'água.

Apesar do barulho, os criacionistas não se manifestaram. Exceto por algumas poucas e tímidas declarações. Esse grupo afirma de forma categórica que fósseis transicionais não existem e que todas as descobertas são fraudes. Entretanto não apresentam evidências que reforcem suas acusações. Seus argumentos não são apresentados ao meio acadêmico e sim ao público de seu interesse.

Fósseis transicionais, popularmente chamados de elos perdidos, são restos de seres vivos que apresentam características distintas de grupos diferentes, indicando uma relação de parentesco.
São conhecidos desde o século XIX, em meio ao início da paleontologia. E uma das primeiras descobertas é o célebre Archaeopterix, descoberto na formação de Solnhofen, Alemanha. Em sua anatomia é possível ver características típicas de aves como penas, asas e fúrcula com outras de répteis como dentes, ausência de bico e cauda semelhante à dos dinossauros.

Achados como esse, permitem remontar a trajetória evolutiva de diversos táxons e mostrar como foi o processo de surgimento de estruturas adaptativas. A espécie encontrada pode não ter dado origem a um clado, porém dá pistas de como pode ter sido um ancestral direto. O archaeopteryx, por exemplo, pode não ter dado origem as aves modernas, e sim a um ramo de aves primitivas, já extintas, segundo algumas hipóteses.

Outra alegação é que o registro fóssil possui muitas lacunas e que descrever os processos evolutivos através dos transicionais é um método inadequado. Os buracos existem pelo fato de que a fossilização é um fenômeno raro, nem todos os seres vivos se fossilizem, espécies podem ter surgido e se extinguido sem deixar rastro algum. A fossilização só ocorre em circunstancias especiais e processos geológicos como vulcanismo e a metamorfisação podem destruir a camada de rocha sedimentar. Apesar da irregularidade de certas linhagens, existem ramos na arvore evolutiva bem completos, como o da evolução do homem e a do cavalo. Em que é possível ver detalhadamente os passos evolucionários.

A evolução biológica ocorre de forma gradual, tal qual um arco-íris, onde apesar de você poder distinguir cada cor separadamente, mas não se consegue ver um limite claro entre elas e sim uma transição gradual entre os diferentes tons. Os fósseis transicionais testemunham essa evolução entre os seres vivos de forma evidente na ciência atual.

Textos complementares
Fontes:

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O maior dos roedores gigantes


Crânio fóssil de 2 a 4 milhões de anos permitiu descrição de animal que pesava mais de uma tonelada


lista dos roedores gigantes extintos acaba de ganhar um elemento de peso. Com mais de uma tonelada, o Josephoartigasia monesi é a maior espécie desse grupo já registrada. Ele foi descrito a partir de um crânio quase completo e muito bem preservado, encontrado na formação de São José, no Uruguai, com idade entre 2 e 4 milhões de anos. Embora os roedores atuais sejam em geral pequenos – salvo poucas exceções, como a capivara, que pesa aproximadamente 60 kg –, várias espécies extintas alcançaram tamanho muito maior. Hoje, são conhecidas 60 espécies para a fauna de grandes roedores extintos da América do Sul. Mas não se sabia muito sobre a anatomia desses animais, porque os restos fósseis encontrados se restringiam a dentes isolados e fragmentos de mandíbulas. A descoberta do crânio quase completo do J. monesi, publicada esta semana no periódico Proceedings of the Royal Society B, fornece novas informações sobre esses roedores gigantes. A principal característica da nova espécie, descrita pelos pesquisadores Andrés Rinderknecht, do Museu Nacional de História Natural e Antropologia (Uruguai), e Ernesto Blanco, da Faculdade de Engenharia do Instituto de Física de Montevidéu (Uruguai), é seu tamanho extremamente grande. Com base no comprimento total do crânio – 53 cm –, sua massa corporal foi estimada em 1.008 kg. “Não temos uma avaliação técnica para o comprimento do J. monesi, mas a estimativa é de que seja de cerca de três metros”, conta Blanco à CH On-line. Os autores afirmam que o crânio do J. monesi é claramente maior do que o do Phoberomys, considerado anteriormente o maior roedor que já existiu, com massa corporal estimada entre 400 e 700 kg. Segundo eles, os fragmentos fósseis disponíveis de Phoberomys indicam que seu crânio tinha aproximadamente 65% do tamanho do crânio dos animais do gênero Josephoartigasia. “Podemos então concluir, com alto grau de confiança, que nosso espécime de J. monesi tinha massa corporal cerca de duas vezes maior que a do Phoberomys, o que faz dele o maior roedor conhecido que já existiu”, dizem no artigo.



Dieta de plantas aquáticas Assim como outros representantes da família Dinomyidae, o J. monesi tinha todos os dentes molares e pré-molares relativamente pequenos em comparação com o tamanho do crânio. Por outro lado, seus incisivos chegavam a vários centímetros. Essas características sugerem que o animal tinha músculos de mastigação fracos para triturar comida, o que poderia resultar em uma dieta composta por vegetação não muito dura e frutas. É possível que eles dependessem de plantas aquáticas para se alimentar. Os pesquisadores acreditam que esse roedor viveu em locais de floresta próximos à foz de rios. O ambiente era dividido com outros roedores gigantes, tigres dentes-de-sabre, pássaros carnívoros gigantes, mamíferos da ordem Xenarthra (como tamanduás, tatus e preguiças), capivaras e variados mamíferos ungulados (que compreendiam animais com casco nas patas). “Essa descoberta é muito importante para completar nossa imagem da fauna sul-americana 4 milhões de anos atrás e também para o entendimento da evolução dos roedores e do problema da massa corporal em geral”, avalia Blanco. Segundo ele, o achado do crânio completo de J. monesi permitirá ainda a realização de estudos sobre a força da mordida do animal e vai aprofundar o conhecimento sobre esse grupo de mamíferos.



Thaís Fernandes Ciência
Hoje On-line
16/01/2008