quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Um elo na evolução dos crocodilos


Animal que viveu há 80 milhões de anos é forma intermediária entre espécies primitivas e atuais


Fósseis de uma nova espécie de crocodilomorfo podem esclarecer uma parte até então obscura da história evolutiva desses animais. O Montealtosuchus arrudacamposi, que viveu há cerca de 80 milhões de anos, durante o período Cretáceo Superior, tem características morfológicas intermediárias entre as formas pré-históricas e atuais de crocodilos.


O novo crocodilomorfo brasileiro foi descrito a partir de três esqueletos quase completos e bem preservados. Os ossos foram encontrados em Monte Alto, interior de São Paulo, por pesquisadores do Museu de Paleontologia da cidade e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


“Essa descoberta pode projetar a paleontologia brasileira a níveis internacionais, pois irá reescrever a história da evolução dos crocodilos”, destaca o geólogo Ismar de Souza Carvalho, professor do Departamento de Geologia da UFRJ e coordenador do projeto. Antes, crocodilomorfos primitivos e atuais formavam grupos com características muito distintas.


A classificação da nova espécie como uma forma intermediária de crocodilomorfo baseou-se em análises de seu crânio. O formato do palato e a articulação entre crânio e mandíbula revelam aspectos pertencentes a uma categoria de transição no processo evolutivo desse grupo.


O M. arrudacamposi foi considerado um animal atípico, pois se diferencia muito dos jacarés e crocodilos atuais. Ele pesava cerca de 40 kg e media entre 1,30m e 1,70m de comprimento. As pernas longas e os olhos dispostos na lateral da cabeça indicam que se tratava de um predador com hábitos totalmente terrestres. O formato de seus membros demonstra que o animal se deslocava com destreza em terra firme, ao contrário dos exemplares de hoje em dia. Ele apresentava ainda placas dérmicas em seu dorso como forma de proteção.


Segundo os pesquisadores, o animal viveu em ambientes de clima sazonal, com longos períodos de seca e chuvas torrenciais esparsas, que formavam rios temporários. O M. arrudacamposi dividia essa paisagem com dinossauros de grande porte, tartarugas aquáticas e outros crocodilomorfos terrestres.


Técnicas pioneiras de análise

Para a descrição da nova espécie, publicada na edição de outubro do periódico Zootaxa, foram usadas técnicas pioneiras de análise dos fósseis. Segundo o geólogo Felipe Mesquita de Vasconcellos, aluno de doutorado da UFRJ e membro da equipe, a pesquisa empregou tecnologia digital e tomografia para a construção de um modelo virtual tridimensional do M. arrudacamposi.


“Com essas técnicas, podemos perceber o formato interior da caixa craniana e da estrutura muscular do animal”, afirma Vasconcellos. “Além disso, o formato do palato nos dá uma idéia da força de sua mordida.”


A cidade de Monte Alto é conhecida por ser um importante sítio paleontológico. A região está assentada sobre rochas da bacia Bauru e é rica em fósseis de animais do período Cretáceo, desde invertebrados, como moluscos, até vertebrados de grande porte.


O nome Montealtosuchus arrudacamposi é uma homenagem ao município de Monte Alto e ao professor Antônio Celso de Arruda Campos, atual diretor do Museu de Paleontologia de Monte Alto e um dos primeiros a encontrar os fósseis.



Igor Waltz

Ciência Hoje On-line

01/02/2008

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Fósseis transicionais: Testemunhas da evolução


A revista Nature publicou no dia 6 de abril de 2006, um extenso artigo que causou grande repercussão no meio científico. Nele, paleontólogos descrevem a descoberta do Tiktaalik roseae. Uma espécie de peixe que viveu no Devoniano a aproximadamente 375 milhões de anos onde hoje é o Ártico.

Sua descoberta é notável porque apresenta uma série de características distintas de peixes e tetrápodes; a começar pela sua cabeça. O crânio do tiktaalik possui região opercular reduzida e parte anterior alongada, indicando mudanças na alimentação e na respiração para um modo semi-terrestre. Além de sua anatomia indicar o surgimento de ouvidos e entre as inovações, também está um pequeno pescoço, ausente em peixes, o que lhe daria maior mobilidade ao capturar presas.

Suas nadadeiras têm estruturas ósseas homólogas aos membros de vertebrados terrestres muito semelhantes a ombros e punhos. Os "pulsos" - as pontas das nadadeiras - podiam se dobrar para apoia-lo no solo. Ainda há indícios de músculos que movimentariam o membro e proporcionariam sustentação, o que aproxima a espécie dos anfíbios. Por outro lado as nadadeiras raiadas – sem dígitos – escamas e brânquias o colocam ao lado dos osteíctes. É a primeira vez que se encontra um intermediário entre as duas classes com membros mistos.
Outra peculiaridade são suas costelas que montam umas nas outras formando placas rígidas, típico de um animal que precisa enfrentar a ação da gravidade e assim se sustentar.

Estava bem adaptado a vida em águas rasas, como revela o crânio achatado e os espiráculos no alto da cabeça que mostram a existência de respiração pulmonar. Semelhante aos anfíbios atuais, apesar de ter vida essencialmente aquática como mostra os arcos branquiais bem desenvolvidos. Seus olhos no topo da cabeça podiam ficar atentos tanto a atividade dentro e fora d'água.

Apesar do barulho, os criacionistas não se manifestaram. Exceto por algumas poucas e tímidas declarações. Esse grupo afirma de forma categórica que fósseis transicionais não existem e que todas as descobertas são fraudes. Entretanto não apresentam evidências que reforcem suas acusações. Seus argumentos não são apresentados ao meio acadêmico e sim ao público de seu interesse.

Fósseis transicionais, popularmente chamados de elos perdidos, são restos de seres vivos que apresentam características distintas de grupos diferentes, indicando uma relação de parentesco.
São conhecidos desde o século XIX, em meio ao início da paleontologia. E uma das primeiras descobertas é o célebre Archaeopterix, descoberto na formação de Solnhofen, Alemanha. Em sua anatomia é possível ver características típicas de aves como penas, asas e fúrcula com outras de répteis como dentes, ausência de bico e cauda semelhante à dos dinossauros.

Achados como esse, permitem remontar a trajetória evolutiva de diversos táxons e mostrar como foi o processo de surgimento de estruturas adaptativas. A espécie encontrada pode não ter dado origem a um clado, porém dá pistas de como pode ter sido um ancestral direto. O archaeopteryx, por exemplo, pode não ter dado origem as aves modernas, e sim a um ramo de aves primitivas, já extintas, segundo algumas hipóteses.

Outra alegação é que o registro fóssil possui muitas lacunas e que descrever os processos evolutivos através dos transicionais é um método inadequado. Os buracos existem pelo fato de que a fossilização é um fenômeno raro, nem todos os seres vivos se fossilizem, espécies podem ter surgido e se extinguido sem deixar rastro algum. A fossilização só ocorre em circunstancias especiais e processos geológicos como vulcanismo e a metamorfisação podem destruir a camada de rocha sedimentar. Apesar da irregularidade de certas linhagens, existem ramos na arvore evolutiva bem completos, como o da evolução do homem e a do cavalo. Em que é possível ver detalhadamente os passos evolucionários.

A evolução biológica ocorre de forma gradual, tal qual um arco-íris, onde apesar de você poder distinguir cada cor separadamente, mas não se consegue ver um limite claro entre elas e sim uma transição gradual entre os diferentes tons. Os fósseis transicionais testemunham essa evolução entre os seres vivos de forma evidente na ciência atual.

Textos complementares
Fontes:

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O maior dos roedores gigantes


Crânio fóssil de 2 a 4 milhões de anos permitiu descrição de animal que pesava mais de uma tonelada


lista dos roedores gigantes extintos acaba de ganhar um elemento de peso. Com mais de uma tonelada, o Josephoartigasia monesi é a maior espécie desse grupo já registrada. Ele foi descrito a partir de um crânio quase completo e muito bem preservado, encontrado na formação de São José, no Uruguai, com idade entre 2 e 4 milhões de anos. Embora os roedores atuais sejam em geral pequenos – salvo poucas exceções, como a capivara, que pesa aproximadamente 60 kg –, várias espécies extintas alcançaram tamanho muito maior. Hoje, são conhecidas 60 espécies para a fauna de grandes roedores extintos da América do Sul. Mas não se sabia muito sobre a anatomia desses animais, porque os restos fósseis encontrados se restringiam a dentes isolados e fragmentos de mandíbulas. A descoberta do crânio quase completo do J. monesi, publicada esta semana no periódico Proceedings of the Royal Society B, fornece novas informações sobre esses roedores gigantes. A principal característica da nova espécie, descrita pelos pesquisadores Andrés Rinderknecht, do Museu Nacional de História Natural e Antropologia (Uruguai), e Ernesto Blanco, da Faculdade de Engenharia do Instituto de Física de Montevidéu (Uruguai), é seu tamanho extremamente grande. Com base no comprimento total do crânio – 53 cm –, sua massa corporal foi estimada em 1.008 kg. “Não temos uma avaliação técnica para o comprimento do J. monesi, mas a estimativa é de que seja de cerca de três metros”, conta Blanco à CH On-line. Os autores afirmam que o crânio do J. monesi é claramente maior do que o do Phoberomys, considerado anteriormente o maior roedor que já existiu, com massa corporal estimada entre 400 e 700 kg. Segundo eles, os fragmentos fósseis disponíveis de Phoberomys indicam que seu crânio tinha aproximadamente 65% do tamanho do crânio dos animais do gênero Josephoartigasia. “Podemos então concluir, com alto grau de confiança, que nosso espécime de J. monesi tinha massa corporal cerca de duas vezes maior que a do Phoberomys, o que faz dele o maior roedor conhecido que já existiu”, dizem no artigo.



Dieta de plantas aquáticas Assim como outros representantes da família Dinomyidae, o J. monesi tinha todos os dentes molares e pré-molares relativamente pequenos em comparação com o tamanho do crânio. Por outro lado, seus incisivos chegavam a vários centímetros. Essas características sugerem que o animal tinha músculos de mastigação fracos para triturar comida, o que poderia resultar em uma dieta composta por vegetação não muito dura e frutas. É possível que eles dependessem de plantas aquáticas para se alimentar. Os pesquisadores acreditam que esse roedor viveu em locais de floresta próximos à foz de rios. O ambiente era dividido com outros roedores gigantes, tigres dentes-de-sabre, pássaros carnívoros gigantes, mamíferos da ordem Xenarthra (como tamanduás, tatus e preguiças), capivaras e variados mamíferos ungulados (que compreendiam animais com casco nas patas). “Essa descoberta é muito importante para completar nossa imagem da fauna sul-americana 4 milhões de anos atrás e também para o entendimento da evolução dos roedores e do problema da massa corporal em geral”, avalia Blanco. Segundo ele, o achado do crânio completo de J. monesi permitirá ainda a realização de estudos sobre a força da mordida do animal e vai aprofundar o conhecimento sobre esse grupo de mamíferos.



Thaís Fernandes Ciência
Hoje On-line
16/01/2008

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Retrospectiva 2007


No ano de 2007 houve o anúncio de várias descobertas. Muitas delas, de grande importância. Vamos fazer uma restrospectiva, relembrando os principais acontecimentos no meio científico.


12 de janeiro, cientistas divulgaram a deescoberta de um crânio de 36.000 anos que mostra ser dos ancestrais de toda a espécie humana e mostrando a ancestralidade africana.



Pesquisadores também afirmam ter encontrado um crânio humano que apresenta caracteristicas típicas de neandertais, mostrando que cruzamentos entre as duas espécies podem ter acontecido.


22 de janeiro, publicaram estudo que mostra que macacos-prego (Cebus libidinosus) o uso de ferramentas para quebrar frutos é passada adiante atravez da cultura.



23 de janeiro, veio a notícia de que o Microraptor pequeno dino terópode chinês que tinha penas - pera biplano e podia planar pequenas distâncias. O modelo do fóssil foi feito por paleontólogs brasileiros.


Seguindo as descobertas feitas com os primatas, veio a descoberta que certas populações de chimpanzés usam lanças para caçar pequenos primatas em ocos de árvores.



15 de março, a descoberta de um fóssil de mamífero deu novas pistas na evolução dos mamíferos. O animal (Yanoconodon allini), tem ouvido médio de mamifero e mandíbula de reptil. Mostrando a transição evolutiva.


No mesmo mês, foi revelada a descoberta de uma nova espécie de leopardo na Ásia. O leopardo nebuloso de Sumatra, que difere do leopardo nebuloso de Bornéu. Seu código genético tem 40 diferenças e podem ser identificados como diferentes por diferenças na pelagem.



29 de março, estudo diz que dinossauros não oprimiam mamíferos, como sempre se pensou. A prova é a diversificação que esta classe teve antes da extinção do Cretáceo.



3 de abril. O cérebro de um pássaro de mais de 90 milhões de anos, extraordinariamente bem preservado, foi descoberto na Rússia, fornecendo assim indicações inéditas sobre a evolução dos sentidos das aves, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (hora local) no periódico Biology Letters, da Sociedade Real britânica.



12 de abril, Proteína de tiranossauro reforça teoria de parentesco com aves. Sequência de aminoácidos encontrados são semelhante à aves.



9 de maio, Novas evidências de DNA mostram que os aborígenes australianos descenderam de migrantes que deixaram a África há cerca de 50 mil anos.



15 de maio,Crescimento do cérebro dos primatas seria um resultado do aumento de predadores a partir do momento que a África se uniu a Ásia.



24 de maio,descoberto que peixes que viviam há centenas de milhões de anos provavelmente já possuíam as ferramentas genéticas necessárias para criar mãos e pés ao longo da evolução.



25 de maio,Alguns dinossauros eram bons nadadores, afirmam cientistas que encontraram a primeira evidência fóssil de que esses répteis terrestres gigantes se deslocavam também pela água.



30 de maio. Brasileiros dizem ter provado que megamicróbio descoberto nos anos 1980 é primeira bactéria multicelular conhecidaO "Magnetoglobus", um ser de água salgada formado por 20 células, usa campos magnéticos para se guiar, como fazem alguns animais.



13 de junho, Estudo mostra que esponjas que não tem sistema nervoso, possuem genes responsáveis por sinapses.



13 de junho. Encontrado na China o maior espécie fóssil de dino ave. O Gigantoraptor que pesava 1400 kgs.



10 de julho. Insetos impulsionam a evolução das plantas em um caso clássico de evolução natural.



11 de julho, Cientistas apresentam mamute bebê congelado na Sibéria com olhos e tronco bem preservados.



12 de julho, Rápida evolução em borboletas de ilhas no Pacífico.



17 de julho. Um novo estudo demonstra que andar em duas pernas custa aos humanos apenas um quarto da energia despendida por chimpanzés, que, ao caminhar, apóiam-se também sobre as patas dianteiras. Mostrando vantagem adaptativa de bipedalismo.



27 de julho.Descoberta bactéria que faz tipo diferente de fotossíntese



17 de agosto.Proteína de 450 milhões de anos ajuda a revelar



23 de agosto. Gorila ancestral de 10 milhões de anos recua origem humana.



29 de agosto, Fóssil de abelha contendo parte da planta revela que sua existência data da época dos dinossauros




12 de setembro.Descoberto que repteis tinham ouvido moderno a 260 milhões de anos.



21 de setembro. Analise em ossos, indica que velociraptors tinham penas.



21 de setembro. Analise de ossos do Homo florensis confirma que se trata de uma espécie de homenideo anão. invés de um Homo sapiens com microcefalia.



28 de setembro. Mamute tem DNA codificado, se tornando a primeira espécie extinta a ter o código genético codificado.




1 de outubro. Cientistas que analisaram rochas com até 2,5 bilhões de anos de existência afirmam ter colhido evidências de que o oxigênio se tornou abundante na atmosfera terrestre muito antes do que os geólogos imaginavam



5 de outubro. Maxilar de neandertal descoberto na Espanha permite reconstituir a face do homenideo.



6 de outubro. Primeiro cromossomo é sintetizado em laboratório.




Descoberto esqueleto de dinossauro saurópode gigante na Argentina. O Futalognkosaurus dukei de 32 metros e 80 milhões de anos.



18 de outubro. Biólogos acham peixe que se esconde em árvores e consegue passar longos períodos de tempo longe da água.



19 de outubro. Em humanos e em muitas outras espécies, o macho envelhece mais rápido e morre antes do que a fêmea. Uma nova pesquisa realizada na Inglaterra sugere que isso acontece em função da intensa competição sexual,



5 de ovembro.Fóssil raro estica vida evolutiva das medusas
.Grupo teria surgido há 505 milhões de anos e diversificado rápido, diz estudo



21 de novembro.Pesquisadores europeus encontraram a garra fossilizada de um escorpião do mar de 2,5 m de comprimento em uma pedreira, na Alemanha,












quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Dinossauro que viveu há 110 milhões de anos é descoberto



Um grupo de paleontólogos anunciou hoje o descobrimento de um dinossauro de corpo frágil e com mais de 500 dentes, que viveu há 110 milhões de anos na região onde atualmente é o Deserto do Saara; a "vaca" da época Mesozóica.
Trata-se do Nigersaurus, um animal do tamanho de um elefante, mas com ossos finos, alguns dos quais da espessura de uma pena.
Os primeiros fósseis do Nigersaurus foram encontrados em 1997.
Jeffrey Wilson, um dos cientistas que o descobriu, acredita que a imagem tradicional de um dos seus parentes mais famosos, os Diplodocus americanos, com seus longos pescoços elevados e sua cabeça olhando para a frente é errônea, e que eles também, assim como o Nigersaurus, mal levantavam a cabeça em relação ao solo.
Caminhavam com a cabeça abaixada, em um ambiente repleto de predadores. Sobreviveram ao movimentarem-se em manadas, e a abundância de fósseis deste dinossauro no Níger leva a crer que era muito comum na Era Mesozóica, disse Wilson.
Outra singularidade deste dinossauro, de aproximadamente nove metros de comprimento, é seu baixo peso. Suas vértebras e o cérebro possuíam espaços sem carne, somente com ar, assim como os pássaros, que são parentes dos dinossauros.
Ao mesmo tempo, os ossos de suas pernas eram relativamente finos.
para reduzir o peso de sua estrutura, porque menos peso significa menos energia necessária para manter o corpo, segundo Paul Sereno, professor da Universidade de Chicago.
Esses descobrimentos projetam uma imagem de um animal relativamente vulnerável. "Não tem armadura e seus ossos são muito frágeis, como um pedaço de papel", embora reforçados com colágeno e tecidos de apoio, explicou Wilson.
Após uma década de estudo, o Nigersaurus ainda guarda mistérios.
Desconhece-se, por exemplo, a função de sua long
a cauda.

domingo, 14 de outubro de 2007

Cientista cria cromossomo que pode gerar nova forma de vida

Craig Venter desenvolve gene sintético a partir de substâncias químicas fabricadas em laboratório


LONDRES - O cientista americano Craig Venter, diretor do Venter Institute de San Diego, Califórnia, criou um cromossomo sintético que pode levar à criação da primeira nova forma de vida artificial na Terra, antecipa em sua edição deste sábado, 6, o jornal britânico The Guardian.

Em declarações à publicação, Venter explica como, a partir de substâncias químicas fabricadas em laboratórios, se chegou à elaboração de um cromossomo totalmente sintético.

O cientista deverá divulgar a descoberta dentro de algumas semanas, mas o anúncio poderá ser antecipado para a reunião anual do Venter Institute, que será realizada na segunda-feira.

Venter afirmou ao Guardian que esse marco científico representaria "um passo filosófico muito importante na história das nossas espécies". "Vamos deixar de somente ler nosso código genético a poder escrevê-lo, e isso nos dá a capacidade hipotética de fazer coisas que nunca antes contemplamos", afirmou.

Novas espécies

A descoberta, como lembra o jornal, provocará intensos debates sobre a ética da criação de novas espécies.

O Guardian adianta que uma equipe de 20 cientistas, escolhida pelo próprio Venter, e liderada pelo cientista americano Hamilton Smith, conseguiu criar um cromossomo sintético, algo que não tinha sido alcançado até o momento.

Com técnicas de laboratório, os especialistas juntaram um cromossomo de 381 genes que contém 580 mil pares de bases do código genético, segundo o Guardian.

A seqüência de DNA se baseia na bactéria "Mycoplasma", que a equipe reduziu aos elementos básicos necessários para a vida, e eliminaram uma quinta parte de sua composição genética. O cromossomo sinteticamente reconstruído foi batizado pela equipe como "Mycoplasma laboratorium".

Depois os especialistas transplantaram o cromossomo artificial para uma célula bacteriana viva, e na fase final do processo espera-se que o cromossomo tome o controle dessa célula para se transformar em uma nova forma de vida.

Genoma

O Guardian publicou que a equipe de cientistas conseguiu transplantar com sucesso o genoma de um tipo de bactéria à célula de outra, transformando-a.

Venter disse estar "100% convencido" que a mesma técnica funcionaria para o cromossomo criado de forma artificial.

Essa nova forma de vida dependerá de sua capacidade para duplicar a si mesma e se metabolizar na maquinaria molecular da célula na qual foi inserida.

No entanto, o jornal acrescenta que o DNA será artificial e é ele que controla a célula.

Venter acredita que os genomas têm um potencial positivo enorme caso sejam usadas de forma adequada e a longo prazo podem levar a descoberta de fontes alternativas de energia.


Fonte: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid61203,0.htm

sábado, 13 de outubro de 2007


Existe uma razão para o desdém dos gatos pelo açúcar – e seu amor pela ração úmida em vez da seca


por David Biello


Açúcar, condimentos e outras coisas gostosas parecem não ser nada atraentes para os gatos. Nossos amigos felinos se interessam por apenas uma coisa: carne (e também, é claro, uma soneca revigorante para poder continuar caçando, ou uma preguiçosa sessão de carinho). Isso não acontece só porque dentro de cada gatinho malhado se esconde um assassino pronto para agarrar um passarinho ou torturar um camundongo, mas também porque os gatos não possuem a capacidade de sentirem o sabor doce – diferentemente de todos os outros mamíferos pesquisados até hoje.


A língua da maioria dos mamíferos é recoberta por grupos de papilas gustativas, sendo que cada grupo possui receptores para detectar sabores específicos. Cada papila possui proteínas em sua superfície que se ligam à substância em contato com ela, ativando os mecanismos internos da célula e enviando uma mensagem ao cérebro, que por sua vez decodifica o sabor. Humanos possuem cinco tipos de papilas gustativas (possivelmente seis): azedo, amargo, salgado, doce e umami (sabor que alguns aminoácidos como o glutamato e o aspartato produzem). Existe também a possibilidade de possuirmos um sexto receptor que identifica o sabor de gordura. O receptor de doce é, na verdade, é formado por duas proteínas emparelhadas, produzidas por dois genes diferentes, o Tas1r2 e o Tas1r3.


Quando funcionam normalmente, as duas proteínas emparelhadas identificam quando algo de sabor doce entra em contato com a língua, e a informação é rapidamente enviada para o cérebro. Isso porque o sabor doce é sinal de que um carboidrato rico em energia está chegando. Os carboidratos são importante fonte energética tanto para os herbívoros quanto onívoros, categoria na qual nos encaixamos. Mas os gatos são provenientes de uma linhagem nobre – a dos carnívoros – ou seja, se alimentam exclusivamente de carne.


Seja a dieta alimentar a causa ou efeito, todos os felinos, leões, tigres, ou um gato rajado comum são desprovidos de 247 pares de bases nitrogenadas que formam o DNA do gene Tas1r2. Como resultado, não se codifica propriamente uma proteína, nem um gene, apenas um pseudo gene, o que não permite que os gatos sintam o sabor doce. “Os felinos não sentem o sabor doce do mesmo modo que nós”, afirma Joe Brand, bioquímico e diretor associado do Monell Chemical Senses Center, na Filadélfia. “Por um lado podemos dizer que os gatos são sortudos: você já viu como eles têm dentes saudáveis?”.


Brand e seu colega Xia Li descobriram o “pseudo-gene”, após décadas de evidências seguidas como, por exemplo, o fato de que os gatos não mostrarem nenhuma preferência entre água açucarada e água pura – fato que não acontece com outros animais, que tem interesse pela água adoçada. É claro que existem histórias de gatos que tomam sorvete, que comem algodão doce e correm atrás de marshmallows. “Talvez alguns gatos possam usar seus receptores Tas1r3 para provar açúcar em alta concentração.” Diz Brand. “É um fato incomum, e ainda não temos certeza” conclui.


No entanto, os cientistas sabem que os felinos conseguem provar sabores que nós não conseguimos definir, como o da adenosina trifosfato (ATP), o composto que fornece energia a cada célula viva. “Esse é um sinal de que estão comendo carne” Brand explica. “Vários outros animais possuem diferentes tipos de receptores”, explica Li. Desde galinhas, que também não possuem o receptor para doce, ao bagre, que consegue detectar aminoácidos na água mesmo em concentrações nanomolares. “Seus receptores são mais sensíveis do que a concentração de fundo,” explica Brand, “O bagre que consegue localizar a comida em decomposição mais rapidamente é o que tem mais chances de sobreviver”.


Até agora os felinos são os únicos mamíferos que não tem o “gene do doce”; mesmo seus parentes próximos, também carnívoros, como as hienas e mangustos possuem a capacidade de detectar o sabor doce. Além disso, os felinos podem não ter outras funções relacionadas ao aproveitamento (e digestão) de açúcares, como a glucoquinase, uma enzima encontrada no fígado, fundamental no metabolismo dos carboidratos e responsável por evitar o excesso de glicose no organismo. Apesar disso, os maiores fabricantes de rações para gatos nos Estados Unidos usam milho e outros tipos de cereais em suas formulações. “Talvez esse seja o motivo dos gatos começarem a apresentar problema de diabetes” sugere Brand. “A ração para felinos contém 20% de carboidratos. Os gatos não estão acostumados, e por isso o organismo não sabe como tratar adequadamente essa fonte de nutrientes.” É muito provável que esses incríveis predadores suburbanos estejam se machucando por não sentirem o sabor daquilo que estão ingerindo. Mas isso não quer dizer que os apaixonados por gatos devam se preocupar se o gatinho resolver caçar uma sobremesa mal vigiada.