quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O maior dos roedores gigantes


Crânio fóssil de 2 a 4 milhões de anos permitiu descrição de animal que pesava mais de uma tonelada


lista dos roedores gigantes extintos acaba de ganhar um elemento de peso. Com mais de uma tonelada, o Josephoartigasia monesi é a maior espécie desse grupo já registrada. Ele foi descrito a partir de um crânio quase completo e muito bem preservado, encontrado na formação de São José, no Uruguai, com idade entre 2 e 4 milhões de anos. Embora os roedores atuais sejam em geral pequenos – salvo poucas exceções, como a capivara, que pesa aproximadamente 60 kg –, várias espécies extintas alcançaram tamanho muito maior. Hoje, são conhecidas 60 espécies para a fauna de grandes roedores extintos da América do Sul. Mas não se sabia muito sobre a anatomia desses animais, porque os restos fósseis encontrados se restringiam a dentes isolados e fragmentos de mandíbulas. A descoberta do crânio quase completo do J. monesi, publicada esta semana no periódico Proceedings of the Royal Society B, fornece novas informações sobre esses roedores gigantes. A principal característica da nova espécie, descrita pelos pesquisadores Andrés Rinderknecht, do Museu Nacional de História Natural e Antropologia (Uruguai), e Ernesto Blanco, da Faculdade de Engenharia do Instituto de Física de Montevidéu (Uruguai), é seu tamanho extremamente grande. Com base no comprimento total do crânio – 53 cm –, sua massa corporal foi estimada em 1.008 kg. “Não temos uma avaliação técnica para o comprimento do J. monesi, mas a estimativa é de que seja de cerca de três metros”, conta Blanco à CH On-line. Os autores afirmam que o crânio do J. monesi é claramente maior do que o do Phoberomys, considerado anteriormente o maior roedor que já existiu, com massa corporal estimada entre 400 e 700 kg. Segundo eles, os fragmentos fósseis disponíveis de Phoberomys indicam que seu crânio tinha aproximadamente 65% do tamanho do crânio dos animais do gênero Josephoartigasia. “Podemos então concluir, com alto grau de confiança, que nosso espécime de J. monesi tinha massa corporal cerca de duas vezes maior que a do Phoberomys, o que faz dele o maior roedor conhecido que já existiu”, dizem no artigo.



Dieta de plantas aquáticas Assim como outros representantes da família Dinomyidae, o J. monesi tinha todos os dentes molares e pré-molares relativamente pequenos em comparação com o tamanho do crânio. Por outro lado, seus incisivos chegavam a vários centímetros. Essas características sugerem que o animal tinha músculos de mastigação fracos para triturar comida, o que poderia resultar em uma dieta composta por vegetação não muito dura e frutas. É possível que eles dependessem de plantas aquáticas para se alimentar. Os pesquisadores acreditam que esse roedor viveu em locais de floresta próximos à foz de rios. O ambiente era dividido com outros roedores gigantes, tigres dentes-de-sabre, pássaros carnívoros gigantes, mamíferos da ordem Xenarthra (como tamanduás, tatus e preguiças), capivaras e variados mamíferos ungulados (que compreendiam animais com casco nas patas). “Essa descoberta é muito importante para completar nossa imagem da fauna sul-americana 4 milhões de anos atrás e também para o entendimento da evolução dos roedores e do problema da massa corporal em geral”, avalia Blanco. Segundo ele, o achado do crânio completo de J. monesi permitirá ainda a realização de estudos sobre a força da mordida do animal e vai aprofundar o conhecimento sobre esse grupo de mamíferos.



Thaís Fernandes Ciência
Hoje On-line
16/01/2008

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Retrospectiva 2007


No ano de 2007 houve o anúncio de várias descobertas. Muitas delas, de grande importância. Vamos fazer uma restrospectiva, relembrando os principais acontecimentos no meio científico.


12 de janeiro, cientistas divulgaram a deescoberta de um crânio de 36.000 anos que mostra ser dos ancestrais de toda a espécie humana e mostrando a ancestralidade africana.



Pesquisadores também afirmam ter encontrado um crânio humano que apresenta caracteristicas típicas de neandertais, mostrando que cruzamentos entre as duas espécies podem ter acontecido.


22 de janeiro, publicaram estudo que mostra que macacos-prego (Cebus libidinosus) o uso de ferramentas para quebrar frutos é passada adiante atravez da cultura.



23 de janeiro, veio a notícia de que o Microraptor pequeno dino terópode chinês que tinha penas - pera biplano e podia planar pequenas distâncias. O modelo do fóssil foi feito por paleontólogs brasileiros.


Seguindo as descobertas feitas com os primatas, veio a descoberta que certas populações de chimpanzés usam lanças para caçar pequenos primatas em ocos de árvores.



15 de março, a descoberta de um fóssil de mamífero deu novas pistas na evolução dos mamíferos. O animal (Yanoconodon allini), tem ouvido médio de mamifero e mandíbula de reptil. Mostrando a transição evolutiva.


No mesmo mês, foi revelada a descoberta de uma nova espécie de leopardo na Ásia. O leopardo nebuloso de Sumatra, que difere do leopardo nebuloso de Bornéu. Seu código genético tem 40 diferenças e podem ser identificados como diferentes por diferenças na pelagem.



29 de março, estudo diz que dinossauros não oprimiam mamíferos, como sempre se pensou. A prova é a diversificação que esta classe teve antes da extinção do Cretáceo.



3 de abril. O cérebro de um pássaro de mais de 90 milhões de anos, extraordinariamente bem preservado, foi descoberto na Rússia, fornecendo assim indicações inéditas sobre a evolução dos sentidos das aves, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (hora local) no periódico Biology Letters, da Sociedade Real britânica.



12 de abril, Proteína de tiranossauro reforça teoria de parentesco com aves. Sequência de aminoácidos encontrados são semelhante à aves.



9 de maio, Novas evidências de DNA mostram que os aborígenes australianos descenderam de migrantes que deixaram a África há cerca de 50 mil anos.



15 de maio,Crescimento do cérebro dos primatas seria um resultado do aumento de predadores a partir do momento que a África se uniu a Ásia.



24 de maio,descoberto que peixes que viviam há centenas de milhões de anos provavelmente já possuíam as ferramentas genéticas necessárias para criar mãos e pés ao longo da evolução.



25 de maio,Alguns dinossauros eram bons nadadores, afirmam cientistas que encontraram a primeira evidência fóssil de que esses répteis terrestres gigantes se deslocavam também pela água.



30 de maio. Brasileiros dizem ter provado que megamicróbio descoberto nos anos 1980 é primeira bactéria multicelular conhecidaO "Magnetoglobus", um ser de água salgada formado por 20 células, usa campos magnéticos para se guiar, como fazem alguns animais.



13 de junho, Estudo mostra que esponjas que não tem sistema nervoso, possuem genes responsáveis por sinapses.



13 de junho. Encontrado na China o maior espécie fóssil de dino ave. O Gigantoraptor que pesava 1400 kgs.



10 de julho. Insetos impulsionam a evolução das plantas em um caso clássico de evolução natural.



11 de julho, Cientistas apresentam mamute bebê congelado na Sibéria com olhos e tronco bem preservados.



12 de julho, Rápida evolução em borboletas de ilhas no Pacífico.



17 de julho. Um novo estudo demonstra que andar em duas pernas custa aos humanos apenas um quarto da energia despendida por chimpanzés, que, ao caminhar, apóiam-se também sobre as patas dianteiras. Mostrando vantagem adaptativa de bipedalismo.



27 de julho.Descoberta bactéria que faz tipo diferente de fotossíntese



17 de agosto.Proteína de 450 milhões de anos ajuda a revelar



23 de agosto. Gorila ancestral de 10 milhões de anos recua origem humana.



29 de agosto, Fóssil de abelha contendo parte da planta revela que sua existência data da época dos dinossauros




12 de setembro.Descoberto que repteis tinham ouvido moderno a 260 milhões de anos.



21 de setembro. Analise em ossos, indica que velociraptors tinham penas.



21 de setembro. Analise de ossos do Homo florensis confirma que se trata de uma espécie de homenideo anão. invés de um Homo sapiens com microcefalia.



28 de setembro. Mamute tem DNA codificado, se tornando a primeira espécie extinta a ter o código genético codificado.




1 de outubro. Cientistas que analisaram rochas com até 2,5 bilhões de anos de existência afirmam ter colhido evidências de que o oxigênio se tornou abundante na atmosfera terrestre muito antes do que os geólogos imaginavam



5 de outubro. Maxilar de neandertal descoberto na Espanha permite reconstituir a face do homenideo.



6 de outubro. Primeiro cromossomo é sintetizado em laboratório.




Descoberto esqueleto de dinossauro saurópode gigante na Argentina. O Futalognkosaurus dukei de 32 metros e 80 milhões de anos.



18 de outubro. Biólogos acham peixe que se esconde em árvores e consegue passar longos períodos de tempo longe da água.



19 de outubro. Em humanos e em muitas outras espécies, o macho envelhece mais rápido e morre antes do que a fêmea. Uma nova pesquisa realizada na Inglaterra sugere que isso acontece em função da intensa competição sexual,



5 de ovembro.Fóssil raro estica vida evolutiva das medusas
.Grupo teria surgido há 505 milhões de anos e diversificado rápido, diz estudo



21 de novembro.Pesquisadores europeus encontraram a garra fossilizada de um escorpião do mar de 2,5 m de comprimento em uma pedreira, na Alemanha,












quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Dinossauro que viveu há 110 milhões de anos é descoberto



Um grupo de paleontólogos anunciou hoje o descobrimento de um dinossauro de corpo frágil e com mais de 500 dentes, que viveu há 110 milhões de anos na região onde atualmente é o Deserto do Saara; a "vaca" da época Mesozóica.
Trata-se do Nigersaurus, um animal do tamanho de um elefante, mas com ossos finos, alguns dos quais da espessura de uma pena.
Os primeiros fósseis do Nigersaurus foram encontrados em 1997.
Jeffrey Wilson, um dos cientistas que o descobriu, acredita que a imagem tradicional de um dos seus parentes mais famosos, os Diplodocus americanos, com seus longos pescoços elevados e sua cabeça olhando para a frente é errônea, e que eles também, assim como o Nigersaurus, mal levantavam a cabeça em relação ao solo.
Caminhavam com a cabeça abaixada, em um ambiente repleto de predadores. Sobreviveram ao movimentarem-se em manadas, e a abundância de fósseis deste dinossauro no Níger leva a crer que era muito comum na Era Mesozóica, disse Wilson.
Outra singularidade deste dinossauro, de aproximadamente nove metros de comprimento, é seu baixo peso. Suas vértebras e o cérebro possuíam espaços sem carne, somente com ar, assim como os pássaros, que são parentes dos dinossauros.
Ao mesmo tempo, os ossos de suas pernas eram relativamente finos.
para reduzir o peso de sua estrutura, porque menos peso significa menos energia necessária para manter o corpo, segundo Paul Sereno, professor da Universidade de Chicago.
Esses descobrimentos projetam uma imagem de um animal relativamente vulnerável. "Não tem armadura e seus ossos são muito frágeis, como um pedaço de papel", embora reforçados com colágeno e tecidos de apoio, explicou Wilson.
Após uma década de estudo, o Nigersaurus ainda guarda mistérios.
Desconhece-se, por exemplo, a função de sua long
a cauda.

domingo, 14 de outubro de 2007

Cientista cria cromossomo que pode gerar nova forma de vida

Craig Venter desenvolve gene sintético a partir de substâncias químicas fabricadas em laboratório


LONDRES - O cientista americano Craig Venter, diretor do Venter Institute de San Diego, Califórnia, criou um cromossomo sintético que pode levar à criação da primeira nova forma de vida artificial na Terra, antecipa em sua edição deste sábado, 6, o jornal britânico The Guardian.

Em declarações à publicação, Venter explica como, a partir de substâncias químicas fabricadas em laboratórios, se chegou à elaboração de um cromossomo totalmente sintético.

O cientista deverá divulgar a descoberta dentro de algumas semanas, mas o anúncio poderá ser antecipado para a reunião anual do Venter Institute, que será realizada na segunda-feira.

Venter afirmou ao Guardian que esse marco científico representaria "um passo filosófico muito importante na história das nossas espécies". "Vamos deixar de somente ler nosso código genético a poder escrevê-lo, e isso nos dá a capacidade hipotética de fazer coisas que nunca antes contemplamos", afirmou.

Novas espécies

A descoberta, como lembra o jornal, provocará intensos debates sobre a ética da criação de novas espécies.

O Guardian adianta que uma equipe de 20 cientistas, escolhida pelo próprio Venter, e liderada pelo cientista americano Hamilton Smith, conseguiu criar um cromossomo sintético, algo que não tinha sido alcançado até o momento.

Com técnicas de laboratório, os especialistas juntaram um cromossomo de 381 genes que contém 580 mil pares de bases do código genético, segundo o Guardian.

A seqüência de DNA se baseia na bactéria "Mycoplasma", que a equipe reduziu aos elementos básicos necessários para a vida, e eliminaram uma quinta parte de sua composição genética. O cromossomo sinteticamente reconstruído foi batizado pela equipe como "Mycoplasma laboratorium".

Depois os especialistas transplantaram o cromossomo artificial para uma célula bacteriana viva, e na fase final do processo espera-se que o cromossomo tome o controle dessa célula para se transformar em uma nova forma de vida.

Genoma

O Guardian publicou que a equipe de cientistas conseguiu transplantar com sucesso o genoma de um tipo de bactéria à célula de outra, transformando-a.

Venter disse estar "100% convencido" que a mesma técnica funcionaria para o cromossomo criado de forma artificial.

Essa nova forma de vida dependerá de sua capacidade para duplicar a si mesma e se metabolizar na maquinaria molecular da célula na qual foi inserida.

No entanto, o jornal acrescenta que o DNA será artificial e é ele que controla a célula.

Venter acredita que os genomas têm um potencial positivo enorme caso sejam usadas de forma adequada e a longo prazo podem levar a descoberta de fontes alternativas de energia.


Fonte: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid61203,0.htm

sábado, 13 de outubro de 2007


Existe uma razão para o desdém dos gatos pelo açúcar – e seu amor pela ração úmida em vez da seca


por David Biello


Açúcar, condimentos e outras coisas gostosas parecem não ser nada atraentes para os gatos. Nossos amigos felinos se interessam por apenas uma coisa: carne (e também, é claro, uma soneca revigorante para poder continuar caçando, ou uma preguiçosa sessão de carinho). Isso não acontece só porque dentro de cada gatinho malhado se esconde um assassino pronto para agarrar um passarinho ou torturar um camundongo, mas também porque os gatos não possuem a capacidade de sentirem o sabor doce – diferentemente de todos os outros mamíferos pesquisados até hoje.


A língua da maioria dos mamíferos é recoberta por grupos de papilas gustativas, sendo que cada grupo possui receptores para detectar sabores específicos. Cada papila possui proteínas em sua superfície que se ligam à substância em contato com ela, ativando os mecanismos internos da célula e enviando uma mensagem ao cérebro, que por sua vez decodifica o sabor. Humanos possuem cinco tipos de papilas gustativas (possivelmente seis): azedo, amargo, salgado, doce e umami (sabor que alguns aminoácidos como o glutamato e o aspartato produzem). Existe também a possibilidade de possuirmos um sexto receptor que identifica o sabor de gordura. O receptor de doce é, na verdade, é formado por duas proteínas emparelhadas, produzidas por dois genes diferentes, o Tas1r2 e o Tas1r3.


Quando funcionam normalmente, as duas proteínas emparelhadas identificam quando algo de sabor doce entra em contato com a língua, e a informação é rapidamente enviada para o cérebro. Isso porque o sabor doce é sinal de que um carboidrato rico em energia está chegando. Os carboidratos são importante fonte energética tanto para os herbívoros quanto onívoros, categoria na qual nos encaixamos. Mas os gatos são provenientes de uma linhagem nobre – a dos carnívoros – ou seja, se alimentam exclusivamente de carne.


Seja a dieta alimentar a causa ou efeito, todos os felinos, leões, tigres, ou um gato rajado comum são desprovidos de 247 pares de bases nitrogenadas que formam o DNA do gene Tas1r2. Como resultado, não se codifica propriamente uma proteína, nem um gene, apenas um pseudo gene, o que não permite que os gatos sintam o sabor doce. “Os felinos não sentem o sabor doce do mesmo modo que nós”, afirma Joe Brand, bioquímico e diretor associado do Monell Chemical Senses Center, na Filadélfia. “Por um lado podemos dizer que os gatos são sortudos: você já viu como eles têm dentes saudáveis?”.


Brand e seu colega Xia Li descobriram o “pseudo-gene”, após décadas de evidências seguidas como, por exemplo, o fato de que os gatos não mostrarem nenhuma preferência entre água açucarada e água pura – fato que não acontece com outros animais, que tem interesse pela água adoçada. É claro que existem histórias de gatos que tomam sorvete, que comem algodão doce e correm atrás de marshmallows. “Talvez alguns gatos possam usar seus receptores Tas1r3 para provar açúcar em alta concentração.” Diz Brand. “É um fato incomum, e ainda não temos certeza” conclui.


No entanto, os cientistas sabem que os felinos conseguem provar sabores que nós não conseguimos definir, como o da adenosina trifosfato (ATP), o composto que fornece energia a cada célula viva. “Esse é um sinal de que estão comendo carne” Brand explica. “Vários outros animais possuem diferentes tipos de receptores”, explica Li. Desde galinhas, que também não possuem o receptor para doce, ao bagre, que consegue detectar aminoácidos na água mesmo em concentrações nanomolares. “Seus receptores são mais sensíveis do que a concentração de fundo,” explica Brand, “O bagre que consegue localizar a comida em decomposição mais rapidamente é o que tem mais chances de sobreviver”.


Até agora os felinos são os únicos mamíferos que não tem o “gene do doce”; mesmo seus parentes próximos, também carnívoros, como as hienas e mangustos possuem a capacidade de detectar o sabor doce. Além disso, os felinos podem não ter outras funções relacionadas ao aproveitamento (e digestão) de açúcares, como a glucoquinase, uma enzima encontrada no fígado, fundamental no metabolismo dos carboidratos e responsável por evitar o excesso de glicose no organismo. Apesar disso, os maiores fabricantes de rações para gatos nos Estados Unidos usam milho e outros tipos de cereais em suas formulações. “Talvez esse seja o motivo dos gatos começarem a apresentar problema de diabetes” sugere Brand. “A ração para felinos contém 20% de carboidratos. Os gatos não estão acostumados, e por isso o organismo não sabe como tratar adequadamente essa fonte de nutrientes.” É muito provável que esses incríveis predadores suburbanos estejam se machucando por não sentirem o sabor daquilo que estão ingerindo. Mas isso não quer dizer que os apaixonados por gatos devam se preocupar se o gatinho resolver caçar uma sobremesa mal vigiada.


sábado, 29 de setembro de 2007

Equipe decodifica DNA de pêlo de mamute e abre via de pesquisa



da France Presse, em Washington


Uma equipe internacional de pesquisadores conseguiu decifrar o DNA dos pêlos de um mamute da Sibéria de 12 mil a 50 mil anos de idade, o que abre caminho para a decodificação de inúmeras espécies extintas.


Recorrendo a um método de decodificação por síntese, os geneticistas conseguiram decifrar o DNA mitocondrial --somente transmitido pela mãe-- de 13 mamutes, entre eles o célebre mamute Adams, descoberto em 1799 e conservado desde então à temperatura ambiente num museu da Rússia.


Esse novo método deve permitir enriquecer com novos dados genéticos as coleções de Charles Darwin e dos naturalistas do século 18, o alemão Alexander von Humboldt e o sueco Carl von Linné, segundo os autores do estudo.


"Os dados genéticos já recopilados por este método abrem caminho para a decodificação da totalidade do genoma do mamute", afirmou Stephan Schuster, da Universidade da Pensilvânia (leste), um dos autores da pesquisa publicada na revista "Science".
O DNA fica bem preservado no pêlo, que pode ser achado facilmente nos ambientes frios. Além disso, o cabelo e o pêlo são preferíveis aos ossos como fonte de DNA antigo para obter a mitocôndria.


Até então, era necessário analisar antigos ossos para poder comparar, por exemplo, as características genéticas de elefantes e mamutes ou, inclusive, saber como esses últimos sobreviveram à era glacial antes de sua extinção.


Essas amostras de DNA provenientes dos ossos são bastante raras e geralmente estão contaminadas por bactérias. Em compensação, o DNA procedente dos pêlos é bem limpo porque foi preservado em queratina, uma espécie de membrana que parece plástica. A queratina forma 95% do pêlo e se encontra também nos chifres e nas unhas.
Outra vantagem é que o pêlo pode ser higienizado sem que se alterem seus materiais genéticos, explicaram os autores da pesquisa.


"Se pensarmos em todos os animais dissecados em museus de história do mundo e que pertencem a espécies extintas, há muito trabalho por fazer para decodificar seu DNA", afirma Thomas Gilbert, da Universidade de Copenhague e co-autor do estudo.
Antes dessa pesquisa, apenas sete genomas de animais de espécies extintas haviam sido decifrados em seu componente genético: quatro pássaros, dois mamutes e um mastodonte.
"Essa descoberta é uma boa notícia para todos aqueles que querem saber como alguns dos grandes mamíferos foram extintos", acrescenta Stephan Schuster.


Mas esses trabalhos também têm potencialmente outras aplicações, segundo o especialista Eske Willerslev, professor da Universidade de Copenhague. "O método ainda deve ser aprimorado para ser plenamente utilizado, por exemplo, por um médico forense --o que é apenas uma questão de tempo."


quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Orquídea conviveu com dinossauros, sugere novo fóssil


EDUARDO GERAQUE

da Folha de S.Paulo


O cenário botânico visto pelos dinossauros no final do Período Cretáceo (de 76 milhões de anos a 84 milhões de anos atrás) era provavelmente mais florido do que os cientistas imaginavam até agora.
A descoberta de um fóssil de abelha com uma "mochila" de pólen em seu dorso, encontrado na República Dominicana, é a responsável pela mudança.


"Além da importância em si, por ser o primeiro fóssil inequívoco de uma orquídea [representada por meio do pólen], a descoberta ajudou na calibragem da história evolutiva desse grupo vegetal", disse à Folha o pesquisador Rodrigo Singer, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).


Agora, os cientistas podem afirmar que o ancestral das orquídeas atuais já vivia na Terra no final do Cretáceo, um pouco antes de os grandes répteis sumirem, há 65 milhões de anos.
O botânico argentino, radicado em Porto Alegre desde 1995, é um dos autores do artigo que descreve o novo fóssil, publicado hoje pela revista científica britânica "Nature" (http://www.nature.com/).


"Não dá para falar que os dinossauros conviveram com muitas espécies de orquídea, mas sim que elas já existiam naquele tempo", afirma Singer.
Até hoje, por causa da falta de fósseis --alguns foram encontrados, mas não se tinha certeza de que se tratava de orquídeas--, a idéia vigente era outra. Esse grupo de plantas é um dos mais diversos do planeta, com quase 25 mil espécies. Mas os botânicos achavam que sua origem fosse mais recente.


"E, neste caso, ficaram registrados tanto a planta quanto o seu polinizador, a abelha", explica Singer, o que também tem importância científica.


Ambas espécies já estão extintas, mas elas têm parentes relativamente próximos ainda vivos. "O grupo das abelhas sem ferrão, o mesmo que existe no Brasil, é um exemplo."


O fóssil dominicano, descoberto em 2000, dentro de um pedaço de âmbar, tem entre 15 milhões e 20 milhões de anos. Sua descoberta permitiu aos pesquisadores rever todas as datas da árvore genealógica das orquídeas e concluir pela origem antiga do grupo, que teria explodido em diversidade após o final do Cretáceo.


Morta no ato
A cena que antecedeu o momento da fossilização, que acabou ficando para a posteridade, pode até ser imaginada.


No momento da morte, a abelha estava mergulhada na planta, se lambuzando na flor. No meio do banquete, foi aprisionada por um derrame de resina da árvore sobre a qual a planta vivia. Sorte da ciência.


Artigo do Ciencia Hoje