sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Quagga


O Quagga (Equus quagga quagga) é uma subespécie extinta de zebra encontrada em grande número na Província do Cabo, na África do Sul e na parte sul do Estado Livre do Orange. O quagga era distinto das outras zebras pelo padrão de sua pelagem, com listras apenas na parte anterior do corpo, enquanto o costado tinha cor castanha e pernas brancas.. No início o quagga foi considerado uma espécie distinta, recebendo o nome científico de Equus quagga, posteriormente descobriu-se que era uma subespécie de zebra-da-planicie (Equus quagga burchelli).

Sua extinção ocorreu após a chegada dos colonos Boer. O quagga era caçado porque disputava as melhores áreas de pastagem com o gado, por sua carne e por sua pele de aparência exótica; se tornando um valioso troféu de caça. Levando a uma matança acelerada. O último exemplar foi caçado em 1878 e o último quagga morreu em 1883, no jardim zoológico de Amsterdã. Além de peles, existem 23 espécimes empalhados, com um vigésimo quarto destruído em Königsberg, na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial.

O quagga foi o primeiro ser extinto a ter o DNA estudado. A analise do DNA mitocondrial sugere que se separou das outras zebras a 120.000 e 290.000 anos atrás. Desde 1987, surgiu o “Projeto Quagga” que tem como objetivo recriar a subespécie através de cruzamentos entre espécimes de zebra-da-planície que apresentam traços semelhantes com o quagga, desde então vem criando zebras que têm padrões de listras muito parecidos.




Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um olho muito especial


Estrutura anatômica incomum é identificada no bulbo ocular da gralha-azul


Ave-símbolo do Paraná, responsável pela dispersão de sementes da araucária, a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) tem bulbos oculares (olhos) diferenciados. Em estudo feito recentemente, o veterinário Fabiano Montiani-Ferreira, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR), identificou nessa ave da família dos corvídeos uma estrutura óssea incomum no nervo óptico, também conhecido como ossículo de Gemminger, ou osso óptico. Esse elemento mostrou-se rico em medula óssea. Embora a ocorrência de anel ósseo ao redor da parte branca do olho (esclera) seja comum entre as aves, a presença de um osso em torno do nervo óptico é exclusiva de alguns grupos. “Esse pequeno osso já havia sido descrito na década de 1950 em algumas espécies de aves, mas só agora foi identificado na gralha-azul”, ressalta Montiani. A real função da estrutura permanece desconhecida, pois ainda não foi suficientemente investigada. Suspeita-se que sua presença torne o ponto de inserção do nervo óptico na esclera mais rígido, o que ajudaria a dar sustentação à estrutura anatômica e a reduzir as conseqüências de impactos mecânicos.


Com esse estudo, a equipe de Montiani deseja reacender o interesse pela investigação sobre a prevalência, o desenvolvimento e a função desse enigmático elemento anatômico das aves. Os pesquisadores da UFPR, que se dedicam também ao estudo do olho de diferentes espécies animais, pretendem ainda compreender melhor as doenças que acometem a visão de espécies selvagens e exóticas. Segundo Montiani, isso vem dando subsídios para se conhecer melhor a visão humana, já que os olhos dos vertebrados apresentam as mesmas estruturas fundamentais. Cabe lembrar que algumas células do olho humano, particularmente da retina, ainda não são totalmente conhecidas. Com a identificação da estrutura óptica na gralha-azul – que enfrenta situação crítica no Paraná em virtude da derrubada das florestas de araucária –, a equipe alerta para a importância da preservação de animais que sofrem risco de extinção. A gralha-azul é membro de uma família de aves de ampla distribuição geográfica e que ocorre sobretudo em regiões de clima temperado. É encontrada em matas que se estendem, no Brasil, entre os estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul; está presente também no Paraguai e no norte da Argentina. Com aproximadamente 40 cm de comprimento, a ave apresenta plumagem azul brilhante e olho fortemente pigmentado; já a cabeça, a parte ventral do pescoço e a parte cranial do peito têm coloração negra. Na lista das espécies animais mais apreendidas no sul do Brasil, a gralha-azul ocupa a 32ª posição.


Luan Galani

Especial para Ciência Hoje/PR

sábado, 31 de maio de 2008

A Evolução e o Relojoeiro Cego

POR EDUARDO REAL , COLABORAÇÃO DE ROBERTO TAKATA E PANTANEIRO ANDRADE


“A seleção natural é o relojoeiro cego, cego porque não antevê,
não planeia as conseqüências, não tem um objetivo em vista. No
entanto, os resultados da seleção natural impressionam-nos irresistivelmente
pela sua aparência de concepção, como se houvesse
um relojoeiro cego, dão-nos a ilusão de concepção e planejamento.”

Richard Dawkins, O Relojoeiro Cego pg.39.


Essa famosa frase escrita pelo zoólogo inglês Richard Dawkins presente em seu livro “O Relojoeiro Cego” – e tão desonestamente adulterada por criacionistas – dá uma dimensão exata de como ocorre a evolução biológica e o processo de seleção natural. Não é um processo de resultados previsíveis. As variações em determinado ambiente onde uma espécie habita podem ser imprevisíveis, assim como o surgimento de mutações. As modificações no material genético são totalmente aleatórias e para representar vantagem para o ser vivo devem se encaixar em determinada característica ambiental. Apesar de podermos fazer previsões de como a seleção atuaria em determinadas pressões ambientais – Como a Regra de Bergmann que diz que animais que vivem em ambientes frios tendem a ter dimensões maiores para melhor regulação térmica – o futuro de uma determinada população e as alterações de suas características são impossíveis de determinar. Exemplos de como características sofrem drásticas alterações ao longo de milhões de anos, podem ser vistas abaixo:


Evolução da cauda

A cauda pós-anal está presente em todos os vertebrados, mesmo em estágio larval ou embrionário, sendo uma extensão da coluna vertebral em posição dorsal em relação ao ânus. Tendo como função primordial a locomoção no meio aquático onde os primeiros cordados surgiram.

Esse papel ocorre nos primeiros cordados até os peixes. A locomoção pelo substrato, a fuga de um predador ou captura de uma presa tem a cauda como principal órgão locomotor. O habitat e os hábitos alimentares de um peixe podem ser previstos através da análise dos lobos da cauda. Nos tubarões o padrão de cauda que predomina é a heterocerca – com lobos de tamanho desigual – e que confere diferentes características ao animal. O tubarão-tigre tem um grande lobo superior que lhe confere máxima velocidade de cruzeiro ou repentinas rajadas de velocidade, garantindo uma alimentação variada. O tubarão sardo (Lamna Nasus) que caça peixes como a cavala e o arenque tem um grande lobo inferior que lhe dá maior velocidade e mantem o ritmo. O tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) não possui lobo inferior facilitando a perseguição em estreitas fendas entre as rochas.

Os lobos podem ter o tamanho alterado para outras características, como o tubarão-raposa que possui uma grande cauda que ele usa para cercar cardumes de peixes e lulas.


Uma exceção está em espécies como o tubarão-branco e o tubarão-mako que possuem caudas homocercas, com os dois lobos de tamanhos iguais o que conferem um nado veloz e constante, ideal para seres que vivem na zona pelágica, em suas perseguições em alto-mar.

Entre os condrictes, também existem peculiaridades. Como as raias em que a cauda se tornou fina e o lobo superior se transformou em um espinho venenoso. O rabo tem função de defesa a locomoção é feita pelas nadadeiras bem desenvolvidas do animal. Outro que não usa a cauda apenas para dar impulso é o tubarão-charuto (Isistius brasiliensis) que possui uma cauda bioluminescente, exceto em uma pequena parte que contrasta com a parte luminosa, aparentando ser um pequeno peixe. Ao avistá-la, peixes maiores – como o atum –a tomam por uma presa e atacam a cauda do tubarão que aproveita e arranca pedaços de carne com uma forte mordida.

Os peixes ósseos possuem em sua grande maioria cauda homocerca, conseguindo nadar em um ritmo uniforme. Existindo, no entanto, peixes como o cavalo-marinho cuja cauda não lhe serve para o nado e sim para que ele se prenda aos corais para que possa esperar que suas pequenas presas passem. E o peixe-lua (Mola mola) que não possui cauda.


Com a conquista do ambiente terrestre a cauda que em seres aquáticos tinha como principal função o impulso, agora tem como função manter o equilíbrio durante o deslocamento. A impulsão no nado é mantida em anfíbios urodelos (salamandras e tritões) e em anuros antes da idade adulta.


A diversificação de funções e formas surpreende. O auxílio do movimento continua a principal função. Dando equilíbrio no movimento em terra como na maioria dos vertebrados quadrúpedes, contrabalançando o peso corporal e facilitando os passos. Os animais bípedes também a usam para se equilibrar sobre as duas patas como em dinossauros terópodes e no lagarto-Jesus-Cristo que realiza rápidas corridas sob está posição, conseguindo andar por cima da linha d’água.
Macacos também a usam para se penderem aos galhos das árvores. Mamíferos como o guepardo, usam o rabo como contrapeso, fazendo curvas e mudando de direção a mais de 100 km/h.

Nas aves voadoras, a cauda possui penas grandes e rígidas que servem como leme, estabilizando o vôo e mudando a direção. Também serve como atrativo sexual, como na ave-do-paraíso que possui longas penas coloridas.

Há os animais sem rabo, como o gibão e o homem que possui o cócxis, Órgãos vestigiais são aqueles que perderam a função nicial se atrofiando totalmente.


Servindo também como reserva de gordura (crocodilos e lagartos). Na comunicação (como em cães, cervos e cascavéis com seu guiso anunciando perigo a possíveis agressores), na defesa (como em estegossauros, anquilossauros e gliptodontes), na locomoção em meio aquático (baleias, que possuem caudas semelhantes aos dos peixes). E adotando multiplas funções, como nos crocodilos que a usam para reserva energética, defesa e locomoção aquática.

A cauda também pode ser usada para confundir predadores. Certos lagartos a desprende do corpo ao sofrer pressão, servindo como distração para o predador enquanto o réptil foge.



Evolução dos dentes

Os agnatos já possuíam dentes. Que usavam para cravarem em peixes para sugar seu sangue ou para se arrancarem nacos de animais mortos. Assim como seus parentes atuais como a lampreia e o peixe-bruxa. Tendo eles dentes de natureza queratinoza, mas os genes responsáveis pela formação dentária estão presentes em todos os vertebrados, desde essa época.

Com o surgimento da mandíbula, o ato predatório foi muito favorecido. Sendo os dentes as armas que prendiam e arrancavam pedaços do alimento. Nessa aquisição podem ter surgido os dentes dos vertebrados acima na escala evolutiva. Já que são estruturas homólogas as escamas dérmicas dos peixes condrictes. Escamas próximas a mandíbula podem ter se modificado e dado origem a eles. Porém, existindo a possibilidade deles terem surgido dos dentículos faringianos.

A dentição está diretamente relacionada com os hábitos alimentares de cada espécie. Para cada alimentação existem dentes especiais. Existindo essa diferenciação nos peixes com dieta diferentes. Como os peixes-papagaios que com dentes robustos aliados a fortes maxilares arrancam algas e corais das rochas. Análogo ao peixe-ostra que, porém, os usa para quebrar conchas de moluscos. Com tubarões não é diferente.

Nos anfíbios os dentes são poucos desenvolvidos, (alguns sapos e rãs não os possuem mais) já que o principal órgão de captura é a língua e estruturas complementares como os dentes vomerianos, encontrados no céu da boca e que prendem as presas capturadas, porém não são dentes verdadeiros.

Tudo muda nos répteis que apresenta dentes mais desenvolvidos, estando implantados nos alvéolos. Tendo forma cônica, sem diferenciações entre eles. Os únicos que possuem u certo grau de heterodontia é o das cobras peçonhentas. Com duas presas injetoras de veneno, com tamanho superior aos demais.

Nas aves vemos uma total ausência de dentição, quando alamos em aves devemos pensar em animais que modificaram completamente sua morfologia para conseguir voar. O crânio sem dentes da maior leveza e assim facilita o vôo e no local destes surge um bico ósseo, que se especializou nas mais diversas funções.

Já nos mamíferos, o trajeto evolutivo foi diferente, tendo o surgimento da heterodontia, a diferenciação dos dentes de um animal em varias funções como segurar, rasgar e mastigar o alimento. Incisivos, caninos e molares, respectivamente. Sendo a heterodontia sofisticada e especializada é uma característica clássica dessa ordem de vertebrados. Existem alguns dinossauros e alguns répteis que possuem alguma variação dentária, porém são exceções.

Também possuem inovações como mandíbula rígida, musculatura mastigatória bem desenvolvida e encaixe oclusal preciso, tornando-os mais eficientes em aproveitar os nutrientes (especialmente os herbívoros) saciando a alta demanda energética da endotermia. E para suportar o desgaste o esmalte é mais resistente do que nos outros vertebrados, grupos como os roedores possuem dentes de crescimento constante, devido ao uso intenso.

Cada ordem de mamífero possui peculiaridades, tendo partes de sua dentição mais desenvolvida e outras diminuídas ou inexistentes, segundo seu regime alimentar. Como nos mamíferos artiodátilos (com patas de casco fendido) como os bois, veados, antílopes e girafas. Em que os molares são muito desenvolvidos para mastigar os vegetais e arrancar-lhes os nutrientes, não possuindo dentes caninos. Estes últimos são clássicos em carnívoros que os usam para segurar e matar as presas. Felinos os apertam contra a garganta de suas vítimas, matando por asfixia, seus parentes extintos – os tigres dentes de sabre – não conseguiam usar tal método devido ao tamanho desproporcional de seus caninos, eram usados como uma foice. Com eles fazia um grande ferimento e a caça morria pela perda de sangue.

Os primatas têm em sua mandíbula todos os tipos de dentes típicos, usados na dieta onívora. Porém, o tamanho do dente e da mandíbula vai regredindo na escala evolutiva dos primatas, desde os macacos do Novo Mundo aos antropóides e destes aos seres humanos que possuem caninos pouco acentuados e mandíbula fraca, tal mudança é vista de forma gradativa através de fósseis de hominídeos. Pesquisadores especulam que a descoberta do fogo seja a responsável pela diminuição.

Nos cetáceos a volta a água acarretou não apenas na regressão dos membros inferiores, mas também nos dentes. Golfinhos, orcas e cachalotes mantiveram os dentes, mas perderam a heterodontia, tendo dentes de formato cônico, mais eficiente na captura de presas no meio aquático. Já nos Misticetos (como a baleia-azul e a jubarte) eles são inexistentes, em seu lugar existem barbatanas, longas laminas flexíveis de queratina que filtram o plâncton, base de sua alimentação.

Os fósseis mais antigos de barbatanas datam de 15 milhões de anos, acredita-se que sua origem seja mais antiga, com fósseis de baleias de crânio modificado associado a barbatanas de até 30 milhões de anos. Uma das pistas de sua origem evolutiva é a marsopa de Dall (Phocoenoides dalli) com um epitélio modificado na gengiva, conhecida como gengiva dentada, que ajuda na captura de presas escorregadias como as lulas e é molecularmente idêntica as barbatanas dos misticetos.

Também dos cetáceos vem o que é de longe a mais variada e “criativa” adaptação dentária. O narval (Monodon monoceros) com o dente incisivo esquerdo dos machos de formato espiralado, semelhante a um chifre e que mede até 3 metros, metade do comprimento do animal. Não sendo apenas um sinal claro de dimorfismo sexual usado para disputas entre os machos. Uma equipe da Universidade de Harvard ao passar o material no microscópio eletrônico fez a seguinte descoberta descrita no Jornal da Escola Médica de Harvard:

"Nweeia tinha descoberto que o dente do narval tem capacidades sensoriais hidrodinâmicas. Dez milhões de túneis formam conexões nervosas a partir do nervo central do marfim do narval a sua superfície exterior. Embora aparentemente rígido e duro, o marfim é como uma membrana com uma superfície extrema sensivel, capaz de detectar mudanças na temperatura da água, pressão e gradientes de partículas. Como essas baleias podem detectar o gradiente de partículas na água, eles são capazes de discernir a salinidade, o que poderia ajudá-las a sobreviver em seu ambiente gelado do Ártico. Também permite que as baleias detectem partículas características de peixes que constituem a sua dieta. Certamente, não há comparação na natureza com nenhum dente na forma única de expressão funcional e de adaptação."

Caracteristicas como essas mostram como o relojoeiro cego pode criar trabalhos incríveis.









REFERENCIAS

http://pt.wikipedia.org/wiki/

http://en.wikipedia.org.wiki/

http://www.scafo.com.br/

http://www.marinebio.com/

http://cienciahoje.uol.com.br/

http://www.portalopen.com.br/

sábado, 17 de maio de 2008

Antílope Azul


O antílope azul ou palanca azul (Hippotragus leucophaeus) viveu no Sul da África, na região do Cabo. Pertencia ao grupo de antílopes ROAN, mas sendo ligeiramente menor que eles, com 1,10 m de altura e 160 kg. Segundo relatos possuía uma pelagem azulada, que dava uma aparência exótica. Apesar de nenhum dos exemplares conservados em museus europeus terem essa tonalidade, tendo uma cloração marrom uniforme, sem nenhuma mancha azul. O tom pode ser dado pela mistura de pelos pretos e amarelos ou só ser encontrada em animais mais velhos, ou ainda, a cor azul pode ser uma variante da pelagem cinza que é encontrada também ao cefalófolo-azul.

Travou os primeiros contatos com os europeus por volta do século XVIII, quando estes colonizaram a África do Sul. Logo surgiram várias descrições contraditórias de viajantes, que mandavam peles e crânios para a Europa. Relatos mostram que não eram muito numerosos, sendo endêmicos em um território muito pequeno. Indícios mostram que habitou uma região mais vasta. Mas após a última era glacial – a 10 mil anos atrás – a sua distribuição geográfica se reduziu devido a desertificação de vários pontos, ou tornando-os muito secos para o crescimento de gramíneas que consomem. Possuíam hábitos alimentares exigentes. Comia apenas gramíneas de alta qualidade, sendo estas em locais bem úmidos, consumindo muita água. Ao contrário de seus parentes mais próximos que vivem em áreas desérticas e podem ficar meses sem beber, se sustentando apenas com a água das plantas que ingerem. Esse foi fator de sua redução geográfica.
Assim como as outras espécies do mesmo gênero vivia em pequenos grupos e possuía características semelhantes como os chifres, orem não possuindo crina.

Sua extinção se deu pela caça excessiva pela sua carne e sua pele, que era considerada um belo troféu de caça, e por competir com as ovelhas pelas melhores áreas de pastagem e por volta de 1800 a espécie desaparecera. O antílope azul foi o primeiro mamífero de grande porte a ser extinto na África nos tempos históricos.

domingo, 11 de maio de 2008

Descoberto dinossauro mumificado nos EUA


No dia 3 de dezembro de 2007, cientistas anunciaram a descoberta de um dinossauro mumificado, com ossos, pele e músculos parcialmente conservados. Trata-se do dinossauro mais bem conservado já encontrado e uma das mais importantes descobertas da paleontologia. Era um hadrossauro de oito metros de comprimento e quatro toneladas e que viveu a 67 milhões de anos, durante o período Cretáceo, onde hoje é o estado de Dakota do Norte, EUA. Sendo contemporâneo do Tiranossauro-rex.

O herbívoro foi descoberto em 1999, por um jovem de 17 anos chamado Tyler Lyson, e chamado de Dakota. A partir de então foi cuidadosamente escavado por uma equipe de paleontólogos da Universidade de Manchester, liderados por Phil Manning, e então meticulosamente estudado. Apesar de ter sido chamado de múmia, o dinossauro foi fossilizado. Teve o corpo rapidamente coberto pela lama após a morte, evitando que decompositores e animais carnívoros o tivessem consumido. Além da pele, ligamentos, tendões e órgãos internos podem ter sido preservados. Tecidos moles tendem a ser rapidamente decompostos, restando apenas tecidos mais resistentes como os ossos, raramente se fossilizam e quando isso acontece, tais fósseis tornam o achado especial.

Dakota pode dar pistas de que velocidade ele poderia chegar e de como era a sua pele. Analises mostram que a parte posterior do hadrossauro era 25 % maior do que se imaginava garantindo uma velocidade de 45 km/h. Sendo mais rápido que o tiranossauro e garantindo uma boa fuga ao animal. Sua pele petrificada mostra as marcas das escamas e raias multicoloridas que podem ter ajudado na camuflagem.
Tais surpresas só foram reveladas pelo uso do maior aparelho de tomografia computadorizada do mundo, cedido pela Boeing e que é usado pela Nasa para inspecionar peças de ônibus espaciais. Com ele foi possível estudar o dinossauro envolto nas camadas de rocha.

Todos os passos da analise aparecem em um documentário feito pela National Geografic e que pode ser visto abaixo:



video

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Hábitat inusitado


Cientistas “redescobrem” espécie de mosca caribenha que habita o corpo de caranguejo


O interior da boca e o corpo de caranguejos são a curiosa morada de uma espécie de drosófila endêmica das ilhas Cayman, no Caribe. Essas moscas se alimentam de micróbios disponíveis no corpo do crustáceo e não eram observadas desde 1966. Elas acabam de ser “redescobertas” por cientistas alemães, que puderam estabelecer seus laços de parentesco com outras espécies da mesma família.


A mosca em questão – a Drosophila endobranchia – vive no corpo do caranguejo da espécie Gecarcinus ruricola. “Os ovos da mosca são depositados ao redor dos olhos do caranguejo”, explica à CH On-line o biólogo Bill S. Hansson, do Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha, membro da equipe que estudou a espécie. “Após eclodir, as larvas migram para as patas, onde se alimentam de micróbios presentes na urina do animal. Em um segundo estágio, as larvas de deslocam para as guelras, onde permanecem por meses.”


Em seguida, as larvas da mosca se instalam ao redor da abertura da boca do caranguejo, até se tornarem indivíduos adultos. “Elas continuam então no organismo do crustáceo, tanto na carapaça como em partes da boca”, completa Hansson. O pesquisador destaca que essa relação não traz vantagens ou desvantagens ao caranguejo – apenas a mosca é beneficiada.


A espécie é pertence ao mesmo gênero da Drosophila melanogaster, um dos organismos modelo de estudos genéticos mais populares em laboratórios do mundo inteiro. Hansson lembra que, embora as drosófilas sejam comumente conhecidas como moscas-das-frutas, a maioria das espécies desse gênero se alimenta de microrganismos. Além da D. endobranchia, outras espécies também utilizam caranguejos como substratos, pelos mesmos motivos.


É o caso da D. carcinophila, também encontrada no Caribe, e da Lissocephala powelli, restrita à ilha Christmas, no oceano Índico. Para Hansson, trata-se de um caso de evolução paralela – em que espécies distintas com um ancestral comum desenvolveram características semelhantes devido a pressões evolutivas similares.


Mosca sumida

A D. endobranchia foi descrita pela primeira vez em 1966 e depois nunca mais foi estudada. A equipe de Hansson decidiu reencontrar a espécie para entender melhor sua relação com outras drosofilídeas. Em expedição às ilhas Cayman no início do ano passado, o grupo conseguiu coletar 66 espécimes.


A análise morfológica e molecular da espécie redescoberta, publicada este mês na revista Plos One, permitiu redefinir sua filogenia. “Os próximos passos são compreender com mais detalhes os hábitos dessa mosca e realizar exames genéticos aprofundados, para que possamos estabelecer sua posição na árvore genealógica das drosófilas”, prevê o biólogo.



Andressa Spata

Ciência Hoje On-line

22/04/2008

sábado, 26 de abril de 2008

Menina muda de grupo sangüíneo após transplante


Uma menina australiana mudou espontaneamente de grupo sangüíneo e adotou o sistema imunológico de seu doador após ter sido submetida a um transplante de fígado, um caso sem precedentes conhecidos, ressaltaram nesta quinta-feira fontes médicas.


Demi-Lee Brennan, acometida por uma grave doença, tinha 9 anos quando fez o transplante. Nove meses depois os médicos descobriram que havia mudado de grupo sangüíneo e de sistema imunológico para adotar os do doador, depois que as células-tronco do novo fígado migraram para sua medula óssea.


Agora ela vive com um fígado saudável aos 15 anos, disse Michael Stormon, um dos médicos responsáveis pelo seu tratamento. "É insólito, de fato não sabemos de nenhum outro caso em que isto tenha ocorrido", declarou Stormon. "Na verdade, foi submetida a um transplante de médula óssea. A maior parte de seu sistema imunológico também foi substituído pelo do doador", acrescentou.


Milagre

A mãe de Brennan, Kerrie Mills, classificou o fato de "milagre" e a própria paciente disse em uma entrevista coletiva à imprensa que os médicos a trouxeram de volta à vida. "Por mais que agradeça nunca será o suficiente. É como se fosse minha segunda chance", afirmou.


A equipe médica que tratou Brennan está muito interessada em analisar se é possível tirar proveito deste caso, levando em conta que a rejeição de órgãos do doador por parte do sistema imunológico do receptor é uma das principais barreiras para os transplantes.


Stormon considera que a menina pode ter sido beneficiada por "uma seqüência de acontecimentos fortuitos". É possível, disse, que uma infecção pós-transplante tenha permitido que as células-tronco hepáticas de seu doador tenham se proliferado em sua medula óssea, onde se desenvolveram as células sanguíneas.


A dificuldade está agora em estabelecer se é possível reproduzir este resultado em outros pacientes. "Nosso desafio agora é tentar entender como ocorreu", afirmou Stormon. "O Santo Graal da medicina do transplante é a imunotolerância. Ela é um exemplo de que pode ocorrer", concluiu.


AFP



sábado, 19 de abril de 2008

Cientistas encontram árvore mais antiga do mundo na Suécia

Pinheiro foi encontrado em Dalarna e calcula-se que tenha 9500 anos de idade

COPENHAGUE - Cientistas da Universidade de Umeå encontraram na província de Dalarna, no noroeste da Suécia, uma conífera de 9.550 anos, a árvore viva mais antiga registrada até o momento no mundo.

Se trata de um pinheiro da Noruega (Picea abis), uma conífera que se encontra por toda Europa, usada como pinheiro de natal nos países nórdicos, muito apreciada em jardinagem e do tipo que se empregou para fabricar os violinos Stradivarius.

Abaixo da copa de um pinheiro de uns quatro metros de altura no parque nacional de Fulufjället, em Dalarna, se acharam restos de seu sistema de raízes na camada superior de terra pertencentes a quatro gerações distintas, com idade de 375, 5660, 9000 e 9500 anos, disse Leif Kullman, professor de geografia natural da Universidade de Umeå (Suécia) e diretor da pesquisa.

A idade dos restos foi determinada através do método do Carbono 14 em um laboratório de Miami, Estados Unidos.

Na América do Norte se tinham encontrado explares de pinheiros de 4000 e 5000 anos.

A longevidade dessa árvore se explica por sua capacidade de clonar-se a si mesma, de modo que das reservas da raiz nascem novos talos e tronco, e para adaptar-se às mudanças climáticas, evoluindo de árvore a arbusto engolido por si mesmo.

Em toda a cadeia montanhosa sueca, que se extende desde a Lapônia, ao norte, até Dalarna, ao sul, fazendo fronteira com o Noruega, os investigadores suecos encontraram um conjunto de pinheiros com mais de oito mil anos de idade.

Kullman cree que esses achados põem em questão a teoria de que o pinheiro era uma espécie tardia chegada à Suécia, quando na realidade foi uma das primeiras plantas a assentarem-se ali.

"Minhas investigações apontam a que o pinheiro passou a era glacial a oeste e sudoeste da Noruega, onde o clima não era tão frio, para logo extender suas sementes rapidamente ao norte e pela costa, e daí para as montanhas suecas", ressaltou.

A capacidade de adaptação desta espécie permite utilizá-la para obter pistas sobre os efeitos da mudança climática na atualidade.

O aumento das temperaturas em um grau no verão nesta zona no último século tem feito que os pinheiros mudem de forma e aumentem a altura, segundo Kullman.

A pesquisa faz parte de um estúdio sobre as povoações de árvores na Escandinávia durante a era do degelo, realizado em colaboração com as autoridades provinciais de Jämtland e Dalarna.

http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid158053,0.htm

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tigre-da-Tasmãnia



O lobo-da-tasmânia ou tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus) é um marsupial carnívoro da ordem Dasyuromorphia, extinto em 1936 que viveu na Tasmânia, ilha a sul da Austrália, no atual Holoceno.

Apesar do nome, este animal não está relacionado com os lobos ou com os tigres, que são mamíferos placentários. No Plistoceno, o lobo-da-tasmânia estava distribuído pela Austrália e Tasmânia, onde era predador de topo de cadeia alimentar. Foi descrito primeiramente em 1792 pelo naturalista frances Jacques Labillardière.

Em aparência, o lobo-da-tasmânia era semelhante a um cão de pelo curto e focinho afilado, com riscas verticais nos quartos traseiros, cerca de 16 a 17 listras, sendo a pelagem cor bege com onalidade creme no abdômen, que deram origem ao nome tigre-da-tasmânia. O comprimento era de até 1,80 m e mais 60 cm de cauda do tamanho de um "grande cão" com uma cauda rígida, sendo os machos um pouco maiores que as fêmeas, estas possuindo uma bolsa característica dos marsupiais, mas que, ao contrário dos outros marsupiais, abria para a parte traseira do animal.

O lobo-da-tasmânia apresentava muitas semelhanças com os membros da família Canidae (cão) do Hemisfério Norte: dentes afiados, mandíbulas poderosas, digitígrados e a mesma forma geral corpo. Este é um exemplo de evolução convergente. Dado que o lobo-da-tasmânia ocupou o mesmo nicho ecológico na Austrália como a família do cão fez noutras regiões, desenvolveram muitas características idênticas. Apesar disso, esta espécie não está relacionada com qualquer dos predadores do hemisfério norte - o seu parente mais próximo vivo é o Demônio-da-Tasmânia (Sarcophilus harrisii).

Era um caçador solitário, caçando às vezes em pares, seu método era escolher um animal, como um pequeno canguru e então segui-lo até cansá-lo, pulando então sobre ele e matando-o com suas fortes maxilas, as quais podiam atingir uma abertura angular de 120 graus.

O lobo-da-tasmânia era exclusivamente carnívoro. Seu estômago era musculoso com a capacidade de distender-se para permitir que o animal comesse grandes quantidades de alimento de uma só vez, provavelmente uma adaptação compensatória para os longos períodos em que a caça era mal sucedida e o alimento escasseava. Análise das observações esqueletais do animal em cativeiro é ele que escolhe um animal como alvo e que persegue-o até que o mesmo esteja esgotado. Alguns estudos concluem que o animal pode ter caçado em grupos familiares pequenos com o grupo principal que agrupa a rapina no sentido geral de uma espera individual na caça caçadores relataram-no como um predador solitário, que caçava desde marsupiais como cangurus, koalas e wombats até aves. Era um caçador noturno e crepuscular.

A intenção dos colonos de transformarem a Tasmânia em uma extensão da Inglaterra deu origem à criação de rebanhos de ovelhas. Isto, por sua vez, fez com que cães selvagens, que viviam naquele local antes dos colonos, atacassem as ovelhas. Porém os lobo-da-tasmânia não caçavam as ovelhas, mas eles foram dados como culpados pela caça delas, já que eram animais estranhos e considerados carniceiros. Assim os donos de rebanhos caçaram os lobos-da-tasmânia até à sua extinção. Criadores de ovelhas e o próprio governo ofereciam uma boa recompensa em dinheiro pela sua captura e então ele foi caçado impiedosamente de 1840-1909. Espécimes vivos apanhados em armadilhas eram logo comprados por zoológicos no exterior, animais mortos eram "trocados" por recompensas financiadas pelo governo, e somado ao fato da população de tigres-da-tasmânia ter sido reduzida por uma séria doença desconhecida que devastou grande parte da vida selvagem da Tasmânia há muitos anos. Por volta de 1914, mais de 2000 lobos-da-tasmânia tinham sido massacrados e a espécie continuou a diminuir em número até se extinguir. Sem dúvida o homem foi o maior responsável por sua dizimação. O tigre-da-tasmânia foi considerado oficialmente extinto quando o último espécime morreu em 7 de Setembro de 1936, no zoológico de Hobart, Tasmânia. Se chamava Benjamin e só após sua morte descobriram que era um fêmea. Seu desaparecimento se deu porque nessa época os zoológicos não tinham o objetivo de salvar espécies ameaçadas como hoje em dia.

Após seu desaparecimento, seu nicho foi ocupado pelo diabo-da-tasmânia.

Nos últimos anos surgiram especulações sobre a possibilidade de clonar o lobo-da-tasmânia e trazer esta espécie à vida. O problema principal foi encontrar DNA em boas condições, algo que as centenas das células poderiam conservaram, mas no formol não permanecia nenhuma. Não desistindo, em 1999, um grupo de cientistas australianos abriu uma porta para a esperança, porque um frasco de 1866 estava nos fundos de um museu que conservasse um jovem lobo-da-tasmânia em seu interior, conservado em uma solução de álcool e não de formol. O álcool, não destrói todo DNA, e pode conservar a integridade do DNA durante todo período em que foi conservado. Em 2000 a extração aparente do DNA em bom estado foi anunciada, e em 2002 a réplica bem sucedido desse material genético, sem falhas. Em Fevereiro de 2005 o governo australiano deu marcha-ré ao projeto e cancelou o financiamento, forçando sua paralisação. Talvez no futuro possa ser reiniciado, mas não há nenhuma data prevista para o retorno do lobo-da-tasmânia.






Referencias:


http://wikipedia.org

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O predador dos mares

Colunista apresenta o crocodiliforme extinto de hábito marinho que acaba de ser descrito por pesquisadores brasileiros

Paleontólogos brasileiros anunciaram esta semana uma importante descoberta que deve nos ajudar a entender como evoluíram os répteis que habitaram os mares do passado. O Guarinisuchus munizi, encontrado em Pernambuco, viveu na costa do Nordeste brasileiro há cerca de 62 milhões de anos e é o mais completo representante na América do Sul de um grupo de répteis conhecidos como dirossaurídeos.

Os dirossaurídeos, por sua vez, se incluem em um grupo mais amplo, que possui uma história única no registro geológico da Terra: os crocodiliformes. Esses répteis surgiram há aproximadamente 200 milhões de anos e sobreviveram a diversos eventos de extinção em massa no planeta até chegar aos dias de hoje. Nesse intervalo, eles se modificaram e se adaptaram com o passar do tempo.

Hoje esses répteis contam com apenas 23 espécies, representando três grupos: jacarés, crocodilos e gaviais. Mas no passado, como já vimos em outra coluna , a diversidade era enorme, com espécies de hábitos completamente terrestres e outras totalmente marinhas, como a que acaba de ser descoberta.

Descoberta inesperada
Há cerca de cinco anos, os colegas José Antonio Barbosa e Maria Somália S. Viana estavam realizando uma atividade de campo rotineira na Mina Poty, situada ao norte de Recife (PE). Essa mina é um dos poucos lugares no Brasil onde se registra o limite entre os períodos geológicos Cretáceo e Paleógeno (ou K/Pg – antigo K/T). Esse limite marca a extinção de diversos grupos, incluindo a maioria dos dinossauros.

Antonio e Somália encontraram, cerca de 11 metros acima do limite K/Pg, ossos e dentes envoltos em rochas calcárias de coloração cinza. No início não estava bem claro a que animal pertenciam, mas eles sabiam que era algo muito importante. Até então, os únicos vertebrados que aquelas camadas – designadas de Formação Maria Farinha – tinham fornecido eram dentes de tubarões, peixes ósseos, placas de tartarugas e ossos isolados de crocodiliformes marinhos do grupo dos dirossaurídeos.

Esse grupo de répteis, bastante raro na América do Sul, foi um dos poucos a ter sobrevivido à extinção do K/Pg. No Brasil, seus restos sempre se limitaram a ossos isolados – basicamente vértebras e dentes –, justamente da Mina Poty e arredores. Existia, ainda, um exemplar meio obscuro que tinha recebido o nome de Hyposaurus derbi no século 19.

Reconhecendo a importância da descoberta, eles coletaram os ossos e iniciaram a penosa tarefa de preparação do material, que contou, além de Antonio, com um grande esforço de Marcia Cristina da Silva, então aluna de Somália. A preparação acabou sendo finalizada no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com financiamento da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).

O mais completo dirossaurídeo sul-americano

À medida que a preparação avançou, constatou-se que o exemplar em questão era não só o mais completo representante dos dirossaurídeos da América do Sul, mas também uma nova espécie, que recebeu o nome de Guarinisuchus munizi. ‘Guarini’ vem do tupi e significa guerreiro; ‘suchus’ é um termo que vem do grego e é comumente empregado na descrição de crododiliformes extintos. Com o nome específico os pesquisadores fizeram uma justa homenagem ao paleontólogo Geraldo da Costa Barros Muniz, que muito contribuiu para a pesquisa de fósseis no Nordeste.

De forma geral, os dirossaurídeos possuem a parte anterior do crânio relativamente comprida e fina lateralmente, o que lhes dá um aspecto tubular. Os dentes são grandes, delgados e pontudos, o que os diferencia bem dos demais crocodiliformes, incluindo as formas recentes. O Guarinisuchus munizi também possui as aberturas temporais na parte superior do crânio bem desenvolvidas, maiores do que as órbitas, outra característica que permite classificá-lo no grupo dos dirossaurídeos.

Poucos dirossaurídeos são conhecidos, a maioria procedente de depósitos da África. O estudo dos cientistas brasileiros mostrou que o Guarinisuchus munizi era aparentado com algumas formas africanas, o que permitiu estabelecer uma teoria sobre a dispersão desses animais: a partir de sua suposta origem na África, eles teriam chegado primeiro à América do Sul para, dali, alcançar o litoral da América do Norte.

Porém, existe um outro ponto de destaque dessa pesquisa, publicada esta semana na Proceedings of the Royal Society B, com participação deste colunista. Na Mina Poty, as rochas do período Cretáceo, que são mais antigas do que 65 milhões de anos (situadas, portanto, baixo do limite K/Pg), possuem restos (sobretudo dentes) de um outro grupo de répteis marinhos chamado de mosassauros ou lagartos marinhos.

Esses restos haviam sido estudados primeiramente pelo importante pesquisador brasileiro Llewellyn Ivor Price (1905-1980). Uma nova análise do material, feita pelos paleontólogos Luciana Carvalho e Sergio Azevedo (ambos do Museu Nacional), indicou a existência de uma diversidade de mosassauros, com várias espécies

Substitutos dos mosassauros?

Sabendo disso e levando em conta também que, acima do limite K/Pg, não são mais encontrados restos de mosassauros, mas sim o Guarinisuchus munizi, Antonio e seus colegas puderam propor uma hipótese. Os pesquisadores acreditam que, após a extinção dos mosassauros, os dirossaurídeos passaram a ser os principais predadores dos mares do passado nas antigas costas brasileiras.

Resta agora saber se esse padrão de substituição dos mosassauros por animais como o Guarinisuchus munizi foi algo local, restrito ao Brasil, ou um fenômeno mundial, como acreditam os autores. Para que se tenha uma melhor avaliação dessa hipótese, são necessários agora estudos mais detalhados da distribuição dos dirossaurídeos e dos mosassauros.

Além disso, seria importante que houvesse mais estudos estratigráficos, particularmente na África, onde os dados geológicos dos lugares com restos desses répteis extintos ainda são meio confusos.

Uma reconstrução em vida de Guarinisuchus munizi de 3 metros, ambientada com fósseis originais da Mina Poty, encontra-se exposta no Museu Nacional, situado no parque da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Cidade Maravilhosa. Esse belíssimo trabalho, com um realismo fora do comum graças ao excelente trabalho do paleoescultor Claudio Salema e do museólogo João Carlos Ferreira, retrata essa "fera" dos mares que aterrorizava as costas nordestinas há 62 milhões de anos.

Alexander Kellner
Museu Nacional / UFRJ
Academia Brasileira de Ciências
26/03/2008

Mais informações e imagens estão no (ótimo) artigo original
http://cienciahoje.uol.com.br/115515

terça-feira, 25 de março de 2008

Aves da Noza Zelândia

POR EDUARDO REAL




As ilhas da Nova Zelândia, localizadas na porção sul do planeta se encontram isoladas das grandes massas continentais, apresenta clima diferenciado e relevo acidentado que aparentemente formam um lugar inóspito, mas que originaram um ecossistema único.



O arquipélago fazia parte de Gondwana, um supercontinente que englobava África, América do Sul, Antártica e Austrália. Da qual se separou por volta de 80 milhões de anos atrás, tendo entre os animais nativos aves primitivas e nenhum mamífero. E devido ao seu isolamento relativo os segundos não chegaram até o local originando uma fauna dominada por aves, répteis e insetos e que não possuía mamíferos – exceto três espécies de morcegos.

Assim, nesse meio ambiente os nichos ecológicos que em outros lugares são ocupados por mamíferos foram ocupados pelas aves. Originando espécies com adaptações incomuns para as aves e variedades que não aparecem em nenhum outro local. Tendo uma extraordinária diversidade delas até a chegada do homem.


Também houve a preservação de parte da biodiversidade original de Gondwana, mesmo vegetais como as Podocarpáceas e as faias que pouco alteraram suas formas em milhões de anos, as poucas árvores não originais vieram a bordo nos intestinos das aves migratórias. Muito da fauna de artrópodes e de vertebrados foi mantida como anfíbios incomuns e o tuatara. A maioria dos imigrantes veio da Austrália e alguns pássaros são originários da ilhas Caledônias que são muito semelhantes.

Neste período, um grupo que teve presença marcante foi os moas, aves não voadoras extintas e endêmicas pertencentes à família Dinornithidae. Estão entre as maiores aves que já existiram, com dimensões maiores que a dos avestruzes, tendo mais de 2 metros de altura e pesavam em torno de 250 kg. A maior espécie era o Dinornis robustus com mais de 2,5 metros e 300 kg.


Eram herbívoras e se alimentavam de vegetais dentro das florestas neozelandesas, onde possivelmente viviam em pequenos grupos. Uma das características mais marcante são suas asas completamente atrofiadas, não possuindo mais ossos e nem as junções delas com o corpo, mostrando a que ponto chegou sua adaptação ao habitat terrestre. Possuíam pernas fortes com pés grandes, pescoço longo e cabeça pequena acompanhada de um bico reto com narinas bem desenvolvidas. Outra característica evidente é o dimorfismo sexual, as fêmeas tinham um porte bem maior que o dos machos, tanto que os primeiros analisarem os seus ossos chegaram a classificar indivíduos de sexos diferentes em espécies separadas.



Os moas ocupam um nicho que nos continentes é preenchido pelos mamíferos ungulados. Era o herbívoro dominante em seu ecossistema, apesar da presença de aves que ocupavam nichos semelhantes como o Adzebill, muito parecido com o moa, mas com tamanho menor.

Outra ave muito comum na Nova Zelândia é o kiwi. Do tamanho de uma galinha, é parente dos moas e também a menor ave ratita do mundo. Assim como as aves deste grupo, não voam. Mas com o diferencial de que as asas, assim como os moas, se encontram muito atrofiadas e escondidas embaixo das penas que tem o formato de pelos, dando a impressão de serem inexistentes. Também não possuem outras estruturas para o vôo como a fúrcula e nem penas rígidas como os pássaros voadores. Apesar da semelhança entre os dois grupos, análises do DNA mitocondrial mostram que os moas são mais aparentados a casuares e emus. Outra característica incomum é a sua visão deficiente, ao contrário da maioria das aves, e olfato muito desenvolvido que lhe permite farejar minhocas que estão debaixo do solo. Se alimenta de minhocas, vermes, larvas, frutas e sementes que apanha com seu longo bico. Tem hábitos noturnos, para evitar predadores.

Uma ave com hábitos muito semelhantes aos dos kiwis é o kakapo (Strigops habroptilus) uma espécie de papagaio noturno, nativo do local. É o único Psitacídeo incapaz de voar. Suas asas pequenas servem apenas para que mantenham o equilíbrio ao andar entre os galhos. Não possuem musculatura para o vôo e suas penas não são rijas como a de aves voadoras, sendo invés disso muito macias e que providenciam uma boa camuflagem.



Dessa forma, o kakapo segue a tendência de diversas aves que habitam ilhas oceânicas. Como não possuem predadores em terra, indivíduos com asas atrofiadas e grande tamanho corporal e prosperaram. De modo semelhante ao kiwi possui hábitos noturnos, tem uma visão débil e olfato apurado. As penas localizadas próximas ao seu bico, que são especializadas, funcionam como bigodes sensoriais que o ajudam a se locomover na escuridão. Outra característica exótica é o seu odor intenso, descrito como uma mistura de flores e mel. Em geral, os animais não desenvolvem um cheiro forte para não serem detectados por predadores, porém por ali todos eles eram aves de rapina que usam a visão para caçar e tem olfato pouco desenvolvido. Sua camuflagem é a única defesa efetiva contra eles.



Em seu ambiente, o kakapo ocupa o mesmo papel ecológico que os roedores e pequenos mamíferos. Comem frutos, sementes e pólen e eventualmente de invertebrados. Sua fonte de alimento favorita é um fruto chamado rimu, ao qual sua temporada de frutificação está associada período de reprodução da ave.

Estes são alguns exemplos de espécies que são muito diferentes das encontradas em outras regiões do globo. Outra “esquisitice” é o pato-de-finsch (Chenonetta finschi), um parente do Pato-Australiano-da-Madeira, que não podia voar e vivia distante da água. É o único anatídeo já descoberto que não voa e que tem um modo de vida desassociado do ambiente aquático. Seus ossos foram encontrados longe de lagos e rios e em pontos onde no passado não eram cursos de água. Pela quantidade de exemplares descobertos se supõe que eram numerosos nestas ilhas.


Entre as aves voadoras estão os que são mais parentes mais próximos dos primeiros passeriformes – segundo as amostras de DNA. E Exemplos interessantes de adaptações como o kokako (Callaeas cinerea) uma ave cinza-ardósia que possui uma barbela que funciona como órgão-canoro. Permite que seu canto seja ouvido a quilômetros. Raramente voa a distâncias superiores a 100 metros, se movem pulando de galho em galho, ao qual é muito comparado aos esquilos. Come frutas, flores, samambaias e invertebrados.
Outro é o kereru (Hemiphaga novaeselandiae) um pombo nativo que foi pouco afetado pela extinção em massa que afetou o local. Tem hábitos idênticos a de outros pombos, uma curiosidade é o fato de ser 100% vegetariano, um frugivoro que tem papel destacado na disseminação de drupas. Além do falcão e da coruja neozelandeses que predavam espécies menores


Mas a maior ave voadora e uma das maiores aves de rapina que já existiram foi a Águia-de-Haast (Harpagornis moorei) que media até 3 metros de envergadura e pesava cerca de 14 kg. Sendo evidente a diferença de tamanho entre macho e fêmea, esta última podia alcançar as medidas apresentadas acima enquanto o macho era consideravelmente menor chegando a 2,5 metros e 10 kg.


Alimentava-se das aves não-voadoras da Nova Zelândia como o moa, o pato-de-finsch, o takahe e o kiwi. Estando no topo da cadeia alimentar de seu ecossistema. . Já foram encontrados ossos de moa com grades danos na cintura pélvica, indicando a grande força do rapinante, já que um moa podia ter quinze vezes o seu peso.

Ao que indica podia se mover pelo ar com grande habilidade usando sua cauda -que media até 50 centímetros – para controlar a altitude e suas asas para passar por entre as densas florestas. E suas pernas e músculos fortes permitiam levantar vôo do solo, apesar de seu peso. Podia atacar a uma veloc
idade estimada em 80 km/h atingindo sua presa na bacia e matando com um golpe no pescoço. Suas garras eram perfeitas armas de matar e seu bico encurvado era ideal para abrir a presa e arrancar seus órgãos internos. Como
não havia animais necrófagos uma única carcaça poderia alimentar uma águia por dias. Seu nicho ecológico é muito semelhante ao dos grandes mamíferos carnívoros como tigres, ursos e lobos.


Sabe-se muito pouco sobre seu comportamento, a não ser que caçava de dia e provavelmente vivia em casal.
Porém com a chegada dos Maoris – povo vindo das ilhas Polinésias – por volta do século XV. A fauna do local sofreu grande impacto. Os recém-chegados começaram a caçar os animais nativos, como o moa que servia de fonte de alimento. Sendo caçado constantemente. É o que mostram diversos ossos quebrados e carbonizados, além de colares feitos do mesmo material. Levando a espécie à extinção em menos de cem anos após a vinda dos primeiros humanos. Destino compartilhado por outras aves de grande porte. Não há indícios de que a Águia-de-Haast tenha sido caçada pelos maoris, porém ela também desapareceu devido ao fim de suas presas habituais.

A ação direta do homem não foi o único fator que dizimou diversos pássaros. Com ele vieram espécies invasoras que causaram danos enormes, como o rato-do-pacífico que chegou com os primeiros habitantes. E tal situação se agravou com a chegada dos europeus, que além de caçá-las trouxe uma grande variedade de mamíferos que desestruturaram as populações locais. Como a introdução de mustelídeos como o arminho e a doninha para o controle de coelhos. Mas esses invasores também atacaram aves que fazem ninho no chão. Aves como o kiwi foram seriamente afetadas e outras como a codorniz-da-Nova-Zelândia (Coturnix novazelandiae) foram extintas. Ainda houve espécies como o Takahe que foram consideradas extintas, mas posteriormente foram redescobertas por pesquisadores.


Outro que sofreu foi o kakapo, que antes era uma espécie bem sucedida tendo milhões de indivíduos. Servia de fonte fácil de alimento para os maoris, mas os mamíferos carnívoros causaram um grande estrago. Era um inimigo contra o qual não sabiam se defender. Seu forte cheiro se tornou uma


grande desvantagem, com o olfato apurado os novos predadores aprenderam a identificá-lo facilmente. Quando em perigo, o kakapo fica

paralisado a espera que sua camuflagem o proteja, o que pode ter funcionado com


seus antigos predadores de olfato pouco desenvolvido, mas que não deu certo contra os invasores. Hoje o kakapo é uma ave em perigo crítico de extinção, tendo atualmente uma população de apenas 86 indivíduos.


As espécies extintas antes da colonização inglesa, só se tornaram conhecidas pela biologia com a descoberta de suas ossadas. Em 1839, John Harris achou um fêmur e mandou para o paleontólogo inglês Richard Owen que analisou e constatou ser de uma grande ave. O que foi confirmado depois com a descoberta de vários ossos similares de moas. Em 1872, o pelo naturalista alemão Julio Von Haast descobriu esqueletos que haviam pertencido a uma grande ave de rapina batizada em homenagem ao seu descobridor. Acredita-se que uma pequena população de moas possa ter sobrevivido até por volta de 1830 em um ponto remoto da porção sul.


As aves da Nova Zelândia oferecem um ótimo exemplo de como os nichos ecológicos vagos atuam na diversificação de diversas espécies e como o isolamento causado pelas ilhas gera seres vivos anacrônicos. Também mostra como esses seres vivos são frágeis ao avanço do homem e à introdução de predadores e competidores. Um triste testemunho do que nossas ações podem causar.
Antes mesmo da presença maori alguns animais desapareceram. É o que aconteceu com todas as espécies de pingüins e algumas aves marinhas que residiam no litoral, fenômeno que possivelmente aconteceu devido a mudanças climáticas que também afetaram a diversidade em todo planeta. Porém a mão humana causou os maiores estragos.


Referencias:















quarta-feira, 19 de março de 2008

Animais extintos: Dodô

O blog Evolução e Biologia começa uma seção de textos sobre animais extintos pelo homem. Este é um tema fascinante, retrata espécies que desapareceram, que nunca veremos pessoalmente em um zoologico ou em seu ambiente natural. E por mais que estudemos o que restou deles talvez nunca conheceremos caracteristicas existentes neles, o que os deixa ainda mais intrigantes. E tais seres vivos servem de testemunho para mostrar como nossas ações podem ser destrutivas.

A série começa com a ave que se tornou um símbolo das espécies extintas.

DODÔ


O dodô ou dronte (Raphus cuculattus) é um a ave não-voadora extinta que era endêmica da ilha Mauricio e das Ilhas Mascarenhas, no Oceano Indico.

Media cerca de 1 metro de altura e peso em torno de 16 kg. Se alimentava de frutos e fazia ninho no chão. Tinha uma plumagem cinzeta e um bico grande e maciço, bem caracteristico .Não podia voar, tendo as asas atrofiadas e era uma ave muito lenta e desengonçada e que andava muito mal. Por essa razão foi chamado pelos portugueses de “pássaro doudo” (doido) sendo depois chamado pelos holandeses de dodô. E essa lentidão fez dessa ave um alvo fácil para os marinheiros, o que foi agravado pelo fato de não ter medo do homem. Quando um era morto os que estavam próximos não tentavam fugir e nem se esconder. Os marujos abatiam vários deles, que por serem ricos em carne encontravam neles uma boa fonte de alimento.

A situação se agravou quando os primeiros colonos chegaram na ilha trazendo espécies invasoras como ratos, cães e porcos que atacavam seus ninhos. O último dodô foi caçado em 1681 e nenhum exemplar completo foi preservado.

Recentemente, pesquisadores analisaram o DNA mitocondrial da ave e descobriram que o dodô é parente dos pombos. Descendendo de pombos migratórios que se estabeleceram na ilha a milhões de anos e foram evoluindo para formas de grande porte e perderam a capacidade de voar devido ao ambiente rico em comida e sem predadores.
Fontes

segunda-feira, 3 de março de 2008

Estudo: sapo gigante podia comer bebês-dinossauro


Uma equipe de arqueólogos americanos encontrou o fóssil de um sapo pré-histórico gigante, que seria capaz de comer filhotes de dinossauro existentes em sua época. O "sapo diabo", como foi batizado, além de ser do tamanho de uma bola de boliche, possuia uma grande boca e mandíbulas poderosas.


O animal, que recebeu o nome científico de Beelzebufo - uma mistura de "Belzebu" com "sapo", em latim - pesava cerca de 4,54 kg e media 40,6 cm de comprimento. Ele foi achado em Madagascar, na África, por pesquisadores da Stony Brook University, de Nova York.
A descoberta foi divulgada na edição de hoje do jornal Proceedings of the National Academy of Sciences.
O arqueólogo David Krause, um dos responsáveis pelas escavações, informou que o anfíbio era capaz de comer dinossauros recém-nascidos. Maior do que qualquer sapo vivo atualmente, ele também pode ter sido o maior da espécie em todos os tempos.
Para Krause, "não é impossível que o Beelzebufo abatesse lagartos, mamíferos, sapos menores e até dinossauros recém-nascido". "Deve ter sido um bicho bem malvado", confirmou Susan Evans, paleontóloga do University College de Londres, que também participou da pesquisa.
Segundo o arqueólogo, "este sapo, se tivesse semelhanças com os familiares que vivem hoje no continente, teria hábitos um tanto quanto vorazes", afirmou.
Krause informou que os primeiros ossos do sapo diabo foram encontrados em Madagascar, na costa da África, em 1993, mas somente agora conseguiram juntar fragmentos suficientes para chegar ao que realmente teria sido o animal. A criatura teria habitado o período Cretáceo, há 70 milhões de anos, em uma região onde também foram achados fósseis de dinossauros e crocodilos.
O Beelzebufo provavelmente vivia num ambiente semi-árido e caçava usando sua camuflagem, saltando de forma inesperada sobre suas presas. Embora fosse o rei dos sapos, o animal não é o maior anfíbio que já existiu. Animais como o Prionosuchus, do período Permiano (que terminou há 250 milhões de anos), pareciam crocodilos e chegavam a 9 metros.
O maior animal da espécie encontrado atualmente no planeta é o sapo Golias, que habita o oeste da África e pesa pouco mais de 3 kg.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Evolução dos frutos

POR EDUARDO REAL, COLABORAÇÃO DE RAVICK BITENCOURT

As angiospermas são os vegetais que apresentam flores e frutos, comuns em todo o planeta e importantes para o ambiente e para a espécie humana. A evolução deste grupo e de suas respectivas aquisições está entre os assuntos mais fascinantes da botânica e foi considerado por Darwin um “mistério abominável”, devido à aparição repentina no registro fóssil sem nenhum elo aparente de ligação com outros grupos.

Os primeiros fósseis aparecem por volta de 127 milhões de anos, no Cretáceo inferior. Os primeiros frutos não passavam de folhas carpelares similares a das Gimnospermas, porém fechadas sobre a semente. Igual a certas variedades de hoje em dia.

grupo das Gnetales é o mais próximo das angiospermas sendo um provável transicional entre os dois maiores grupos das fanerógamas.Apresenta as sementes revestidas por uma estrutura semelhante ao arilo e vasos lenhosos muito semelhantes a das angiospermas, porém por não terem flores verdadeiras são classificadas entre as gimnospermas. Outro grupo que pode ser um intermediário é o das Bennettitales que possuem flores muito semelhantes a das primeiras Magnoliáceas.


Com um sistema reprodutor que garantia uma melhor polinização e posteriormente um sistema de dispersão de sementes eficiente esse filo vegetal garantiu uma ampla distribuição geográfica e a ocupação de diversos ambientes com pressões seletivas diferentes resultando em uma enorme diversificação. Por volta de 90 e 80 milhões de anos já dominavam o ambiente terrestre, onde antes reinavam plantas coníferas. E atualmente contam com cerca de 250 000 espécies – mais que qualquer outra divisão Anthophyta.

A função primordial do fruto é proteger a semente durante seu amadurecimento, razão pela qual os carpelos se fecharam. E ao longo do tempo as formas de dispersão foram se desenvolvendo. Cuja finalidade é estender a área da espécie, evitando assim a competição entre os novos indivíduos com a planta-mãe por água, nutrientes e espaço. Garantindo o vigor da progênie comum.


Um dos mecanismos é a anemocoria que é a disseminação através do vento. Um exemplo é a Merremia dissecta, uma convolvulácea que se especializou em vôos curtos através de suas sépalas em formato de hélice. Frutos com esse tipo de disperção não apresentam endocarpo carnoso e tem estruturas que facilitam o transporte pelo ar muito como o dente de leão.


Outro tipo é a hidrocória que usa a água como dispersor, notadamente tais frutas apresentam aquisições que lhes permite flutuar. O coco (Cocos nucifera) consegue boiar graças ao seu interior lenhoso, sendo levado ao sabor das ondas até terra firme, tendo ampla distribuição por regiões litorâneas.

Um exemplo curioso é o pepino-do-diabo (Ecballium elaterium). Essa espécie possui frutos que quando estimulados por algum toque, explodem lançando as sementes violentamente pelo ambiente. Esse fenômeno é chamado balocoria e não se trata de um caso raro, ocorrendo em vários vegetais.


Um dos métodos de dispersão mais comum é a zoocoria que tem animais como agentes dispersores. Este tipo possui uma grande diversidade de formas como a ectozoocoria no qual a estrutura que contem a semente se fixa no indivíduo através de espinhos ou estruturas grudentas e são levadas a outras áreas.

Na maioria das vezes, o fruto é ingerido e as sementes passam pelo trato digestório sendo eliminadas pelas fezes. Esta entre as primeiras formas de disseminação. Figos, frutas-pão e uvas existem desde a época dos dinossauros e com certeza fizeram parte da dieta desses répteis.


Estas estruturas apresentam, em geral, certas adaptações como cor vistosa, polpa saborosa e aroma atraente como o noni (Morinda citrifolia) que além de cor e sabor intensos tem um forte odor que atrai vários disseminadores. Outras características são sementes resistentes e até laxativos que fazem com que a semente fique dentro dos intestinos do animal durante o tempo certo.


Em geral vários mamíferos, aves, répteis e peixes têm papel destacado na distribuição de sementes. Até mesmo formigas podem ser transportadoras (mirmecocoria), sendo atraídas pelos oleossomos, reservas nutritivas dispostas no exterior da semente.


Na trajetória evolutiva cada espécie que possui esse tipo de dispersão está relativamente bem adaptada aos seus dispersores. Evoluindo junto com eles e tendo suas estruturas bem ajustadas. Essa relação pode levar a dependência e se uma das partes for extinta ou tiver redução drástica do número a outra também está ameaçada. Como no caso abaixo.


Existem arvores frutíferas na América Central como a Crescentia alata e a Annona purpurea que apresentam frutos com 20 e 30 centímetros de comprimento, respectivamente. E por terem um grande porte, tais frutos não possuem os agentes de dispersão adequados. Cotias, pecaris e outros mamíferos nativos podem consumir ou movimentar alguns, mas a maioria perece próxima à base da arvore, não ocorrendo uma dispersão adequada. Por causa destes desajustes são consideradas “anacronismos neotropicais” por alguns estudiosos.


Se não estão perfeitamente adaptadas a fauna atual, não se pode dizer o mesmo da megafauna extinta a 10 mil anos atrás. Cavalos gigantes, gonfotérios e mastodontes pisaram nessas florestas e consumiram tais frutos. Uma palmeira, a Scheelea rostrata produz cerca de 5 mil frutos a cada frutificação. Um ou outro é pego por pequenos mamíferos, mas a maioria apodrece no pé. O tamanho da safra e o porte do fruto são compatíveis com um gonfotério e a capa rija da semente a protegeria de sua possante mastigação. Eles desapareceram, mas as espécies de árvores por onde passavam ainda existem.


O mesmo acontece na América do Sul, como o abacate – com seu caroço levemente tóxico – que estaria adaptado a herbívoros como a preguiça-gigante. Durante milhões de anos eles co-evoluiram de modo que ambos estivessem bem adaptados um ao outro.


Com a extinção de seus companheiros, essas variedades ficaram obsoletas, e variedades com tamanhos mais modestos não foram selecionadas durante o período, não tendo tempo para se adaptarem. O motivo para que as “frutas viúvas” continuem existindo é que podem ser dispersas por fatores físicos como as águas de uma cheia ou quando a arvore que lhes deu origem fica em um terreno alto, mesmo os pequenos animais podem espalhar exemplares. Apesar da ineficiência da dispersão e do excessivo gasto de energia.


Existem casos mais trágicos de dependência. Como a calvária (Sideroxylon grandiflorun), que vive nas Ilhas Maurício e tinha número muito reduzido. Mesmo quando plantadas pelo homem não germinavam. Stanley Temple concluiu que as sementes da árvore só se tornava ativa após passar pelo estomago do dodô (Raphus cucullatus) seu antigo dispersor que foi extinto pelos primeiros colonos do arquipélago. Existiam algumas poucas calvárias no arquipélago, todas com mais de trezentos anos, nasceram na época em que os últimos dodôs foram mortos. A espécie foi salva, pois pesquisadores alimentaram perus com as sementes, conseguindo o mesmo efeito.


Outro fato, porém incomum, é o disseminador que apresenta risco para o vegetal. Este desajuste é observado por biólogos é a relação entre a maruleira (Sclerocarya birrea) e o elefante (Loxodonta africana), seu principal agente dispersor, que ao se alimentar quebra muitos galhos, causando danos na arvore-mãe, podendo até matá-la. Apesar de seu efeito benéfico causa danos nas populações de amaruleiras e prejudica seu ciclo reprodutivo.


Outra adaptação exigida pela dispersão endozoocórica é a proteção da semente, onde está o embrião, que precisa passar pelo sistema digestivo sem danos. Isso explica o fato da maioria das frutas só apresentarem cor e sabor chamativo quando a sementes estão resistentes. A maioria possui sementes que resistem ao tipo de dispersor ao qual estão adaptadas. Frutos como a marula e o guaraná possuem caroços bem duros que resistem a bichos de grande porte.


Porém existem espécies que não possuem sementes resistentes ao avanço de animais, pois sua dispersão não é feita por eles. Os frutos caem no chão e se decompõem e as sementes germinam. Tais plantas desenvolveram defesas para suas sementes. Como substancias venenosas.


Qualquer animal que comer um destes frutos acabará “educado” e dificilmente repetira a experiência. Podendo até morrer, em caso mais graves. Certos vegetais dão a pista de como houve esse tipo de seleção.


O kino (Cucumis metuliferus) que possui estirpes comestíveis e outras amargas ou venenosas. Que prevalecem quando na existência de animais destruidores de sementes, porem sem eles os comestíveis se dispersam em uma quantidade muito maior que a outra linhagem. O mesmo acontece com certas macadâmias.

Podemos encontrar essas diferenças em espécies com pequeno grau de parentescos, como o gênero Solanun que possui espécies de fruto venenoso, outras de sabor amargo (como o jiló) e as que são perfeitamente comestíveis (como o tomate e a berinjela).


Ainda existem casos bem raros como o akee que não é venenoso apenas na maturação ideal, antes ou depois é altamente tóxico.

Toxinas não são as únicas armas, espinhos consistem em uma boa forma de proteção. Podem estar localizados na superfície do fruto, em ramos adjacentes (como no limão) e até em volta da semente, como no pequi. Que possui inúmeros espinhos em torno do caroço, que se desprendem quando ele é mordido. Porém, gambás e certos pássaros conseguem consumi-lo, sem danificar a semente.


Existem ainda os cactos que possuem frutos cobertos de espinhos. Com isso, apenas alguns poucos animais conseguem se alimentar deles. Os jabutis de Galápagos são um exemplo clássico, comem os frutos dos cactos, mas como possuem bico córneo não se importam com espinhos.


A evolução dos frutos, de uma forma geral, aconteceu de modo a proteger a semente e a dispersa-las de uma forma eficiente.


Mostrando como os seres vivos podem se adaptar, levando a grandes modificações ao longo do tempo.





Referencias:


Ridley, Mark (2006) Evolução. Blackwell publishing. 300-302

Souza, Vinicius & Lorenzy, Harri (2007) Chave de Identificação para as princiais famílias de angiospermas nativas e cultivadas no brasil. Instituto Plantarum


Gonçalvez, Eduardo & Loreinzi, Harri (2007). "Morfologia Vegetal: Organografia e Dicionário Ilustrado de Morfologia de Plantas Vasculares". Instituto Plantarum.



http://pt.wikipedia.org/

http://es.wikipedia.org/

http://geocities.com/rapinibot/Origin/aula1.htm

http://freewebs.com/rapinibot/encobio/aula3.htm

http://bot.cb.santagiulia.edu.br/index.php?id=80&mno=GruposVegetais

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Polvo mímico

No vídeo abaixo é mostrado o polvo mímico (Thaumoctopus mimicus), descoberto em 1998 no mar de Sulawesi, Sudeste Asiático. Ele chama a atenção porque além de conseguir se camuflar imitando a cor e a textura do ambiente como os demais polvos, consegue mimetizar outros animais que vivem em seu ambiente. Imitando a forma física e o movimento de diversas outras espécies, incluindo linguados, peixes-leão e cobras do mar, além de estrelas-do-mar, caranguejos gigantes, conchas de moluscos, raias, águas-vivas, anêmonas e camarões. Se fazendo passar por espécies venenosas ou que possuam um sistema de camuflagem ou defesa eficiente consegue afastar os predadores. Outra vantagem de seu comportamento peculiar é o de poder se aproximar de possíveis presas sem ser tomado como um animal nocivo.

video

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Um elo na evolução dos crocodilos


Animal que viveu há 80 milhões de anos é forma intermediária entre espécies primitivas e atuais


Fósseis de uma nova espécie de crocodilomorfo podem esclarecer uma parte até então obscura da história evolutiva desses animais. O Montealtosuchus arrudacamposi, que viveu há cerca de 80 milhões de anos, durante o período Cretáceo Superior, tem características morfológicas intermediárias entre as formas pré-históricas e atuais de crocodilos.


O novo crocodilomorfo brasileiro foi descrito a partir de três esqueletos quase completos e bem preservados. Os ossos foram encontrados em Monte Alto, interior de São Paulo, por pesquisadores do Museu de Paleontologia da cidade e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


“Essa descoberta pode projetar a paleontologia brasileira a níveis internacionais, pois irá reescrever a história da evolução dos crocodilos”, destaca o geólogo Ismar de Souza Carvalho, professor do Departamento de Geologia da UFRJ e coordenador do projeto. Antes, crocodilomorfos primitivos e atuais formavam grupos com características muito distintas.


A classificação da nova espécie como uma forma intermediária de crocodilomorfo baseou-se em análises de seu crânio. O formato do palato e a articulação entre crânio e mandíbula revelam aspectos pertencentes a uma categoria de transição no processo evolutivo desse grupo.


O M. arrudacamposi foi considerado um animal atípico, pois se diferencia muito dos jacarés e crocodilos atuais. Ele pesava cerca de 40 kg e media entre 1,30m e 1,70m de comprimento. As pernas longas e os olhos dispostos na lateral da cabeça indicam que se tratava de um predador com hábitos totalmente terrestres. O formato de seus membros demonstra que o animal se deslocava com destreza em terra firme, ao contrário dos exemplares de hoje em dia. Ele apresentava ainda placas dérmicas em seu dorso como forma de proteção.


Segundo os pesquisadores, o animal viveu em ambientes de clima sazonal, com longos períodos de seca e chuvas torrenciais esparsas, que formavam rios temporários. O M. arrudacamposi dividia essa paisagem com dinossauros de grande porte, tartarugas aquáticas e outros crocodilomorfos terrestres.


Técnicas pioneiras de análise

Para a descrição da nova espécie, publicada na edição de outubro do periódico Zootaxa, foram usadas técnicas pioneiras de análise dos fósseis. Segundo o geólogo Felipe Mesquita de Vasconcellos, aluno de doutorado da UFRJ e membro da equipe, a pesquisa empregou tecnologia digital e tomografia para a construção de um modelo virtual tridimensional do M. arrudacamposi.


“Com essas técnicas, podemos perceber o formato interior da caixa craniana e da estrutura muscular do animal”, afirma Vasconcellos. “Além disso, o formato do palato nos dá uma idéia da força de sua mordida.”


A cidade de Monte Alto é conhecida por ser um importante sítio paleontológico. A região está assentada sobre rochas da bacia Bauru e é rica em fósseis de animais do período Cretáceo, desde invertebrados, como moluscos, até vertebrados de grande porte.


O nome Montealtosuchus arrudacamposi é uma homenagem ao município de Monte Alto e ao professor Antônio Celso de Arruda Campos, atual diretor do Museu de Paleontologia de Monte Alto e um dos primeiros a encontrar os fósseis.



Igor Waltz

Ciência Hoje On-line

01/02/2008

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Fósseis transicionais: Testemunhas da evolução


A revista Nature publicou no dia 6 de abril de 2006, um extenso artigo que causou grande repercussão no meio científico. Nele, paleontólogos descrevem a descoberta do Tiktaalik roseae. Uma espécie de peixe que viveu no Devoniano a aproximadamente 375 milhões de anos onde hoje é o Ártico.

Sua descoberta é notável porque apresenta uma série de características distintas de peixes e tetrápodes; a começar pela sua cabeça. O crânio do tiktaalik possui região opercular reduzida e parte anterior alongada, indicando mudanças na alimentação e na respiração para um modo semi-terrestre. Além de sua anatomia indicar o surgimento de ouvidos e entre as inovações, também está um pequeno pescoço, ausente em peixes, o que lhe daria maior mobilidade ao capturar presas.

Suas nadadeiras têm estruturas ósseas homólogas aos membros de vertebrados terrestres muito semelhantes a ombros e punhos. Os "pulsos" - as pontas das nadadeiras - podiam se dobrar para apoia-lo no solo. Ainda há indícios de músculos que movimentariam o membro e proporcionariam sustentação, o que aproxima a espécie dos anfíbios. Por outro lado as nadadeiras raiadas – sem dígitos – escamas e brânquias o colocam ao lado dos osteíctes. É a primeira vez que se encontra um intermediário entre as duas classes com membros mistos.
Outra peculiaridade são suas costelas que montam umas nas outras formando placas rígidas, típico de um animal que precisa enfrentar a ação da gravidade e assim se sustentar.

Estava bem adaptado a vida em águas rasas, como revela o crânio achatado e os espiráculos no alto da cabeça que mostram a existência de respiração pulmonar. Semelhante aos anfíbios atuais, apesar de ter vida essencialmente aquática como mostra os arcos branquiais bem desenvolvidos. Seus olhos no topo da cabeça podiam ficar atentos tanto a atividade dentro e fora d'água.

Apesar do barulho, os criacionistas não se manifestaram. Exceto por algumas poucas e tímidas declarações. Esse grupo afirma de forma categórica que fósseis transicionais não existem e que todas as descobertas são fraudes. Entretanto não apresentam evidências que reforcem suas acusações. Seus argumentos não são apresentados ao meio acadêmico e sim ao público de seu interesse.

Fósseis transicionais, popularmente chamados de elos perdidos, são restos de seres vivos que apresentam características distintas de grupos diferentes, indicando uma relação de parentesco.
São conhecidos desde o século XIX, em meio ao início da paleontologia. E uma das primeiras descobertas é o célebre Archaeopterix, descoberto na formação de Solnhofen, Alemanha. Em sua anatomia é possível ver características típicas de aves como penas, asas e fúrcula com outras de répteis como dentes, ausência de bico e cauda semelhante à dos dinossauros.

Achados como esse, permitem remontar a trajetória evolutiva de diversos táxons e mostrar como foi o processo de surgimento de estruturas adaptativas. A espécie encontrada pode não ter dado origem a um clado, porém dá pistas de como pode ter sido um ancestral direto. O archaeopteryx, por exemplo, pode não ter dado origem as aves modernas, e sim a um ramo de aves primitivas, já extintas, segundo algumas hipóteses.

Outra alegação é que o registro fóssil possui muitas lacunas e que descrever os processos evolutivos através dos transicionais é um método inadequado. Os buracos existem pelo fato de que a fossilização é um fenômeno raro, nem todos os seres vivos se fossilizem, espécies podem ter surgido e se extinguido sem deixar rastro algum. A fossilização só ocorre em circunstancias especiais e processos geológicos como vulcanismo e a metamorfisação podem destruir a camada de rocha sedimentar. Apesar da irregularidade de certas linhagens, existem ramos na arvore evolutiva bem completos, como o da evolução do homem e a do cavalo. Em que é possível ver detalhadamente os passos evolucionários.

A evolução biológica ocorre de forma gradual, tal qual um arco-íris, onde apesar de você poder distinguir cada cor separadamente, mas não se consegue ver um limite claro entre elas e sim uma transição gradual entre os diferentes tons. Os fósseis transicionais testemunham essa evolução entre os seres vivos de forma evidente na ciência atual.

Textos complementares
Fontes:

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O maior dos roedores gigantes


Crânio fóssil de 2 a 4 milhões de anos permitiu descrição de animal que pesava mais de uma tonelada


lista dos roedores gigantes extintos acaba de ganhar um elemento de peso. Com mais de uma tonelada, o Josephoartigasia monesi é a maior espécie desse grupo já registrada. Ele foi descrito a partir de um crânio quase completo e muito bem preservado, encontrado na formação de São José, no Uruguai, com idade entre 2 e 4 milhões de anos. Embora os roedores atuais sejam em geral pequenos – salvo poucas exceções, como a capivara, que pesa aproximadamente 60 kg –, várias espécies extintas alcançaram tamanho muito maior. Hoje, são conhecidas 60 espécies para a fauna de grandes roedores extintos da América do Sul. Mas não se sabia muito sobre a anatomia desses animais, porque os restos fósseis encontrados se restringiam a dentes isolados e fragmentos de mandíbulas. A descoberta do crânio quase completo do J. monesi, publicada esta semana no periódico Proceedings of the Royal Society B, fornece novas informações sobre esses roedores gigantes. A principal característica da nova espécie, descrita pelos pesquisadores Andrés Rinderknecht, do Museu Nacional de História Natural e Antropologia (Uruguai), e Ernesto Blanco, da Faculdade de Engenharia do Instituto de Física de Montevidéu (Uruguai), é seu tamanho extremamente grande. Com base no comprimento total do crânio – 53 cm –, sua massa corporal foi estimada em 1.008 kg. “Não temos uma avaliação técnica para o comprimento do J. monesi, mas a estimativa é de que seja de cerca de três metros”, conta Blanco à CH On-line. Os autores afirmam que o crânio do J. monesi é claramente maior do que o do Phoberomys, considerado anteriormente o maior roedor que já existiu, com massa corporal estimada entre 400 e 700 kg. Segundo eles, os fragmentos fósseis disponíveis de Phoberomys indicam que seu crânio tinha aproximadamente 65% do tamanho do crânio dos animais do gênero Josephoartigasia. “Podemos então concluir, com alto grau de confiança, que nosso espécime de J. monesi tinha massa corporal cerca de duas vezes maior que a do Phoberomys, o que faz dele o maior roedor conhecido que já existiu”, dizem no artigo.



Dieta de plantas aquáticas Assim como outros representantes da família Dinomyidae, o J. monesi tinha todos os dentes molares e pré-molares relativamente pequenos em comparação com o tamanho do crânio. Por outro lado, seus incisivos chegavam a vários centímetros. Essas características sugerem que o animal tinha músculos de mastigação fracos para triturar comida, o que poderia resultar em uma dieta composta por vegetação não muito dura e frutas. É possível que eles dependessem de plantas aquáticas para se alimentar. Os pesquisadores acreditam que esse roedor viveu em locais de floresta próximos à foz de rios. O ambiente era dividido com outros roedores gigantes, tigres dentes-de-sabre, pássaros carnívoros gigantes, mamíferos da ordem Xenarthra (como tamanduás, tatus e preguiças), capivaras e variados mamíferos ungulados (que compreendiam animais com casco nas patas). “Essa descoberta é muito importante para completar nossa imagem da fauna sul-americana 4 milhões de anos atrás e também para o entendimento da evolução dos roedores e do problema da massa corporal em geral”, avalia Blanco. Segundo ele, o achado do crânio completo de J. monesi permitirá ainda a realização de estudos sobre a força da mordida do animal e vai aprofundar o conhecimento sobre esse grupo de mamíferos.



Thaís Fernandes Ciência
Hoje On-line
16/01/2008